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O canto dos anjos do Natal vem da floresta, dos terreiros (Marcelo Barros e Mauro)

Do Paz e Bem, 23 de Dezembro 2022
Por Mauro Lopes e Marcelo Barros




No Paz e Bem 1490 desta sexta, 23 de dezembro de 2022, Mauro Lopes recebe o monge Marcelo Barros para uma ousada reflexão de Natal a partir da meditação escrita por Barros dias antes. Leia um trecho do texto e assista à live:
https://www.youtube.com/watch?v=ho9Tc1E3sIo

A profecia do Natal para toda a humanidade No dia 24, véspera da festa do Natal, a liturgia latina costuma repetir um refrão, baseado no livro do Êxodo: “Hoje, todos saberão que o Senhor virá e amanhã poderão ver a sua glória”.

Parece irreal cantar: “Hoje ainda será destruída a iniquidade do mundo. Amanhã reinará sobre nós o Salvador”.

No mundo atual, a iniquidade do mundo se tornou mais escandalosa. A desigualdade social se multiplica. Milhões de pessoas são excluídas do trabalho digno. Fome e miséria aumentam.

Diariamente, milhares de crianças morrem por não terem acesso à água potável. Além disso, a praga do armamentismo ameaça a própria segurança do planeta.

(...) Jesus de Nazaré se revelou como homem (do gênero masculino), mas acolhe também a dimensão divina do feminino. Revela que Deus é Pai e Mãe e permite que o chamemos de Ele ou Ela. Na realidade do nosso mundo tão ferido por desigualdades sociais, raciais e de gênero, o Natal nos revela os rostos plurais do Espírito Divino. Faz-nos descobrir cada ser humano, homem ou mulher, homo, hetero, ou transexual, como imagens do amor divino.

Desde criança, Jesus não é encontrado pelos religiosos de Jerusalém e sim pelos pastores do campo. Manifesta-se não no templo e sim nos barracos e acampamentos, como foi a gruta e a manjedoura de Belém. Assim, hoje, o Espírito, Ventania do Amor Divino, se revela de formas diversas, mas sempre a partir da comunhão com as pessoas mais vulneráveis. 

A Palavra feita carne no Natal nos faz reconhecer a presença divina nas manifestações de todas as culturas e religiões. Aqui no Brasil, o Natal nos compromete na defesa diária e intransigente das comunidades indígenas e afrodescendentes, tanto na sua luta sagrada pela terra e pelo direito a viver suas culturas e expressões religiosas.
(...) Hoje, o cântico dos anjos de Belém se torna o cantar misterioso que o Xamã ianomâmi David Kopenawa escuta dos Xapiris da floresta. Toma a forma do Toré dos índios do Nordeste. São os mesmos cânticos do Natal da mãe Terra e da natureza que, apesar de ferida, teima em viver. O Cristo se revela, hoje, nas pessoas que reconhecem a presença do Espírito nos cultos dos Orixás, da Umbanda e dos Encantados indígenas, mais do que nas celebrações oficiais de um Cristianismo institucional que se fecha em si mesmo, de forma narcisista e não se abre ao amor e à Paz que os anjos anunciaram em Belém.

O Espírito de Jesus vem danç
ar com seus filhos e filhas índios e negros para confirmá-los na sua resistência profética e dar a toda humanidade a esperança de um mundo renovado O mundo inteiro se transforma em imenso presépio. Não do Menino Jesus que, hoje é o Cristo Ressuscitado que nos vem pelo Espírito. É essa energia materna de amor que cobriu Maria com sua sombra e, hoje, fecunda o universo com seu amor e sua força libertadora.

Feliz Natal para você e para todos os seus entes queridos.

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