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Anticapitalismo romântico e natureza

Do A Terra É Redonda, 29 de Outubro 2021
Por ROBERT SAYRE & MICHAEL LÖWY



Thomas Cole, As idades da vida - Juventude, 1842

Introdução ao livro recém-lançado, redigido a quatro mãos
Romantismo, capitalismo e ecologia

Não pretendemos neste livro propor um estudo histórico exaustivo do romantismo e da ecologia. Em vez disso, a fim de ilustrar a diversidade e a coerência de uma ampla constelação cultural, bem como sua continuidade muito além do chamado “período romântico”, escolhemos uma série de referências que não pertencem ao cânone literário usual dos estudos do romantismo. Os ensaios aqui contidos tratam de expressões da cultura romântica a partir de uma variedade ampla de diferentes áreas: literatura, escritos de viagem, pintura, visão utópica, estudos culturais, filosofia política e escritos sociopolíticos ativistas.

Discutimos um grupo altamente diverso de pessoas – William Bartram, Thomas Cole, William Morris, Walter Benjamin, Raymond Williams e Naomi Klein – do final do século XVIII ao início do século XXI. Individualmente, todos esses nomes têm suas raízes nas culturas inglesa, norte-americana e alemã, mas compartilham uma perspectiva comum e abrangente: o protesto romântico contra a civilização burguesa moderna e sua destruição do meio ambiente natural. O propósito do nosso estudo é dar visibilidade às profundas conexões intelectuais, culturais e emocionais entre a rebelião romântica contra a modernidade e a preocupação ecológica com as ameaças modernas à “Natureza”.[i] Além disso, nosso objetivo é mostrar que as ligações essenciais entre romantismo, anticapitalismo e ecologia podem se expressar em formas culturais e contextos históricos muito diferentes.

Max Weber (1921, p.371) disse uma vez que as culturas asiáticas, com suas crenças mágicas, vivem em um “jardim encantado” (Zaubergarten), e esse conceito também pode ser aplicado à visão romântica (principalmente ocidental) da Natureza. Existem estudos ricos e interessantes sobre o romantismo, a ecologia e a ecocrítica, mas a maioria deles, talvez a maioria, se não todos, trata somente da literatura e tão somente do chamado “período romântico”. Nosso trabalho é baseado em um conceito radicalmente diferente de romantismo.[ii] Longe de ser consensual, essa interpretação vai contra a corrente da maioria dos estudos sobre o romantismo, que se baseiam na suposição aparentemente óbvia de que estamos lidando com um movimento literário do final do século XVIII e início do século XIX.

A nosso ver, essa suposição está duplamente errada: o romantismo é uma cosmovisão – ou seja, é muito mais que um fenômeno literário, embora tenha um importante componente literário –, e não terminou em 1830 ou 1848. Para nós, o romantismo, como protesto cultural contra a civilização industrial e capitalista moderna, é uma das principais formas da cultura moderna que se estende desde Rousseau – uma figura fundadora particularmente importante – até o presente, ou seja, da segunda metade do século XVIII até o início do século XXI. Nossa tese se baseia em uma abordagem (heterodoxa) marxiana aos fenômenos culturais que tenta vincular arte, religião e ideias políticas a contextos sociais e históricos.


O romantismo como cosmovisão

O que entendemos por “cosmovisão”? Nossa inspiração vem das obras do sociólogo cultural francês Lucien Goldmann, que expandiu toda uma tradição do pensamento alemão, particularmente a de Wilhelm Dilthey. Para Dilthey, uma cosmovisão (Weltanschauung) é uma forma interna de pensamento (innere Denkform), ou seja, uma mentalidade fundamental (Grundstimmung). Ao tratar o romantismo como uma Weltanschauung nossa abordagem se enquadra nessa tradição, e os escritos de Goldmann são nosso ponto de partida, embora tenhamos reformulado consideravelmente seus argumentos.

Para ele, cosmovisão é “um conjunto de aspirações, sentimentos e ideias que reúne membros de um grupo (na maioria dos casos, uma classe social) e os opõe a outros grupos” (Goldmann, 1955, p.26).[iii] Goldmann identificou o iluminismo, o romantismo, a cosmovisão trágica e a dialética como as principais cosmovisões da era moderna. Nossa pesquisa sobre a cosmovisão romântica não a identifica com uma única classe ou grupo, mas com indivíduos de diferentes origens sociais, muitos pertencentes à categoria social dos “intelectuais”, ou seja, criadores de produtos e representações culturais.

