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PÍLULAS | Relatório da Anvisa recomenda proibir um perigoso agrotóxico

• Anvisa repudia agrotóxico • Vacinas evitaram 43 mil mortes no Rio • Vacina francesa • Remédio contra covid • Sabedoria ancestral contra incêndios • O cérebro antes de morrer •



De OUTRASAÚDE, 25 de Fevereiro 2022

O carbendazin, que está entre os 20 venenos agrícolas mais vendidos do país, entrou junto a mais 7 ingredientes ativos de agrotóxicos que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária pretende submeter a reavaliação toxicológica. Ele é um dos fungicidas mais usados no combate de fungos que atacam plantações de arroz, feijão, soja entre outros importantes produtos agrícolas. Segundo o relatório, que técnicos da própria agência produziram, o carbendazin “possui aspectos toxicológicos proibitivos de registro, não sendo possível estabelecer um limiar de dose segura para a exposição humana”, com potencial de provocar câncer, prejudicar a fertilidade e afetar o desenvolvimento saudável de fetos. Um pedido de vista interrompeu, ontem (24), a votação pela diretoria-colegiada que iria definir a nova avaliação. O processo ainda não resultaria na proibição do pesticida; a próxima etapa seria a realização de uma audiência pública para discutir com os setores interessados os impactos de uma eventual proibição.

Vacinação amenizou a tragédia pandêmica no Rio de Janeiro

Analisando um conjunto de cenários alternativos para a evolução da pandemia, pesquisadores da Fiocruz concluíram que podem ter sido evitadas mais de 380 mil hospitalizações e 66 mil óbitos na cidade do Rio de Janeiro até junho de 2021. A vacinação teve efeito forte na redução dos casos graves, diz o coordenador do estudo, Daniel Villela. “O que aconteceu já foi uma tragédia, mas teríamos tido um número de casos e hospitalizações ainda maior, se não fossem as medidas adotadas”. Os cientistas examinaram cenários “contrafactuais”: que não ocorreram, mas poderiam ter ocorrido, simulando situações com e sem medidas como isolamento e vacinação. Por meio de modelos matemáticos que desenvolveram, estudaram a dinâmica da pandemia. A vacinação, nessa dinâmica, evitou mais de 230 mil hospitalizações e mais de 43 mil mortes. E o uso de máscaras e isolamento, 150 mil hospitalizações e 23 mil óbitos.

Uma nova vacina francesa

A vacina da gigante farmacêutica Sanofi deverá proteger contra 100% dos casos graves e internações de covid, dizem seus representantes após estudos de fase 3 – a que envolve a aplicação do imunizante em milhares de pessoas. Desenvolvida em parceria com o laboratório britânico GSK, deverá entregar os documentos para aprovação pelas agências regulatórias da União Europeia e Estados Unidos em breve. A Sanofi diz ter capacidade de entregar 175 milhões de doses aos países com quem já tem contrato. O Norte global já possui mais do que o suficiente para imunizar toda a sua população, enquanto a África ainda sofre com falta de infraestrutura e recursos para vacinar seus cidadãos.

Agência aprova o 1º medicamento preventivo anticovid

O Evusheld é um coquetel que combina anticorpos monoclonais cilgavimabe e tixagevimabe. É administrado por meio de duas injeções e o estudo divulgado pela farmacêutica mostra proteção de 83% contra a doença. O tratamento só deve ser administrado em pessoas imunossuprimidas ou com contraindicação às vacinas contra a covid. Ele funciona basicamente como profilaxia à exposição ao vírus. A decisão foi tomada de forma unânime pela diretoria da agência nesta quinta-feira (24). Este é o 7º medicamento anticovid autorizado pela Anvisa.

Sabedoria nativa contra os incêndios extremos

A Austrália concentra muitos dos grandes incêndios, cada vez mais frequentes no planeta. Esse fato talvez tenha ensinado seus povos originais a controlar o fogo melhor do que as técnicas atuais. A ideia básica é simples: queimar antecipadamente, e sob controle, tudo que pode alimentar um futuro incêndio. A técnica tem seus críticos, mas bateu um desespero, disse um líder nativo à revista Economist. O país, de fato, foi duramente castigado por conflagrações imensas em centenas de pontos em todo seu território no verão de 2019-2020, de secura recorde. Morreram 34 pessoas e 1 bilhão de animais, escreve a Economist. Mais de 3.000 casas foram destruídas. Mais de 42 milhões de acres – área maior que a da Inglaterra – foram carbonizados. Nesse período, também a Califórnia sofreu com o fogo, assim como a Grécia e mesmo a Sibéria. O líder Victor Steffensen há quinze anos vem divulgando os benefícios do manejo indígena do fogo, e acredita que suas técnicas podem ajudar a evitar tais desastres. Talvez a ponto de restaurar a filosofia de todas as tribos do país, na qual o fogo não era uma ameaça, mas uma força vivificante.

O cérebro, segundos antes da morte

“Então nesse instante sim / Sofrerei quem sabe um choque / Um piripaque, ou um baque / Um calafrio ou um toque” canta Gilberto Gil em sua música Não tenho medo da morte. Teria ele, em versos, revelado o que se passa nos momentos finais da vida? Cientistas estudavam o cérebro de um senhor de 87 anos com epilepsia quando ele sofreu um ataque cardíaco e faleceu. O infortúnio, não esperado, acabou iluminando um caminho pouco conhecido aos pesquisadores: como nossa cabeça se comporta na hora da morte. Foram obtidos dados inéditos de ondas rítmicas cerebrais neste momento derradeiro. E o que se constatou foi uma atividade semelhante à de quando sonhamos, meditamos ou recuperamos memórias. Ou seja: pode ser mesmo possível que, na hora da morte, momentos especiais ou importantes da vida sejam revividos mentalmente. Como foi um experimento único, em situações específicas, fica difícil dar interpretações conclusivas. Mas talvez tenhamos chegado um pouquinho mais perto de entender um dos maiores mistérios da vida: como ela acaba.

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