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Médicos de Minas fazem mutirão para reconstruir posto de saúde do MST

Acampamento em São Joaquim de Bicas foi alagado com água e lama tóxica, que invadiu casas, escola e posto de saúde


Por Rafaella Dotta
Do Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG) | 18 de Janeiro de 2022 



Enchente alagou diversas estruturas, entre elas o local onde funcionava o posto de saúde - Foto: Ana Júlia / Comunicação do MST


O acampamento Pátria Livre, organizado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), passou por vários dias de forte alagamento durante as primeiras semanas deste 2022. Localizado em São Joaquim de Bicas, Região Metropolitana de Belo Horizonte, o acampamento não foi só atingido pela água, mas também pela lama tóxica do Rio Paraopeba, decorrente do rompimento da barragem da Vale, em Brumadinho.

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A enchente tóxica atingiu as casas dos moradores, a Escola Elizabeth Teixeira, a biblioteca, a secretaria, o mercadinho local e o posto de saúde. Todas as estruturas foram recuperadas ou construídas pelos sem-terra após ocuparem a área, antes propriedade da MMX Mineração e Metálicos, empresa falida do empresário Eike Batista.


Acampamento é localizado em São Joaquim de Bicas, Região Metropolitana de Belo Horizonte / Foto: Ana Júlia / Comunicação do MST

Reconstruindo o posto

O mutirão de médicos e movimentos populares aconteceu no sábado (15), com ações e doações emergenciais. Foram doadas uma maca, medicamentos, balança, água e cestas básicas. As doações foram organizadas pela Associação Brasileira de Médicas e Médicos pela Democracia, pela Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares, em parceria com o MST e o Levante Popular da Juventude.

Os voluntários também realizaram consultas médicas aos acampados. “Primeiro, fomos lá fazer a ação emergencial para as pessoas que perderam receita, perderam remédio e estavam passando mal”, relata o médico Bruno Pedralva, que participou do mutirão.


Foram doadas uma maca, medicamentos, balança, água e cestas básicas / Foto: doação Arquivo Pessoal


Os voluntários também realizaram consultas médicas aos acampados / Foto: Ana Júlia / Comunicação do MST

“Segundo, estamos reivindicando que a prefeitura reconstrua o posto de saúde. É uma obrigação, pois o SUS tem que garantir o acesso à saúde, e garantir atendimentos médicos dentro do acampamento, que tem mais de 650 pessoas”, completa Bruno Pedralva, que também é secretário geral do Conselho Municipal de Saúde de Belo Horizonte.

Frutos da construção coletiva

A demanda é parte do que os moradores do acampamento Pátria Livre vêm reivindicando, segundo explica Josimar Aquino, da direção estadual do MST e liderança no acampamento. O acesso dos sem-terra ao atendimento no SUS, mesmo fora do acampamento, enfrenta obstáculos.

“Conseguimos acessar o CADúnico, mas tudo que precisa é com muita dificuldade”, diz Josimar. Ele ainda relata que o posto de saúde e todas as estruturas da ocupação, atingidas pela enchente, foram construídas pelo movimento.

“Tudo o que tinha feito aqui foi pela comunidade muito organizada, feito pelos trabalhadores. Isso aqui era tudo ruína deixado pela mineradora MMX, inclusive para ninguém ocupar”, diz.

Doações e mutirão continua

Além do Pátria Livre, o assentamento do MST em Betim, o 2 de Julho, também foi alagado e passa por situação grave. O movimento está recebendo doações de alimentos (água, leite, óleo, tempero, mantimentos, etc.), higiene (fralda, absorvente, papel higiênico, sabonete, etc.), limpeza (água sanitária, sabão em pó, etc.), vestuário (roupas, sapatos, capa de chuva, etc.), casa (colchões, roupa de cama, velas, etc.). E principalmente: galochas de chuva adulto ou infantil, fósforo, máscaras e álcool gel.

As doações podem ser entregues no Armazém do Campo de Belo Horizonte, endereço Avenida Augusto de Lima, 2.136.


Fonte: BdF Minas Gerais

Edição: Larissa Costa

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