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Rosa Luxemburgo, em quadrinhos

Livro de Kate Evans abre janelas para a vida da revolucionária polonesa, para além de sua militância política. Mostra seus amores, desejos e aspirações sem reduzi-la a “mártir”. Apoiadores de Outras Palavras concorrem a 3 exemplares



Do BLOGDAREDAÇÃO, 17 de Janeiro 2023
Por Guilherme Arruda


Outras Palavras e Fundação Rosa Luxemburgo sortearão três exemplares do quadrinho Rosa Vermelha, de Kate Evans, entre os apoiadores do nosso jornalismo. O formulário de participação será enviado por e-mail e as inscrições serão aceitas até a próxima segunda-feira, 23/1, às 14h.

Na última semana, apresentamos um livro que busca aproximar nossos leitores das ideias de Rosa Luxemburgo. Agora, trazemos uma obra que conta a vida da grande revolucionária socialista – no simpático formato das histórias em quadrinhos. Rosa Vermelha, da quadrinista Kate Evans, chegou ao Brasil pela Fundação Rosa Luxemburgo e desvela uma biografia multifacetada, que para além da incansável militância, abarca um espírito intelectualmente criativo e uma ativa vida amorosa. Uma Rosa humana como todos nós.

Não que a trajetória de Rosa Luxemburgo seja uma história comum ou ordinária. A polonesa Rozalia Luksenburg – seu nome de batismo – teve mesmo uma vida digna de ser contada em livros, filmes e agora em quadrinhos como o desta autora canadense radicada no Reino Unido.



Rosa dedicou quase trinta anos à construção legal e ilegal de partidos socialistas na Polônia subjugada pelo czarismo russo e na Alemanha governada pelo Kaiser Guilherme, amargando diversas prisões mas se destacando como grande jornalista popular e liderança de massas.

Na Social-Democracia do Reino da Polônia e da Lituânia, a militante nascida na cidadezinha de Zamość defendeu a adoção de posições internacionalistas que não limitassem a atuação da organização à libertação nacional polonesa. No Partido Social Democrata da Alemanha, o grande orgulho da Segunda Internacional, Rosa foi uma das primeiras a alertar contra a crescente influência do reformismo e do revisionismo. Suas preocupações se expressavam desde Reforma ou revolução, de 1900, e se demonstraram corretas em 1914, com a adesão do SPD à guerra e seu abandono dos princípios marxistas.

Seu esforço de manter o marxismo no campo da revolução também se estendeu à contribuição teórica que deixou. Seus estudos na Universidade de Zurique não só a levaram a ser uma das primeiras mulheres doutoras em Economia do mundo como a fizeram enveredar por um caminho de investigações que resultou em clássicos do pensamento econômico marxista, como A acumulação de Capital e O desenvolvimento industrial da Polônia.

Em seus últimos anos de vida, Rosa se engajou na batalha política mais importante de todas em que se envolveu. A defesa do horizonte revolucionário contra a miséria do possível. Castigou duramente a capitulação do SPD em textos como A crise da social-democracia alemã e logo se dispôs a construir novas organizações para os trabalhadores revolucionários a nível nacional e internacional. Mas sua convicção revolucionária custou sua vida: a repressão social-democrata aos desdobramentos radicais da Revolução Alemã executou Rosa em meio às lutas de rua em Berlim no início de 1919 e jogou seu corpo em um canal.

Por tudo isso e muitos motivos mais, Rosa foi uma “imprescindível”. Seu nome ressoa nas mentes de milhões ao redor do mundo mais de cem anos depois de sua morte precisamente porque sua contribuição para a causa dos povos do mundo foi especial.

Mas, para deixar tamanho legado, Rosa não deixou de ser gente. Nesta biografia em quadrinhos, Kate Evans ilustra também, por exemplo, o envolvimento sentimental de Luxemburgo com figuras como Leo Jogiches e Kostja Zetkin e as idas e vindas de seu relacionamento com sua família judia.

Torna-se clara a desconfiança de Rosa com o “militantismo” burocrático e medíocre. Rosa dedicou toda uma vida à militância política não por mera tarefa, mas por profundo amor às pessoas e ao mundo – e à liberdade e ao bem-estar que precisam se universalizar no novo mundo que vamos construir.

Evans insere na HQ uma carta que a revolucionária escreve na prisão e que expressa bem essa visão. Este é um de seus trechos mais bonitos:

“Uma só coisa que me atormenta: que eu não deveria gozar sozinha de tanta beleza. Tenho vontade de gritar bem alto, para ser ouvida além das muralhas: Por favor, prestem atenção neste dia maravilhoso! Por mais ocupados que estejam, não se esqueçam de levantar brevemente a cabeça e voltar o olhar para as imensas nuvens prateadas e o silencioso oceano azul onde nadam.

Reparem também no ar, pesado que está com o sopro apaixonado dos últimos brotos de tília, e reparem no resplendor e na glória que recobrem este dia, pois este dia, nunca, nunca mais voltará! Este dia é um dom que lhe é dado como uma rosa completamente aberta, jazendo a seus pés, esperando que você a pegue e a leve aos lábios.”

Dando continuidade às comemorações da vida de Rosa Luxemburgo que iniciamos na última sexta, 104 anos depois de seu assassinato por milicianos contrarrevolucionários, sortearemos três exemplares da biografia em quadrinhos Rosa Vermelha, de Kate Evans, entre os apoiadores do nosso jornalismo.

Este sorteio está sendo organizado junto de nossos parceiros da Fundação Rosa Luxemburgo. Suas inscrições ficarão abertas até a próxima segunda-feira, 23/1, às 14h.

Todos os leitores que já colaboram financeiramente com o jornalismo de Outras Palavras receberão o formulário de participação no sorteio em seus e-mails. Para receber também, acesse apoia.se/outraspalavras/ e se torne parte da rede Outros Quinhentos com a partir de R$15/mês.

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GUILHERME ARRUDA
Redator do projeto Outros Quinhentos. Historiador pela Universidade de São Paulo (USP). No jornalismo, já colaborou com veículos como Carta Maior e Vermelho. Na pesquisa, estuda a formação das nações latino-americanas no século XIX. Na educação, constrói a Escola Nacional Eliana Silva, do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB).

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