Lucien Goldmann afirma que nem todos os portadores de uma cosmovisão a representam de forma totalmente coerente. Existem diferentes níveis de consistência e coerência entre eles. Isso se aplica fortemente a muitos que tratam da cosmovisão romântica, incluindo aqueles discutidas neste livro. Alguns apresentaram um protesto radical contra todo o complexo da civilização capitalista. São os que encarnam mais inteiramente a cosmovisão romântica como a definimos. Outros, porém, apenas tematizam aspectos específicos do mundo burguês moderno, ou respondem e reagem a eles. Alguns desenvolvem uma perspectiva romântica coerente e exclusiva, enquanto outros oscilam entre várias perspectivas ou cosmovisões, às vezes até mesclando-as em uma única obra. A maioria das personalidades consideradas “românticas” pela história literária dominante compartilham amplamente do ponto de vista romântico como definido aqui. Mas algumas se ligam apenas parcialmente a ele, enquanto outras que geralmente não são consideradas românticas – incluindo aquelas que não se enquadram na extensão cronológica da definição tradicional do romantismo – pertencem claramente ao estilo de pensamento romântico como o conceituamos.

No que diz respeito à nossa concepção, também é importante destacar que os autores não românticos podem ter um “momento” romântico, um aspecto ou uma dimensão romântica. Um bom exemplo é Karl Marx. Embora tenha sido essencialmente um homem do iluminismo, sua crítica ao capitalismo e sua visão da história incluem perspectivas e argumentos românticos significativos, que ele tomou de escritores (Balzac, Dickens), economistas (Sismondi) e antropólogos (Morgan, Maurer).[iv] Um número significativo de marxianos no século XX expandiu essa dimensão, e podem ser caracterizados como “marxianos românticos”. Isso inclui vários dos autores discutidos neste volume, a começar com William Morris em fins do século XIX.

Antes de definir a cosmovisão romântica em mais detalhes, precisamos fazer um comentário sobre sua relação com as sociedades do período moderno que parecem não fazer parte do capitalismo. Se o romantismo é um protesto contra a civilização capitalista, pareceria paradoxal que ele também apareça nos chamados países “socialistas realmente existentes” – na ex-URSS e outros regimes equivalentes. Para nós, no entanto, o ponto decisivo é que a URSS estava longe de ser uma sociedade socialista de fato. Na melhor das hipóteses, poderíamos considerá-la uma tentativa fracassada de transição do capitalismo para o socialismo.

Também poderíamos entendê-la como uma espécie de “capitalismo de Estado”, algo proposto por vários trotskistas dissidentes, como CLR James. De todo modo, após um curto período de experimentação revolucionária, o processo de burocratização sob a liderança de Stalin produziu uma sociedade que tinha muitas características em comum com o capitalismo ocidental: racionalidade utilitária, produtivismo, alienação do trabalho, administração burocrática, instrumentalização de seres humanos, além de, fundamentalmente, a destruição do meio ambiente.

Vale notar, entretanto, que há muito menos figuras românticas importantes entre os dissidentes soviéticos do que entre os críticos culturais no Ocidente. Alexander Soljenítsin é um exemplo notável, inspirado por uma forma extremamente tradicionalista e retrógrada de romantismo, que rejeitava não só o sistema totalitário soviético, mas também a sociedade moderna do Leste europeu. Embora existam outros exemplos – um deles, do lado esquerdo do espectro romântico, é a autora Christa Wolf, da Alemanha Oriental, a quem dedicamos um capítulo de Revolta e melancolia: o romantismo na contracorrente da modernidade – continua sendo verdade, no entanto, que a grande maioria dos escritores e artistas românticos, desde o final do século XIX, estão em conflito com várias manifestações da sociedade industrial burguesa ocidental. Um ótimo exemplo é o brilhante romance de Aldous Huxley, Admirável mundo novo (1931), que critica a sociedade industrial moderna tanto do Oriente quanto do Ocidente. Em última análise, no entanto, seu mundo distópico, onde as pessoas adoram não o “Nosso Senhor”, mas o “Nosso Ford”, se parece mais com o capitalismo ocidental do que com o “socialismo” oriental.


