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Sabemos que metas anunciadas pelo Brasil na COP26 não serão cumpridas, diz Sebastião Salgado

Para fotógrafo, interesse pela Amazônia era zero, mas hoje existe um despertar amazônico


Da Folha de São Paulo 8.nov.2021 
Por Ana Carolina Amaral, GLASGOW (ESCÓCIA)



"O Brasil não perdeu sua credibilidade, quem perdeu foi o governo federal", afirmou o fotógrafo Sebastião Salgado nesta segunda-feira (8), em visita ao Brazil Climate Hub, estande organizado pelas ONGs brasileiras na COP26.

"As metas anunciadas aqui [pelo Brasil], nós aqui sabemos que não vão ser cumpridas", diz a um público de brasileiros que extrapola o espaço e se aglomera pelo corredor e estandes vizinhos da conferência, reunindo parlamentares, ex-ministros do Meio Ambiente, ambientalistas e ativistas.


Palestra de Sebastião Salgado reuniu parlamentares, ex-ministros do Meio Ambiente, ambientalistas e ativistas - Felipe Werneck/OC

"A Amazônia ainda existe de forma segura, com 82% do território conservado, 24% de parques nacionais e 23% de terras indígenas." Ao disparar os números, o fotógrafo faz um apelo para que o Judiciário ajude a garantir as terras protegidas. "Temos que nos aliar aos juízes."

"Vai levar três anos para recuperarmos o controle do desmatamento e das terras protegidas, que foram incentivadas a ser invadidas por esse governo", avalia.

No entanto, ele considera que houve uma reação positiva à destruição da Amazônia, com o aumento da organização dos indígenas e do engajamento dos brasileiros. "Trabalho há muitos anos com fotografia e com a Amazônia. E o interesse dos brasileiros pela Amazônia era praticamente zero. Hoje existe um despertar amazônico", diz.


Fotógrafo Sebastião Salgado fala durante evento da COP26 - Yves Herman - 8.nov.2021/Reuters

"Se fizermos as contas todinhas, nós vamos sair ganhando, no próximo governo brasileiro, porque tenho certeza absoluta que não vai ser esse que está aí, vamos ter uma capacidade incrível de recuperação e o nome da nação brasileira volta a ser o que era", afirma.

A condição para isso seria, segundo o fotógrafo, acabar com a exploração predatória do bioma. "Se acabarmos com a proposta econômica predatória, vamos conseguir fluxos financeiros internacionais para o Brasil como jamais conseguimos", avalia.

Questionado sobre a maquiagem verde usada em anúncios que proliferam na COP26, tanto por parte de governos quanto por empresas, ele destaca que os anúncios sobre restauração florestal feito por empresas exigem monitoramento sobre os resultados.

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"A muda de árvore é muito barata, mas precisa ser cuidada como um filho, senão morre; tem que monitorar. As empresas também deveriam comprar terra [para restaurar]".

O Brazil Climate Hub apresenta três fotografias cedidas por Salgado e que compõem a exibição Amazônia, reunindo sete anos de trabalho do fotógrafo. O trabalho está em exposição no Museu de Ciências em Londres e seguirá para o Sesc, em São Paulo, e o Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro.

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