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Explosão nos casos de chikungunya acende alerta no Brasil; Saúde aponta 14 mortes da doença

Casos saltaram 32% de 2020 para 2021, tendo aumentado mais de 60 vezes somente no estado de São Paulo


Do Brasil de Fato, 03 de Janeiro de 2022
Por Laís Modelli DW


Causada por um vírus, a chikungunya é transmitida pela picada de fêmeas dos mosquitos Aedes albopictus e Aedes aegypti - o mesmo transmissor da dengue - Ag. Pará

Uma doença já conhecida dos brasileiros, a chikungunya, tem disparado no país. Até a segunda semana de dezembro, foram detectados 95.059 casos prováveis, um aumento de 32,1% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados do Ministério da Saúde.

A região Nordeste tem a maior incidência da doença, com 114 casos a cada 100 mil habitantes, seguida das regiões Sudeste, com 29,2 casos a cada 100 mil habitantes, e Centro-Oeste, com 7,4 casos por 100 mil habitantes.

Apesar de ser menos letal que a dengue, a chikungunya também pode levar à morte. Até novembro de 2021, o país registrou 14 óbitos pela doença. Outros 26 estão sendo investigados, informou o Ministério da Saúde.

Seis dos óbitos, quase metade dos confirmados até o momento no país, ocorreram no estado de São Paulo, que vive um surto desde meados de abril de 2021.

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Além disso, de acordo com a Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, os casos de chikungunya no estado aumentaram mais de 60 vezes na comparação com o ano passado: enquanto em 2020 foram registrados 281 casos durante todo o ano, 2021 teve 18,378 mil casos confirmados até meados de dezembro.

Em números absolutos, os estados com o maior registro de casos de chikungunya em 2021 até 12 de dezembro são:

1 - Pernambuco: 31.632 casos
2 - São Paulo: 18.378
3 - Bahia: 13.899 casos
4 - Paraíba: 10.084 casos
5 - Minas Gerais: 5.642 casos

"Diante desse cenário, ressalta-se a necessidade de implementar ações para redução de casos e investigação detalhada dos óbitos, para subsidiar o monitoramento e assistência dos casos graves e evitar novos óbitos", informou em nota o Ministério da Saúde.

A pasta afirmou que o combate e monitoramento das arboviroses (doenças causadas por arbovírus, que incluem os vírus da chikungunya, dengue, zika e febre amarela) é de responsabilidade federal, estadual e municipal, e pediu que as cidades voltem a realizar as visitas domiciliares dos agentes de combate aos criadouros, suspensas por causa da pandemia de covid-19.

Além disso, com a chegada do verão e das chuvas típicas da estação, o Ministério da Saúde alerta que a situação poderá piorar caso a população não adote medidas individuais, como a eliminação de criadouros no quintal de casa (objetos com água parada) e o uso de repelentes.

A Fiocruz alertou em setembro que os casos de chikungunya podem estar subnotificados por causa da pandemia de covid-19, que mobilizou recursos e profissionais da saúde de todas as áreas para o combate o coronavírus.

Características da doença

Causada por um vírus, a chikungunya é transmitida pela picada de fêmeas dos mosquitos Aedes albopictus e Aedes aegypti - o mesmo transmissor da dengue - infectadas pelo vírus CHIKV.

Segundo o manual de manejo clínico da chikungunya do Ministério da Saúde, grávidas infectadas com o vírus CHIKV também podem transmiti-lo durante o parto, o que pode provocar infecção grave no recém-nascido.

Em swahili, uma das línguas oficiais da Tanzânia e falada também em Moçambique e outros países africanos, a palavra chikungunya significa "aqueles que se dobram", se referindo à principal característica da doença: dor muito intensa nas articulações.

Tanto a chikungunya como a dengue têm sintomas clinicamente parecidos: febre de início agudo, dores articulares e musculares, dor de cabeça, náusea, fadiga e manchas na pele.

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"A chikungunya afeta as articulações e a pele, causando dores muito intensas nos músculos e nas articulações e pequenas manchas vermelhas pelo corpo", descreve o infectologista Renato Grinbaum, da Sociedade Brasileira de Infectologia.

"Pessoas mais velhas e pessoas com predisposição a doenças genéticas articulares podem desenvolver doenças crônicas após a chikungunya", diz Grinbaum.

Entre as pessoas consideradas grupos de risco para a chikungunya, o Ministério da Saúde lista crianças pequenas, pessoas com mais de 65 anos, gestantes e pessoas com comorbidades, como diabetes.

Entre as doenças reumatológicas crônicas desencadeadas após a infecção por chikungunya, está a artrite reumatoide. Também já foi descrito o aparecimento de depressão, doença de Parkinson e síndrome de Guillain-Barré.

De acordo com o Ministério da Saúde, a doença pode se apresentar de três formas diferentes e com a seguinte duração:

Aguda: febre alta e persistente, com duração de 3 a 4 dias. Dores articulares, musculares e manchas vermelhas pelo corpo podem durar até 14 dias;

Subaguda: os sintomas duram até três meses e são acompanhados de outros, como vômitos, sangramento e úlceras orais;

Crônica: os sintomas persistem para além dos três meses.

O vírus causador da doença foi registrado pela primeira vez no Brasil em 2014, no Nordeste. Atualmente, o agente infeccioso e o seu vetor, a fêmea do mosquito Aedes, circula por todo o país.

"Todas as regiões estão suscetíveis a um surto de chikungunya, uma vez que o mosquito Aedes circula por todo o país", explica Grinbaum.

Como diferenciar dos sintomas da covid

Nos casos leves, o infectologista alerta que os sintomas da chikungunya podem ser parecidos com os de dengue, influenza e covid-19.

"Todas essas doenças são parecidas nos casos mais leves: o infectado terá febre, dor muscular, fadiga etc.", explica Grinbaum.

Já nos casos graves de influenza e covid-19, diferentemente da chikungunya e da dengue, o paciente tem o pulmão afetado.

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"Tanto a influenza como a covid são causadas por vírus que atacam o sistema respiratório e têm uma predileção pelos pulmões. Esses pacientes apresentam sintomas como tosse seca, falta de ar e saturação baixa", explica o infectologista.

Nos casos em que os sintomas são fortes, o profissional orienta que o paciente procure um hospital.

"Diferentemente da covid, dificilmente se tem uma lotação de UTI durante um surto de chikungunya, mas, caso as dores musculares e articulares persistam após a infecção, o paciente precisará de um acompanhamento com um infectologista e reumatologista", diz Grinbaum.

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