Romantismo versus capitalismo

Como o definimos de modo mais específico, o romantismo é uma crítica cultural ou rebelião contra a modernidade capitalista-industrial em nome de valores do passado, pré-modernos ou pré-capitalistas. Como cosmovisão, ele está presente em toda uma gama de criações culturais: literatura e arte, religião e filosofia, teoria política, historiografia, antropologia e até economia política. Ele considera que no advento da sociedade burguesa moderna houve uma perda decisiva dos valores humanos, sociais e espirituais que existiam em um passado real ou imaginário – Idade Média, Grécia Homérica, comunismo primitivo e outros.

O protesto romântico sempre se inspira em valores pré-capitalistas – sociais, culturais ou religiosos – e na nostalgia de um Paraíso perdido, de uma Era Dourada do passado. Mas isso não significa que seja sempre reacionário e retrógrado. Ele pode assumir formas regressivas, sonhando com um retorno imaginário ao passado, mas também com retornos revolucionários que que avançam, ou tentam avançar, para uma futura utopia passando por um desvio no passado. Para dar o exemplo de um dos autores discutidos neste livro: William Morris, poeta e artista pré-rafaelita, admirador da Idade Média, passou a investir sua nostalgia pelo passado no sonho revolucionário de uma utopia comunista. Essas formas paradoxais e opostas de romantismo serão amplamente ilustradas em nosso estudo.

A perspectiva romântica, portanto, está em contradição direta com o que foi chamado “regime moderno de historicidade”, baseado na crença na inevitabilidade do “progresso” e na rejeição do passado pré-moderno como “arcaico”. Referindo-se à nossa análise do romantismo como uma revolta diversificada, porém ampla, contra a modernidade, o historiador francês Jerome Baschet escreve: “É importante enfatizar que o regime moderno de historicidade não veio a prevalecer sem que seu reverso [romantismo] também se afirmasse […] Esse ponto é tão importante que eu proponho identificar um regime romântico de historicidade […] que acompanha [o regime moderno] como sua sombra” (Baschet, 2018, p.66).[v]

Essa sombra é justamente sua inversão, uma vez que o passado desprezado pelo regime moderno de historicidade é reivindicado pelo regime romântico, que o invoca para criticar o presente moderno e imaginar o futuro.

Como já sugerimos, o romantismo nem sempre desafia o sistema capitalista como um todo, mas geralmente reage a um certo número de características da modernidade que ele considera especialmente odiosas e insuportáveis. Vejamos a seguir uma lista – longe de ser exaustiva – com exemplos importantes de componentes característicos e inter-relacionados da civilização moderna que as obras românticas costumam lamentar ou condenar:

(1) O desencantamento do mundo. Em uma famosa passagem do Manifesto comunista, Marx e Engels observaram que “os fervores sagrados da exaltação religiosa, do entusiasmo cavalheiresco, do sentimentalismo pequeno-burguês” do passado foram mortos pela burguesia, afogados “nas águas geladas do cálculo egoísta”[vi] (Marx; Engels, 1975, 6, p.487). Setenta anos depois, Max Weber observou em uma famosa conferência, “A ciência como vocação” (1919): “O destino de nosso tempo, que se caracteriza pela racionalização, pela intelectualização e, sobretudo, pelo “desencantamento do mundo”, levou os homens a banirem da vida pública os valores supremos e mais sublimes. Tais valores encontraram refúgio na transcendência da vida mística ou na fraternidade das relações diretas e recíprocas entre indivíduos isolados. (Weber, 1994, p.302)”.[vii]

Marx e Weber não podem ser considerados autores românticos, mas suas descrições são extremamente relevantes. O romantismo pode ser visto em grande medida como uma reação por parte do “entusiasmo cavalheiresco” contra as “águas geladas” do cálculo racional e contra a Entzauberung der Welt – levando a uma tentativa muitas vezes desesperada de reencantar o mundo. Desse ponto de vista, a conhecida frase “die mondbeglanzte Zaubernacht” (a noite encantada ao luar), escrita pelo poeta romântico alemão Ludwig Tieck em 1804, quase pode ser lida como o programa filosófico e espiritual do romantismo.

