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PÍLULAS | A iniciativa global contra os arbovírus

• Faltam imunizantes da gripe em clínicas privadas • Vacina contra colo de útero • Mais doações à África • Farmacêuticas não boicotam a Rússia • Em defesa da vida, da democracia e do SUS •



De OUTRASAÚDE, 31 de Março 2022


Particularmente aqueles transmitidos por mosquitos Aedes, são eles os vírus da dengue, febre amarela, chikungunya e zika. São ameaças anuais à saúde pública e que incidem em áreas tropicais – onde vivem, aproximadamente, 3,9 bilhões de pessoas. Hoje, dia 31/3, ganham atenção especial em uma iniciativa mundial promovida pela OMS. A frequência e a magnitude dos surtos dessas arboviroses estão aumentando globalmente, impulsionadas pela convergência de fatores ecológicos, econômicos e sociais, segundo a organização. A iniciativa é um esforço colaborativo entre o Programa Mundial de Emergências em Saúde, o Departamento de Controle de Doenças Tropicais Negligenciadas e o Departamento de Imunização, Vacinas e Biológicos, e construirá uma coalizão de parceiros-chave fortalecer a coordenação, comunicação, capacitação, pesquisa, preparação e resposta necessárias para mitigar o risco crescente de epidemias devido a essas doenças.

Pode faltar vacina para gripe, anunciam as empresas

Segunda, dia 4, começa a campanha de vacinação contra a influenza, e alguns estados e prefeituras inclusive se adiantaram, como é o caso de São Paulo. As clínicas privadas, no entanto, estão atrasadas, afirma o presidente da Associação Brasileira das Clínicas de Vacina, Geraldo Barbosa. “As vacinas estão chegando de forma muito atípica. Algumas clínicas já receberam, outras não. O volume ainda é muito pequeno”, disse ele à revista Exame. Em 2021 as clínicas privadas aplicaram 8,5 milhões de doses, e o número este ano deve ficar em 8 milhões. A produção não vai crescer. “Esperamos que não falte vacina, mas o que temos da indústria é que não vai ter dose adicional” disse Geraldo. “Se tivermos uma demanda grande, teremos o teto e iremos parar nele.”

Ciência brasileira: a esperança em uma vacina contra colo de útero

Um tratamento pioneiro para combater o câncer de colo de útero está em desenvolvimento no Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP – e já traz bons resultados. Trata-se de uma vacina terapêutica que é capaz de induzir uma resposta “altamente específica” sem afetar as células saudáveis do organismo, como fazem a radioterapia e a quimioterapia. Isso porque a aplicação do imunizante é feita de forma indireta: primeiro retira-se uma amostra de sangue da paciente, então se ativa as células dendríticas in vitro, com o imunizante. Em seguida, as células retornam ao corpo em forma de injeção. A vacina induziu resposta antitumoral em todos os camundongos testados, e não causou danos a eles. A próxima etapa é testar em uma pequena quantidade de humanas – a publicação desses resultados deverá ser feita em meados de 2023. Pode ser uma esperança para o câncer que mata 35,7 mil mulheres na América Latina e Caribe por ano.

Mais doações para campanhas de vacinação chegam à África

Uma contribuição de 16 milhões de euros da Direção-Geral da Proteção Civil Europeia e Operações de Ajuda Humanitária (ECHO) da Comissão Europeia ajudará a OMS a impulsionar as campanhas de vacinação contra a covid e aumentar a cobertura em 15 países africanos, onde apenas 15% da população está vacinada. O financiamento faz parte da iniciativa humanitária da União Europeia (UE) para a vacinação contra covid-19 na África, que visa garantir maior acesso para os mais vulneráveis ​​e aqueles que vivem em áreas de difícil acesso, remotas e afetadas por conflitos.

Sem sanções: farmacêuticas não cortaram vendas na Rússia

Estima-se que 400 grandes empresas – como a Apple, Shell, Starbucks ou McDonald’s – suspenderam ou mesmo encerraram suas operações na Rússia. Mas as farmacêuticas estão em um dilema moral, reportou a revista Wired, devido à sua obrigação de garantir medicamentos e vacinas para os pacientes que não podem prescindir de tratamento. As sanções miraram bancos e bens de luxo, em geral, lembra Wired. Deixaram de fora bens essenciais, como alimentos e remédios – ainda bem. As farmacêuticas, portanto, não estão furando o bloqueio geopolítico.

Para esquentar os debates da Conferência Livre, Democrática e Popular de Saúde

No Dia Mundial da Saúde, 7 de abril, acontecerá o lançamento da Conferência Livre, Democrática e Popular de Saúde, organizada por entidades do movimento sanitarista e outras, que formam a Frente Pela Vida. Para ampliar o debate e convidar a população a construir a Conferência, foi divulgado ontem o documento que justifica os eixos temáticos da Conferência, Em defesa da vida, da democracia e do SUS. O texto aponta que é urgente “recolocar a centralidade do direito à saúde, à vida e a um ambiente saudável e equilibrado no debate nacional e internacional”, e que é necessário explicitar que grande parte dos problemas da saúde são fruto da “imposição de uma economia excludente e agressiva em relação às pessoas, ao meio ambiente, à cooperação internacional e às instituições da democracia”.

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