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A China aposta com força no hidrogênio verde: a maior usina do mundo está chegando em 2023. Será como 900 campos de futebol

Do IHU, 18 Agosto 2022
Por Gianluca Modolo, publicada por Repubblica. A tradução é de Luisa Rabolini, 17-08-2022.

A China aposta com força no hidrogênio verde: a maior usina do mundo está chegando em 2023. Será como 900 campos de futebol

Pequim começou a construir essa usina em Xinjiang, no extremo oeste do país. Segundo a TV estatal, permitirá economizar 500.000 toneladas de emissões de dióxido de carbono por ano. Custará três bilhões de yuans.

A corrida ao ouro verde continua em ritmo acelerado. "Com esta central vamos poupar 500 mil toneladas de emissões de dióxido de carbono por ano", anuncia a televisão estatal CCTV que nos últimos dias dedicou uma longa reportagem àquela que, no verão de 2023, se tornará a maior usina de hidrogénio "verde" do mundo. Alimentada inteiramente por energia solar e eólica. E tão grande quanto o equivalente a 900 campos de futebol. "O hidrogênio será depois transportado por gasodutos, ajudando a resolver a escassez de energia nas áreas mais populosas do país". A China começou a construí-la em Xinjiang, em Kuqa, no seu extremo oeste, como o Repubblica já havia divulgado em dezembro passado com uma matéria sobre Negócios e Finanças: uma obra gigantesca que a partir de junho próximo começará a produzir 20 mil toneladas por ano. Três bilhões de yuans (416 milhões de euros) é o custo que está arcando a Sinopec, gigante estatal do petróleo, para empurrar o Dragão para a meta de neutralidade de carbono: a ser alcançada, como prometido pelo presidente Xi Jinping, até 2060.

Será construída uma usina de energia solar com capacidade de 300 megawatts, uma planta de produção de hidrogênio por eletrólise da água, tanques de armazenamento e uma rede de oleodutos capaz de suportar a passagem de 28 mil metros cúbicos de hidrogênio por hora. “No futuro, a produção de hidrogênio a partir da eletrólise da água representará mais de 20% do consumo total de eletricidade”, explicam especialistas à TV chinesa. “Toda a indústria petrolífera criará um mercado de mais de 100 bilhões de yuans (14,8 bilhões de dólares) substituindo o hidrogênio cinza pelo hidrogênio verde”, explica um dos gestores da gigante estatal.

Usado há muito tempo como combustível de foguetes, o hidrogênio hoje é usado principalmente no refino de petróleo e na produção de amônia para fertilizantes: extraídos principalmente do gás natural ou do carvão. O verdadeiro desafio é justamente extrair hidrogênio da água usando a eletrólise alimentada por energia renovável - hidrogênio "verde" - e torná-lo competitivo com carvão, petróleo e gás. Pequim já pode ostentar há anos o título de maior produtor de hidrogênio do mundo (22 milhões de toneladas por ano), mas atualmente apenas 4% vem de energias renováveis ​​(hidrogênio verde, justamente), enquanto o restante ainda de combustíveis fósseis - e, portanto, muito poluente: o chamado hidrogênio cinza. Claro, o custo do hidrogênio "limpo" ainda é muito maior do que o seu equivalente "sujo": de três a oito dólares por quilo para o primeiro contra 0,5-1,7 dólares para o segundo. Mas a diferença está diminuindo à medida que os preços dos combustíveis fósseis aumentam e os custos das energias renováveis ​​diminuem.

Além daquela de Xinjiang, a Sinopec tem outros três projetos em andamento: dois na Mongólia Interior e um no Fujian, no Sul. A corrida pelo hidrogênio “verde”, por outro lado, não é um negócio recente e muito menos isolado para a China. Nos últimos dois anos, já colocou em construção mais de 30 projetos. Já mais de vinte províncias e municípios emitiram planos e diretrizes para desenvolver o uso do hidrogênio em setores-chave, como a produção de aço, produtos químicos, construção, transporte. A meta é chegar a 20% da energia produzida dessa forma em 2060 (hoje no mix energético do país o hidrogênio responde por apenas 3%). E a importância do hidrogênio para cumprir os compromissos assumidos sobre o clima também fica evidente pelo fato de ocupar um lugar muito importante no último plano quinquenal do país (2021-2025).

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