(2) A quantificação do mundo. Na visão de Max Weber, o capitalismo nasceu com a disseminação dos livros contábeis dos comerciantes, ou seja, com o cálculo matemático de receitas e despesas. O éthos do capitalismo industrial moderno é Rechenhaftigkeit, o espírito do cálculo racional. Muitos românticos sentiram intuitivamente que todas as características negativas da sociedade moderna – a religião do deus Dinheiro (que Carlyle chamou de mamonismo), o declínio de todos os valores qualitativos, sociais e religiosos, bem como da imaginação e do espírito poético, a tediosa uniformidade de vida, as relações puramente “utilitárias” dos seres humanos entre si e com a natureza – derivam da mesma fonte de corrupção: a quantificação do mercado.

(3) A mecanização do mundo. Em nome do natural, do orgânico, do vivo e do “dinâmico”, os escritores românticos manifestaram muitas vezes uma profunda hostilidade a tudo que é mecânico, artificial ou construído. Eles viam a fábrica capitalista como um lugar infernal e os trabalhadores como almas condenadas, não porque fossem explorados, mas porque, como disse Dickens em uma imagem fascinante em Tempos difíceis (2015 [1854]), eles eram escravizados à máquina, aos movimentos mecânicos e ao ritmo uniforme do pistão das máquinas a vapor, que “trabalhava monótono, para cima e para baixo, como a cabeça de um elefante em estado de loucura melancólica” (Dickens, 1965, p.22).[viii]

(4) A dissolução dos vínculos sociais. Os românticos estão dolorosamente cientes da alienação das relações humanas, da destruição das velhas formas “orgânicas” e comunitárias de vida social, do isolamento do indivíduo em seu eu egoísta, que, juntos, constituem uma dimensão importante da civilização capitalista, centrada na vida urbana. Saint-Preux em Júlia ou A nova Heloísa, de Rousseau, é apenas o primeiro de uma longa linha de protagonistas românticos que se sentem solitários, incompreendidos, incapazes de se comunicar de uma maneira significativa com seus concidadãos, o que se dá especialmente no próprio centro do social moderno vida, no “deserto urbano”.


Capitalismo versus natureza

Acrescentamos a essa lista de temas românticos predominantes aquele que é o foco central deste estudo: a destruição da Natureza. O desperdício, a devastação e a desolação infligidos ao meio ambiente natural pela civilização industrial costumam ser um motivo profundo para a tristeza e a raiva românticas. Trata-se de um tema intimamente relacionado aos quatro objetos anteriores do protesto romântico. Nostálgicos pela harmonia perdida entre o homem e a natureza, às vezes consagrando a natureza como objeto de um culto místico, muitos românticos observaram com melancolia e desespero o progresso da mecanização e da industrialização, a conquista moderna do meio ambiente que levou ao desaparecimento de regiões selvagens e à desfiguração de belas paisagens.

O envenenamento da vida social pelo dinheiro e o envenenamento do ar pela fumaça industrial são entendidos por alguns românticos como fenômenos paralelos, provenientes da mesma raiz perversa – o domínio implacável do utilitarismo e do comercialismo, o poder dissolutivo do cálculo quantitativo. No desencantado mundo capitalista, a natureza deixa de ser um reino mágico e espiritual, uma criação divina sagrada ou o esplendor sagrado da beleza. Florestas, rios e paisagens são reduzidos a matéria-prima apenas para serem explorados até a exaustão.


Romantismo e natureza: as origens

As origens do que chamamos de “jardim encantado” romântico podem ser encontradas entre os primeiros românticos, ou seja, os escritores e filósofos geralmente identificados como românticos. Embora para nós a cosmovisão romântica não se limite ao chamado período romântico, mas esteja viva na cultura moderna até o presente, é indubitável que os primeiros românticos foram aqueles que assentaram os primeiros degraus da narrativa romântica inacabada. O romantismo, é claro, não tem uma única data de nascimento.

