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Prosperidade comum: Uma conversa íntima com Wang Hua, da Fundação para a Paz e Desenvolvimento da China

A FPDC promove o esforço conjunto entre povos na luta contra a pobreza



Do Brasil 247, 30 de outubro de 2022
Por Leonardo Sobreira, de Pequim


Leonardo Sobreira, de Pequim (247) - A sabedoria ancestral chinesa e a ideologia do Partido Comunista da China (PCCh) caminham lado a lado. No âmbito internacional, a ‘diplomacia com características chinesas’ busca inspiração em um antigo provérbio em particular.

Xue zhong song tan (Enviar carvão em tempos de neve) expressa de forma sucinta um dos propósitos do Partido nessa área: construir um mundo mais solidário, baseado no desenvolvimento pacífico e na prosperidade comum.

A história do provérbio remonta a um antigo imperador chinês. Em um dia congelante de inverno, o governante estava descansando em seu esplêndido palácio, queimando carvão enquanto desfrutava de extravagantes comidas e bebidas. No entanto, olhando para a neve do lado de fora, ele de repente se comoveu com as pessoas pobres sofrendo.

O imperador então ordenou aos funcionários palacianos que doassem comida e carvão aos pobres e idosos para os ajudar a suportar o frio. Desde então, muitos chineses passaram a usar a expressão para descrever o espírito de amparar os mais necessitados.

“Um pedaço de carvão em tempos gelados lhe trará amigos duradouros”, complementou Wang Hua, secretário-geral adjunto da Fundação para a Paz e Desenvolvimento da China (FPDC), em uma conversa íntima com os jornalistas Leonardo Sobreira, do Brasil 247, Francisca Martinez, do Canal 6 TV (México), e David López, do El Tiempo (Colômbia).

“Nós contribuímos com o melhoramento da aldeia comum. Durante toda sua história, a China contribuiu dessa maneira”, observou Wang. “Buscamos lutar juntos contra o hegemonismo, contribuir cada um com o mundo que habitamos apenas temporariamente, deixar algo bom à posteridade. Essa é a mentalidade chinesa e, por que não, do Partido Comunista da China”.

A FPDC, que completou 10 anos em janeiro do ano passado, já liderou 80 projetos em 34 países. Mais de RMB200 milhões foram investidos em diversas iniciativas educacionais, de abastecimento hídrico em comunidades rurais e de saúde infantil, beneficiando centenas de pessoas. Além disso, desde o início da pandemia de Covid-19, a organização estendeu a mão amiga a 27 países, doando equipamentos de proteção, purificadores de ar e outros materiais no valor de RMB20 milhões.

Segundo Wang, a atuação da FPDC se diferencia da de algumas organizações ocidentais. “Algumas fundações de outros países dedicam-se a fomentar revoluções coloridas…”, indicou o secretário-geral. “Já o PCCh busca estabelecer relações de amizade, passando por cima de diferenças ideológicas. Aos que estão de acordo e querem se desenvolver, não se está impondo um projeto”.

As iniciativas da FPDC, explicou Wang, buscam tratar o problema da pobreza “de maneira fundamental, não somente com medidas paliativas”. “Somente por meio de projetos de desenvolvimento conjuntos e construções conjuntas, que contam com o esforço comum, compartilharemos os frutos”.

Esse espírito foi refletido no informe apresentado pelo secretário-geral do PCCh, Xi Jinping, diante do XX Congresso Nacional. Segundo Xi, uma "exigência essencial" da modernização chinesa é aumentar a estruturação de uma comunidade de destino da humanidade e criar novas formas de civilização humana, opondo-se ao "hegemonismo, autoritarismo e bullying no uso intimidante da força contra os fracos".

Nesse sentido, o embaixador salientou que a busca pela prosperidade comum, em especial na América Latina, depende estritamente da independência econômica, cultural, educacional, científica e técnica. "Sem isso, há dependência", disse. “A China luta por uma independência verdadeira. Somente assim, o que fazemos corresponde aos interesses do nosso povo”.

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