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Às vésperas da eleição, Exército simula guerra cibernética contra grupo de "ideal proletário"

Comando que questionou urnas eletrônicas em comissão do TSE reuniu órgãos do governo e empresas em exercício militar


Por Paulo Motoryn
Do Brasil de Fato | Brasília (DF) | 22 de Agosto de 2022 às 14:38


Exercício propõe combate a uma organização política chamada "Ideal Proletário Pantaneiro", identificada pela sigla IPP - Reprodução

O exercício militar Guardião Cibernético 4.0, organizado pelo Comando de Defesa Cibernética do Exército na semana passada - que marcou o início da campanha para as eleições de outubro -, contou com um cenário de guerra fictícia em que os participantes combateram uma organização política chamada "Ideal Proletário Pantaneiro", identificada pela sigla IPP.

No contexto geopolítico imaginário do Exército Brasileiro, o suposto regime com ideais “proletários” demanda de seus oponentes a “demarcação de reservas” que pertenceriam a seu território originalmente. De acordo com a narrativa, “o não-reconhecimento desse alegado direito histórico” fez com que o IPP ocupasse militarmente a região disputada.

A investida militar dos "proletários", segundo o exercício, “levou o Conselho de Segurança da ONU a encerar as negociações diplomáticas e a aprovar uma resolução que prevê uma intervenção militar”, comandada por uma "força militar multinacional com o intuito de derrotar o grupo paramilitar IPP". Clique aqui para ler a íntegra do documento que baseia o cenário geopolítico.



Abertura de documento que explica cenário geopolítico fictício concebido pelos militares brasileiros / Reprodução


:: General que questiona eleições contratou empresa israelense de ex-chefe de TI de Bolsonaro ::

O cenário imaginário criado pelos militares brasileiros faz parte da quarta edição do Guardião Cibernético, realizado anualmente pelo Exército para criar e apresentar um "ambiente realista" no qual as "infraestruturas críticas participantes precisam proteger dos ataques cibernéticos os seus sistemas de TI e de operação". O evento, que reúne órgãos do governo e empresas como Cisco, Claro e Kryptus, ocorreu de 16 a 19 de agosto.

O ambiente simulado de guerra com referências a ideias de esquerda como "inimigas" foi concebido pelo Ministério da Defesa para outro exercício, a Operação Meridiano, uma simulação conjunta do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, que ocorreu no Pará, em outubro de 2021.

Uma outra simulação das Forças Armadas, realizada em 2020 e revelada pelo site The Intercept Brasil no final de 2021, teve objetivo combater uma “organização armada clandestina” que teria surgido “de uma dissidência do Partido dos Operários”, o “PO”, que “recruta e treina militantes do MLT”, o “Movimento de Luta pela Terra”.

À época, em resposta via Lei de Acesso à Informação, o Exército disse que o exercício que pintou alvos em organizações legítimas e militantes de esquerda não teve “nenhuma conotação político-ideológica nem de nacionalidade”.

Outro lado

O Brasil de Fato procurou o Exército para verificar se a denominação das organizações fictícias fazem referência a organizações de esquerda. Até o momento, não houve resposta. O espaço segue aberto para manifestações.

Questionamentos às urnas

Responsável pelo exercício, o Comando de Defesa Cibernética do Exército esteve, nos últimos meses, no centro dos holofotes da arena política brasileira. A área esteve representada pelo general Héber Portella em uma comissão criada pelo TSE para fiscalizar o processo eleitoral. No posto, seus representantes insistiram em apontar supostos riscos do sistema de votação brasileiro.

Neste ano, o Brasil de Fato revelou que o Comando de Defesa Cibernética foi responsável pela assinatura de um acordo de cooperação com a empresa de cybersegurança israelense CySource, questionado pelo Ministério Público Federal como "potencialmente lesivo" às eleições.

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