Mas se quiséssemos escolher um momento como ponto de partida simbólico, seria 1755, o ano em que Jean-Jacques Rousseau publicou seu Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens. Este surpreendente documento constitui talvez o primeiro manifesto romântico, com sua crítica feroz da civilização moderna e a celebração do “nobre selvagem”. A associação entre esses dois topoi pode ser encontrada entre muitos escritores e artistas românticos posteriores, desde o século XVIII até nossos dias, como ficará evidente ao longo deste livro.

Enquanto Voltaire, o grande proponente do iluminismo e do progresso, retrata os povos indígenas como bárbaros antropofágicos em sua sátira filosófica Cândido, o Rousseau romântico os vê como “a verdadeira juventude do mundo”. Para ele, todos os passos subsequentes de progresso, que deveriam levar à perfeição do indivíduo, “efetivamente dirigiam-se à decrepitude da espécie”. O homem selvagem “aspira só ao repouso e à liberdade”, enquanto o homem civilizado “trabalha até a morte” e é “orgulhoso de sua escravidão” (Rousseau, 2008 [1755], p.118, 146).[ix]

De fato, enfatiza Rousseau, o bárbaro “não curva a cabeça ao jugo que o homem civilizado carrega sem um murmúrio” e prefere a mais perigosa liberdade à mais pacífica submissão. Em uma passagem que parece quase prever lutas anticoloniais, Rousseau argumenta que o amor à liberdade é tão forte entre os “selvagens” que eles se dispõem a afrontar “a fome, o fogo, o ferro e a morte para conservarem apenas sua independência” (ibid., p.132-133). Embora o “estado de natureza” do filósofo possa ser uma ficção, é quase certo que seu retrato da vida dos povos primitivos seja baseado em relatos de viajantes. Em todo caso, Rousseau muitas vezes se refere explicitamente em seu ensaio a grupos específicos: hotentotes, antilhanos e “selvagens da América” (ibid., p.78, 147).

No Discurso, Rousseau também denuncia o comportamento destrutivo moderno em relação ao mundo natural. Exalta “florestas imensas jamais mutiladas pelo machado” e lamenta que a civilização tenha feito do ser humano um “tirano de si mesmo e da natureza” (ibid., p.70, 80). Preocupado que a expansão da agricultura possa levar à “destruição do solo”, isto é, de sua fertilidade, cita um trecho de História natural (1752), de Buffon, que parece quase profético: “Como os homens consomem enormes quantidades de madeira e de plantas para o fogo e para outros usos, conclui-se que a camada de terra vegetal de uma região habitada deve diminuir sempre e ficar, por fim, como o terreno da Arábia Pétrea, e como o de tantas outras províncias do Oriente, que são, de fato, as terras há mais tempo habitadas, onde só se encontram sal e areia” (ibid., nota IV, p.154-155).

Outro aspecto romântico essencial dos escritos de Rousseau é uma relação apaixonada, quase mística, com a Natureza. Em Os devaneios de um caminhante solitário (1778), ele descreve os êxtases de quando se depara com o espetáculo maravilhoso da Natureza. Quanto mais sensível é a alma do observador, mais “um devaneio doce e profundo apodera-se então de seus sentidos e ele se perde, com uma deliciosa embriaguez (ivresse), na imensidade desse belo sistema com o qual se sente identificado”.

No meio das árvores e de outras coisas verdes, o escritor exclama: “Creio estar no paraíso terrestre” (Rousseau, 2012 [1778], p.98, 124, 151). Diferente de alguns outros autores que discutiremos, Rousseau geralmente não conecta esses dois momentos românticos – o amor pela Natureza e admiração pelo modo de vida “selvagem”. Na nota g de Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens, porém, uma passagem irônica parece relacionar as duas coisas, em contraste com o comportamento “civilizado”: “O homem selvagem, quando jantou, fica em paz com toda a natureza e amigo de todos os seus semelhantes” (Rousseau, 2008 [1775], p.163).

O exemplo de Rousseau ilustra o fato de que a atitude romântica para com a natureza não pode ser reduzida a uma atitude puramente estética, como às vezes o faz o estereótipo popular. Ao discutir a Naturphilosophie nos escritos de Novalis, Schelling e J. W. Ritter, o pesquisador grego Stephanos Rozanis afirma que essa filosofia romântica – que também é uma espécie de teologia – tem como valor supremo a espiritualização da Natureza. O Cosmos natural é visto como divino, e a divindade, pela mesma lógica, é concebida como a alma do Cosmos, o “Weltseele”, na denominação de Schelling (Rozanis, 2001, p.34-35, 41).

