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IDH do Brasil recuou pela primeira vez em 30 anos. Artigo de José Eustáquio Diniz Alves

Do IHU, 13 Setembro 2022


"O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil recuou depois de pelo menos 30 anos de crescimento continuado, segundo relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), divulgado no dia 8 de setembro de 2022. Esta notícia divulgada no bicentenário da Independência deve servir de consideração para as reflexões sobre o futuro do Brasil", escreve José Eustáquio Diniz Alves, demógrafo e pesquisador em meio ambiente, em artigo publicado por EcoDebate, 12-09-2022.

Eis o artigo.

O gráfico abaixo mostra que o IDH no Brasil e do mundo entre 1990 e 2021. Há 30 anos, o IDH do Brasil era de 0,613 e do mundo de 0,601. Nos 25 anos seguintes a diferença aumentou em favor do Brasil que chegou em 2015 com IDH de 0,753 para um IDH global de 0,724. Porém, o nível de desenvolvimento humano ficou estagnado no Brasil desde meados da década passada e o IDH de 0,754 em 2021 é semelhante ao IDH de 2015 e pouco maior do que o de 2012.

Com a pandemia da covid-19 e a recessão econômica de 2020, o Brasil recuou 6 anos e está estagnado nos últimos 10 anos. O mundo também apresentou queda entre 2019 e 2021, mas o IDH global de 0,732 em 2021 é maior do que o de 2015. Portanto, a vantagem do Brasil se estreitou em relação ao IDH mundial. O Brasil caiu três posições entre 2019 e 2021 e encontra-se em 87º lugar no ranking global. Em 2014 o Brasil estava em 75º lugar.





O gráfico abaixo mostra que, em 1990, o Brasil tinha um IDH de 0,610, bem superior ao IDH chinês de 0,484. Mas ao longo das últimas 3 décadas o avanço do desenvolvimento humano foi mais rápido na China, sendo que o Brasil apresentou declínio entre 2019 e 2021 e a China continuou apresentando avanços. A China ultrapassou o Brasil em 2020 e com IDH de 0,768 em 2021 ganhou 3 posições e atingiu o 79º lugar no ranking global em 2021.





O gráfico abaixo mostra o IDH do Chile, Brasil e Venezuela. Nota-se que, em 1990, o Chile, com 0,706 já estava à frente da Venezuela (0,659) e do Brasil (0,610). Todos os 3 países tiveram ganhos até 2015 e a ordem entre eles se manteve. Mas, desde meados da década passada, o Brasil estagnou entre 2015 e 2021, a Venezuela retrocedeu e somente o Chile continuou sendo o país da América do Sul com o IDH mais elevado do continente.





O Chile lidera a América Latina, com IDH de 0,855, em 42º lugar no ranking global em 2021. Em seguida aparecem Argentina, em 47º (0,842); Costa Rica (58º), Uruguai (58º), Panamá (61º), República Dominicana (80º), Cuba (83º), Peru em 84º (0,762) e Brasil em 87º lugar. Em seguida aparecem Colômbia em 88º (com 0,752), Equador (95º), Paraguai (105º), Bolívia (118º), Venezuela (120º), El Salvador (125º), Nicarágua (126º), Guatemala (135º), Honduras (137º) e Haiti (163º).

Em 2021, os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) apresentaram média de IDH de 0,899. Em seguida aparecem a Europa e Ásia Central (com 0,796), os países da América Latina e Caribe (0,754), os países do Leste asiático e Pacífico (0,749), os países Árabes (0,708), os países do Sul da Ásia (0,632) e, por fim, os países da África Subsaariana (com 0,547).

Pela primeira vez em 3 décadas, o Índice de Desenvolvimento Humano brasileiro caiu em função, principalmente, dos impactos negativos da pandemia da covid-19. O IDH caiu no Brasil, no mundo e em diversos países. Mas a queda da expectativa de vida brasileira foi enorme e reflete os equívocos do governo Federal que tratou a emergência sanitária como se fosse uma gripezinha e sabotou as medidas de prevenção e de cuidado com os doentes.

A queda do IDH brasileiro pode ser colocada na conta dos equívocos da política de saúde de um governo caracterizado por muitos como genocida.

Mas a queda não foi generalizada e países como China, Austrália, Coreia do Sul e Japão apresentaram ganhos entre 2019 e 2021. Espera-se que o IDH global volte a crescer em 2022. Mas a Agenda 2030 da ONU está cada vez mais inviabilizada, pois está cada vez mais difícil atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) até o final da atual década.


Referências


ALVES, JED. Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS): boa intenção, grande ilusão, Ecodebate, 11/03/2015. Disponível aqui.

ALVES, JED. Os 70 anos da ONU e a agenda global para o segundo quindênio (2015-2030) do século XXI. Rev. bras. estud. popul. 32 (3), 2015. Disponível aqui.

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