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Indígenas denunciam nove gigantes da mineração por quererem operar em terras protegidas

Do IHU, 24 Fevereiro 2022
Por La Nación, 22-02-2022. A tradução é do Cepa


A apresentação foi feita pela Articulação dos Povos Indígenas e pela ONG Amazon Watch, ao divulgar o relatório anual sobre o avanço das empresas em terras indígenas do Brasil, país que possui 60% da floresta amazônica.

Nove gigantes mundiais da mineração, financiados por fundos de investimento e bancos internacionais e brasileiros, foram denunciados nesta terça-feira por tentarem se expandir para as terras indígenas em apoio à política ambiental do presidente Jair Bolsonaro, que pretende aprovar uma lei para legalizar a exploração em todas as escalas em áreas protegidas em regiões da floresta amazônica.

A denúncia foi realizada pela Articulação dos Povos Indígenas (APIB) e pela organização Amazon Watch, para divulgar o relatório anual sobre o progresso da mineração em terras indígenas do Brasil, país que possui 60% da floresta amazônica.

De acordo com o trabalho, as mineradoras que fizeram pedidos de expansão ao órgão regulador do setor são: Vale, Anglo American, Belo Sun, Potássio do Brasil, Mineração Taboca e Mamoré Mineração e Metalurgia (ambas do Grupo Minsur), Glencore, AngloGold Ashanti e Rio Tinto.

“Isso está no centro da intensa agenda do governo Bolsonaro para desmantelar a legislação ambiental e apoiar o setor da mineração, a abertura dos territórios indígenas para a mineração industrial e de pequeno porte ou artesanal (os chamados garimpos)”, diz o comunicado enviado a Télam.

A aprovação do Projeto de Lei 191/2020 do governo Bolsonaro “pode causar a perda de 160 mil km2 de floresta amazônica”, diz o relatório.

Acrescenta que em 2021, o desmatamento ligado à mineração aumentou 62% em relação a 2018, ano em que Bolsonaro chegou ao poder com um discurso para incorporar atividades econômicas em reservas indígenas e anular o sistema de multas ambientais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama).

O relatório também aponta que as mineradoras são incentivadas com concessões de crédito de fundos de investimento dos Estados Unidos e de outros países, incluindo o Brasil.

A APIB é a principal organização política indígena brasileira, cujos integrantes acamparam no ano passado em frente à Esplanada dos Ministérios, em Brasília, contra a aprovação das leis que retiram a proteção ambiental.

O relatório aponta que esses nove gigantes da mineração que fizeram pedidos formais à Agência Nacional de Mineração para a exploração em terras indígenas, algo ainda ilegal, são financiados por entidades que desembolsaram 54,1 bilhões de dólares em créditos.

O trabalho aponta os fundos americanos Capital Group, BlackRock e Vanguard como os principais financiadores das “empresas citadas por seus interesses em terras indígenas e por seu histórico de violação de direitos”.

Além disso, faz recomendações às empresas para que retirem o apoio ao projeto de lei de exploração de minerais em terras indígenas demarcadas e retirem todas as solicitações feitas à Agência Nacional de Mineração para entrar na floresta amazônica protegida.

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