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Na cúpula de chanceleres, Argentina quer conquistar presidência da CELAC

Da Carta Maior, 5 de Janeiro 2022
Por Rubén Armendáriz


Créditos da foto: (Reprodução)

Na sexta-feira, dia 7 de janeiro, será realizada em Buenos Aires a Cúpula de Chanceleres da CELAC (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos), em formato híbrido, com algumas participações presenciais e outras virtuais, devido às restrições impostas pela pandemia. Nesta ocasião, a Argentina pretende conquistar a presidência do organismo.

O Ministério de Relações Exteriores da Argentina quer (e precisa) conquistar sua primeira vitória diplomática de 2022, após a confirmação, semanas atrás, de que a Argentina presidirá o Conselho de Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas). Até o momento, o chanceler do México, Marcelo Ebrard, importante aliado da Argentina, não confirmou presença.

O próximo presidente pro tempore da CELAC deveria ter sido definido na cúpula realizada no México, em setembro do ano passado, mas as mudanças de gabinete na Argentina, após o fracasso das eleições legislativas, impediram essa resolução. Durante a viagem ao México, o então chanceler argentino Felipe Solá soube que Santiago Cafiero iria substituí-lo e decidiu não participar da reunião, razão pela qual o apoio à Argentina foi descartado.

Foi o presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, quem conseguiu adiar a votação, para dar mais tempo à Argentina para ordenar sua política interna e buscar o apoio necessário para presidir a CELAC.

A organização, criada em 2010 com o objetivo de ser um mecanismo de integração regional alternativo à OEA (Organização dos Estados Americanos) – que também é conformada pelos Estados Unidos e pelo Canadá – está integrada por 33 países. Anos depois, o Brasil abandonou a comunidade, em uma atitude coerente com a política exterior do seu presidente, Jair Bolsonaro, representante da extrema direita.

Até o momento, 31 países membros endossam a candidatura da Argentina para exercer a presidência pro tempore do órgão durante o ano de 2022. A Nicarágua também deve formalizar seu apoio: em um gesto diplomático, o mandatário nicaraguense Daniel Ortega anunciou que não bloqueará as pretensões geopolíticas do colega argentino Alberto Fernández, apesar de considerar que a política do seu governo “faz o jogo dos Estados Unidos”.

Meses atrás, o país caribenho São Vicente e Granadinas desistiu de sua candidatura. Também se considera o fato de que o mandato de López Obrador, que deveria durar somente o ano de 2020, terminou sendo estendido por mais um ano, como resultado da pandemia do coronavírus.

Cronograma

Para esta quinta-feira, dia 6 de janeiro, está agendado um jantar para os chanceleres que chegarem a Buenos Aires, a ser realizado no Centro Cultural Kirchner, onde os convidados serão recebidos pelo chanceler argentino, Santiago Cafiero. No dia seguinte, será realizada a XXII Cúpula de Chanceleres da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos, onde o tema central será o tratamento da candidatura da Argentina ao exercício da presidência pro tempore, com a quase certeza de que Alberto Fernández substituirá López Obrador na frente do organismo.

O plenário de chanceleres será realizado no Palácio San Martín, sede do Ministério de Relações Exteriores da Argentina. Conforme planejado, por volta do meio-dia, o chanceler mexicano Marcelo Ebrard deve entregar a presidência da CELAC. Em seguida, haverá um almoço aos chanceleres, e também está programado um espaço de diálogo político onde cada país se manifestará sobre a agenda da região para 2022.

Santiago Cafiero destacou a importância da CELAC para a Argentina como “mecanismo de integração e cooperação” latino-americana e caribenha na “busca do desenvolvimento econômico e social”, e também enalteceu o seu papel no “fortalecimento das democracias e liberdades” nos países que a integram e no tratamento de problemas causadores e ligados à imigração.

“Para nós, realizar esta cúpula aqui na Argentina já é uma conquista importante. E independentemente de se o projeto apresentado pela Argentina vai ser ou não o escolhido, o importante é continuar apoiando mecanismos de integração que não excluam ninguém, isso é o fundamental”, disse o ministro de Relações Exteriores da Argentina.

Rubén Armendáriz é jornalista e analista político associado ao Centro Latino-Americano de Análise Estratégica (CLAE)

*Publicado originalmente em estrategia.la | Tradução de Victor Farinelli

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