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Personalidades lamentam morte do físico e professor Luiz Pinguelli Rosa, ex-presidente da Eletrobras

O professor emérito da UFRJ morreu nesta quinta, no Rio, aos 80 anos, deixando um legado de prêmios e conhecimentos. “Ele foi um nacionalista que colocou o Brasil e os interesses do povo no centro de seu trabalho”, afirmou Dilma


Da Redação RBA, 2 de Março 2022



Fabio Rodrigues Pozzebom/EBC

Professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e físico Luiz Pinguelli Rosa estava internado no Rio, onde veio a falecer nesta quinta (3)

São Paulo – Morreu nesta quinta-feira (3) no Rio de Janeiro, aos 80 anos, o professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e físico Luiz Pinguelli Rosa. Ele estava internado no Hospital São Lucas, em Copacabana, na zona sul. A causa da morte não foi divulgada. O óbito também foi confirmado pelo irmão do docente, Sérgio Rosa, em sua conta no Twitter.

“Com muita tristeza participo a partida do meu querido irmão, um homem de bem. Pai dos meus sobrinhos Nando, Duardo e Leozinho – estamos todos muito tristes. A despedida cala fundo. No silêncio me despeço”, escreveu em pesar.

Graduado em Física pela UFRJ em 1967, Pinguelli era mestre em Engenharia Nuclear pelo Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia (Coppe/UFRJ), entidade que dirigiu por quatro mandatos. Como pesquisador, ele se dedicou à engenharia nuclear, física de reatores, física teórica e física de partículas. Além de também ter atuado em planejamento energético, mudanças climáticas, epistemologia e história da ciência. Sua bagagem científica lhe rendeu diversos prêmios, entre eles, o de personalidade do ano de 2014, da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Trajetória dedicada à ciência

Anos antes, entre 2003 e 2004, Pinguelli também se tornou presidente da Eletrobras, no primeiro governo Lula. E, mais tarde, foi secretário-executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, onde contribuiu para o estudo do problema do aquecimento global e auxiliou na criação e promoção de políticas de enfrentamento. Em 2016, o docente se desligou do fórum por discordar do impeachment da então presidenta Dilma Rousseff (PT).

Fora do Brasil, Pinguelli também colecionou passagens acadêmicas por universidades nos Estados Unidos, França, Polônia, Itália e Argentina. O físico também foi membro do Conselho de Pugwash, entidade fundada por Albert Einstein e Bertrand Russel, e participava do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC).
Personalidades lamentam perda

Em nota de pesar, a reitoria da UFRJ declarou luto oficial de três dias pela morte de Pinguelli, a quem definiu como um “defensor nato da universidade brasileira e da difusão da ciência e da tecnologia”. “Seu compromisso com uma universidade de qualidade que transpira pesquisa deixará uma lacuna entre nós e um aprendizado permanente. Transmitimos força aos familiares, aos amigos e à comunidade acadêmica neste momento de consternação”, destacou a universidade.

A ex-presidenta Dilma também lamentou a perda. “Foi um homem à frente do seu tempo, um visionário defensor da ciência e do país. Ele foi um nacionalista que colocou o Brasil e os interesses do povo no centro de todo o seu trabalho intelectual e científico”, enfatizou. A vida do professor emérito também foi saudada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) por meio de seu coordenador nacional João Pedro Stédile. “O povo brasileiro perde um dos seus mais sábios filhos, grande cientista da área de energia, que sempre colocou seus conhecimentos a serviço do povo. Nos deixará saudades.”

Em nota, a presidenta nacional do PT, Gleisi Hoffmann, e o secretário-geral do partido, Paulo Teixeira, afirmaram que “a trajetória do professor Luiz Pinguelli Rosa foi um exemplo de militância pela justiça social, pela Ciência e pelo desenvolvimento do Brasil com autonomia e plena democracia. Em todas as suas atividades, na Universidade, na Política, na presidência da Eletrobras ou nos fóruns ambientais, o professor Pinguelli deixou a marca da coragem e da independência de pensamento. É com imenso pesar que o Partido dos Trabalhadores recebe a notícia se seu falecimento, na data de hoje”.

Em suas redes, a Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) também lamentou a morte de Pinguelli como uma “perda irreparável para a ciência nacional”.

TAGS:ciência e tecnologia, eletrobras, governo lula, luiz pinguelli rosa, mudanças climáticas

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