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‘Ocupação vitoriosa’: ato relembra 10 anos do despejo de Pinheirinho, em São José dos Campos

HISTÓRIA MANCHADA


Evento teve participação do vereador Eduardo Suplicy (PT), que atuou na época contra a expulsão das 1.843 famílias


Do Brasil de Fato, 22 de Janeiro 2022


Foto: Comunicação MTST

Valdir Martins, mais conhecido como Marrom, integrante do Movimento Urbano Sem Teto (MUST) faz discurso em cima do caminhão de som para os manifestantes

Brasil de Fato – Neste sábado (22), um ato marcou os 10 anos do despejo da comunidade Pinheirinho, em São José dos Campos (SP), quando 1.843 famílias foram expulsas pela Polícia Militar (PM) do estado em uma ação marcada por violência. À época, a ocupação era considerada a maior da América Latina.

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A ação aconteceu em frente ao terreno onde viviam as família. Segundo os organizadores do evento, compareceram 500 pessoas, entre ex-ocupantes, manifestantes, lideranças partidárias e políticos, como o vereador Eduardo Suplicy (PT).

O petista, que na época era senador, foi um dos primeiros a discursar em cima do caminhão de som. “Esta ocupação é inesquecível para a história do Brasil. Os movimentos por moradia vem acontecendo cada vez mais e isso é fundamental para construirmos no Brasil todos aqueles instrumentos de política social para garantir condições mínimas de vida para toda população.”

O terreno onde existia a ocupação é da massa falida Selecta S.A, que tem como proprietário o investidor do mercado financeiro Naji Nahas, conhecido por seu envolvimento em escândalos de corrupção no Brasil. Em 2004, chegou a ser preso na Operação Satiagraha.



Uma das ações do ato deste sábado (22) foi a exposição de fotos tiradas durante o despejo em 2012 / Foto: Everton Rodrigues

O vereador Suplicy relatou ao Brasil de Fato que à época ele, junto com outros parlamentares da região, realizaram uma reunião com o presidente do Tribunal de Justiça (TJ-SP), Ivan Sartori, para adiar a decisão de despejo por pelo menos 15 dias, e, assim, encontrar uma solução ao impasse. “Mas no domingo, dia 22, fui surpreendido por uma ligação diretamente da ocupação relatando que a polícia estava no local, com cavalos, cachorros, tratores e completamente armados”.

“Ocupação vitoriosa”

O primeiro a discursar no evento deste sábado foi Valdir Martins, mais conhecido como Marrom, integrante do Movimento Urbano Sem Teto (MUST). A liderança enfatizou como todo o movimento Pinheirinho foi vitorioso.

“Foi a primeira ocupação que bateu quatro anos fazendo assembleia sem desistir. E foi isso garantiu que o Minha Casa Minha Vida viesse para cá. É um movimento vitorioso. O MUST vive. Quando a gente luta, quando a gente resiste, a gente sempre tem grandes vitória” afirmou a liderança

Das 1.843 famílias despejadas do Pinheirinho, 1.461 vivem hoje no Residencial Pinheirinho dos Palmares, no bairro Emha 2, na zona sul de São José dos Campos. Outras 167 foram alocadas em apartamentos.

O ato de 10 anos de Pinheirinho foi organizado pelo PSTU, Síndicato dos Metalúrgicos, Conlutas, PSOL, PCB, Revolução Solidária e Movimentos de Moradia da Cidade de São José dos Campos, MUST – Movimento Unificado dos Sem Teto

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Lançamento de livro e documentário

Para marcar os 10 anos do despejo, o vereador Suplicy lança neste sábado às 17 horas o livro “Um Jeito de fazer Política”. O evento acontece no atual bairro Pinheirinho dos Palmares

Mais tarde, às 19h, é a vez do documentário “Pinheirinho dos Palmares: A Luta Contra Injustiças”, realizado por Everton Rodrigues.

Um dos objetivos do documentário é questionar por que o conjunto residencial destinado às famílias da ocupação não se instalou no mesmo local, na área original, que segue abandonada? O bairro Pinheirinho dos Palmares foi instalado em um local distante do Centro, quase fora da cidade, e ainda tem muitas carências de serviços e equipamentos públicos.

Quem não puder comparecer ou estiver em outros locais poderão ver o documentário em 5 de fevereiro, também às 19h, pela internet com cobrança de ingresso de R$ 20, que ser para a compra de um computador e uma filmadora. “Para que as pessoas da comunidade possam produzir seus próprios conteúdos”, explicou Rodrigues em entrevista à RBA

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Segundo realizador do documentário, a ideia é promover um circuito de exibição do filme. Em periferias, associações, sindicatos. “Esse debate também está à margem do campo progressista”, avalia. “Onde existe o diálogo, o fascismo não se cria”.

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