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Covid bate recorde na China, que anuncia nova subvariante da ômicron

Recorde chinês ainda está abaixo da atual média móvel brasileira



Por Tiago Pereira 
Da Rede Brasil Atual, 05 de Abril de 2022


Xangai responde por cerca 65,5% dos novos diagnósticos de covid registrados no país nas últimas 24 horas - AFP

A variante ômicron continua a desafiar a estratégia de “covid zero” da China. No último domingo (3), o país registrou 13.146 novos de covid-19 em um período de 24 horas, de acordo com a Comissão Nacional da Saúde (CNS) daquele país. É o maior índice de infecção entre os chineses desde o início da pandemia por lá, no final de 2019. Como consequência do aumento da transmissão, as autoridades sanitárias locais anunciaram também a descoberta de uma possível nova subvariante da ômicron na área de Xangai.

De acordo com o jornal chinês Global Times, a nova versão do vírus foi detectada em um paciente com quadro leve de covid-19, na cidade de Suzhou, a oeste de Xangai. O sequenciamento genético apontou que a nova cepa evolui do subtipo BA.1.1 da ômicron.

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Sobre o recorde de casos, o CNS informou que “são 1.455 pacientes com sintomas, 11.691 casos assintomáticos e nenhuma morte relatada”. Ainda assim, para conter o surto da doença, o governo chinês decidiu estender o lockdown, que seria suspenso nesta terça-feira (5). As autoridades não deram um novo prazo para o fim do confinamento, o maior implementado pela China em mais de dois anos.

Xangai responde por cerca 65,5% dos novos diagnósticos de covid registrados no país nas últimas 24 horas. Nesse sentido, as autoridades municipais ordenaram que todos os 26 milhões de habitantes da cidade farão autotestes contra a covid-19 durante o lockdown. Os resultados positivos devem ser imediatamente informados.

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“A principal tarefa é remover completamente os pontos de risco e cortar a cadeia de transmissão para que possamos parar a propagação da epidemia o mais rápido possível”, disse Wu Qianyu, da Comissão Municipal de Saúde de Xangai. Os transportes públicos continuam paralisados e as empresas só podem funcionar em “circuito fechado”, o que obrigou milhares de trabalhadores a dormirem nos locais de trabalho.

Nova variante: cautela

A neurocientista e coordenadora da Rede Análise Covid-19 Mellanie Fontes-Dutra destacou que o anúncio da nova variante exige “cautela”. “Não precisamos nos alarmar imediatamente. Precisamos estudá-la, entendê-la e monitorá-la. Agora, isso significa também que temos um alerta importante sobre a transmissão”, afirmou pelas redes sociais.

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Dessa maneira, ela ressaltou que apenas a presença de mutações não confere, automaticamente, vantagens ao vírus. Ao mesmo tempo em que pediu cautela em relação ao anúncio de novas variantes, disse também que não é prudente descartar a preocupação. “Com o vírus se espalhando mais, ele tem mais oportunidades para fazer cópias de si, em diferentes hospedeiros, e daqui a pouco a chance de ele adquirir mutações que possam conferir alguma vantagem pode ser maior”, completou.

Balanço da covid no Brasil

O alerta de Mellanie sobre o risco do surgimento de novas variantes vale especialmente para o Brasil. Isso porque, apesar da queda significativa nas últimas semanas, a média de novos casos diários de covid ainda está acima de 20 mil. Bastante superior ao recorde chinês, portanto. Se observada as diferenças demográficas entre os dois países, a diferença é ainda maior, já que a população chinesa é cerca de seis vezes e meia superior à brasileira.

Nesta segunda-feira (4), o Brasil registrou 165 mortes e 13.361 casos de covid-19, de acordo com o Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass). Contudo, os estados da Bahia, Piauí e Roraima não haviam divulgado seus dados até o fechamento dessa matéria. Por sua vez, a média diária de mortes calculada em sete dias está em 194, pelo segundo dia abaixo marca de 200 óbitos diários. Já a média de novos casos caiu para 22.922.

Tradicionalmente, aos finais de semana e às segundas, os dados da pandemia são defasados em razão de limitações nos estados e municípios para a apuração dessas informações. Desde o início da pandemia, em março de 2020, o país soma 660.312 mortes pela covid-19 oficialmente registradas, além de pouco mais de 30 milhões de casos.

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