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Povos indígenas pedem à humanidade que aja com urgência para salvar a Amazônia. Eles garantem que 20% da maior floresta tropical do planeta já foi destruída

Do IHU, 05 Setembro 2022
A informação é publicada por Página/12, 03-09-2022.



Mais de 500 povos indígenas da bacia amazônica clamam de Lima em um apelo emergencial para que a humanidade se conscientize da urgência de agir contra as ameaças que estão destruindo impiedosamente a maior floresta tropical do planeta e se reunirá no Peru, em um congresso em que esperam amplificar suas vozes.

A Coordenadoria das Organizações Indígenas da Bacia Amazônica (Coica) reunirá de 5 a 9 de setembro delegados e representantes dos nove países que compõem a Amazônia para apresentar suas ameaças e soluções e convocar a união de povos, estados e organismos internacionais para preservar o grande pulmão do planeta.

“Já há 20% da Amazônia que está destruída, contaminada por derramamento de óleo, mineração ilegal, desmatamento, monoculturas, pecuária… Queremos restaurá-la, mas ainda temos 80% vivos que temos que salvar para a humanidade”, afirmou. disse à Agência Efe. o coordenador da Coica, Gregorio Diaz Mirabal.

O coordenador é contundente em seu pedido de urgência e é firme em apontar a responsabilidade de ambos os países que fazem parte da bacia amazônica (Brasil, Guiana, Venezuela, Bolívia, Guiana Francesa, Colômbia, Peru, Suriname e Equador), bem como como os grandes governos que se comprometeram a ajudar a preservar a grande floresta e não cumpriram sua responsabilidade.







Região Pan-Amazônica

Mas ressalta a importância de apresentar soluções e planos de ação emergenciais para cumprir a meta de salvar 80% da Amazônia até 2025, e também para mudar a forma como o mundo a vê como uma fonte inesgotável de recursos.

"Queremos um fortalecimento de nossas comunidades, uma economia que respeite a floresta que ao invés de fazer ouro ou petróleo, fortaleça a economia da selva, o artesanato que nossas comunidades fazem, o turismo, as frutas nativas, tudo o que a selva produz, nós não preciso destruí-lo", explicou.

Díaz Mirabal, originário do povo Kurripaco, que habita a bacia amazônica venezuelana, destacou que existe outra forma de riqueza fora da exploração dos recursos naturais e que cuida da floresta. Mas para que isso aconteça, grandes empresas e bancos devem deixar de fazer concessões que perpetuam o desmatamento.

Além disso, destacou a ideia de que o oxigênio que a Amazônia entrega ao planeta e a fonte de água potável que essa bacia representa são muito mais valiosos do que petróleo e ouro, porque não podem ser substituídos.

Como o antigo conhecimento tradicional dos vários povos, que corre o risco de se perder, e "que pode ser usado neste momento para resolver grandes problemas que temos, como grandes doenças".

Ameaças latentes

Em entrevista na Associação Interétnica para o Desenvolvimento da Floresta Peruana em Lima, poucos dias antes do início do congresso e cúpula onde a Coica espera conseguir alianças globais e territoriais para a conservação da Amazônia, o coordenador destaca que o desmatamento é a maior ameaça que enfrentam.

A derrubada de árvores é o primeiro passo para que a mineração ilegal, o narcotráfico, a exploração de petróleo, a pecuária e a monocultura que destrói espécies entrem nos pulmões do planeta.

“(Investidores estrangeiros veem) a Amazônia como um negócio e querem cortar árvores para gerar lucros que também não chegam às nossas cidades”, disse Diaz Mirabal.

Além disso, denunciou os contínuos assassinatos de defensores do meio ambiente, que, segundo a Coica, equivalem a um homicídio a cada dois dias por organizações criminosas que buscam benefícios nas florestas.

Ele afirma categoricamente que a Amazônia está em um ponto sem volta. Além disso, que o desmatamento e os efeitos das mudanças climáticas, bem como a guerra no Leste Europeu, estão agravando a situação, uma vez que estão sendo buscadas novas jazidas de petróleo e um aumento na exploração das existentes, devido à falta desse recurso.

“Nós viemos da COP-26 em Glasgow onde muitas promessas foram feitas, muito dinheiro foi prometido, muito apoio técnico para salvar os territórios (...) 27 no Egito e eles não foram cumpridos", diz ele.

Por isso, as comunidades nativas querem lembrar que é urgente a chegada de financiamento e a continuidade das negociações por parte de países como o Reino Unido ou a França, que se comprometeram com isso.

Quanto aos países da região, o coordenador espera que Jair Bolsonaro não volte a vencer no Brasil, pois afirma que o desmatamento aumentou no país em até 70% durante seu mandato. E espera nos novos governos que prometeram ouvir suas demandas, como os da Colômbia e do Peru.

Apesar de ser uma organização que representa mais de 500 povos indígenas diversos, incluindo os isolados, em uma enorme área geográfica de oito milhões de quilômetros quadrados, todos concordam que precisam fazer esse apelo à comunidade internacional.

Um grito urgente para proteger, legislar e conscientizar sobre as ameaças contínuas que não pararão até que haja uma profunda mudança de mentalidade na sociedade em relação ao cuidado com o planeta.

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