De fato, os primeiros românticos da Europa, no final do século XVIII e início do século XIX, muitas vezes viam a Natureza como um universo sagrado e mágico, a expressão de um espírito divino. Como escreveu François-René de Chateaubriand em seu O gênio do cristianismo (1802), “O dom da profecia e da sabedoria, do mistério e da religião, parece habitar eternamente nas profundezas sagradas das florestas”. Na verdade, ao escrever O gênio do cristianismo, Chateaubriand anuncia que sua ambição geral não é nada menos do que “opor uma História Natural Religiosa aos livros científicos modernos” (Chateaubriand, 1966, p.316, p.157). Para muitos dos primeiros românticos, especialmente na Alemanha, a natureza constituía uma espécie de metafísica mineral e vegetal, uma linguagem cabalística secreta a ser decifrada e, por meio de sua filosofia da natureza, eles visavam tanto a naturalização do espírito quanto a espiritualização da natureza (Fischer, 1986, p.234, p.238).

Eles também costumavam perceber a natureza como uma espécie de jardim do Éden arcadiano. O Naturphilosoph romântico alemão Gotthilf Heinrich Schubert lamenta os “primeiros tempos, quando nossa espécie vivia em profunda harmonia com toda a Natureza”, uma era de “paz espiritual e alegria paradisíaca” que as nações antigas celebraram como Era Dourada (Schubert, 2000, p.76-77). Isso os leva a uma visão crítica da relação destrutiva moderna com o mundo natural, como por exemplo no romance inacabado de Novalis, Os discípulos em Saïs (1802). Retratando a atitude de um espírito prometeico empenhado em conquistar e subjugar a Natureza por todos os meios, Novalis atribui a ele os seguintes objetivos: “Que nossa geração trave uma guerra de destruição (Zerstörungskrieg) lenta e bem planejada contra essa Natureza. Devemos dominá-la com venenos rastejantes”.

Para Novalis, esta atitude conquistadora leva a Natureza a ser vista como um “monstro enraivecido” que deveria ser “paralisado para sempre” pela ação humana, pondo assim “um fim às suas devastações” (Novalis, 1924, p.286-7). Com esses e outros comentários semelhantes de escritores alemães no início do século XIX, a atitude romântica para com a Natureza deixa de ser apenas um sentimento estético e religioso – ou, em alguns autores, um exercício filosófico altamente especulativo – para se tornar uma Zivilisationskritik substancial.

Outro escritor alemão de um tipo muito diferente foi profundamente influenciado pelo espírito e pelo contexto do antigo romantismo alemão: o cientista e filósofo natural Alexander von Humboldt. Antes de empreender suas extensas viagens pela América do Sul e por outros lugares, que levaram a uma série de obras inovadoras enunciando e ilustrando uma nova visão do mundo natural, Humboldt passou vários anos, em meados da década de 1790, em Jena e Weimar, onde frequentou o círculo romântico de artistas e intelectuais em torno de Goethe e Schiller. Humboldt foi particularmente marcado nessa época pela Naturphilosophie organicista de Friedrich Schelling, então professor da Universidade de Jena e membro do círculo de Goethe. As visões românticas da Natureza e a relação do homem com ela articulada por Schelling e outros desse contexto foram importantes impulsos formativos para o desenvolvimento posterior das concepções próprias de Humboldt. Portanto, embora suas raízes intelectuais e culturais estivessem no romantismo alemão, Humboldt, por sua vez, teve um impacto decisivo nas visões da Natureza sustentadas pelos românticos ingleses Coleridge e Wordsworth, mais especialmente o primeiro, e mais tarde nas sustentadas pelos norte-americanos Thoreau e Emerson. Dessa forma, ele forneceu uma das pontes cruciais entre o romantismo alemão e anglo-americano em termos de perspectivas sobre o mundo natural.[x]

Embora a visão de Humboldt acerca da Natureza não carregasse a dimensão religiosa do romantismo alemão, ela refletia, de muitas outras maneiras, última perspectiva. Diferentemente dos românticos do círculo de Jena, Humboldt foi, acima de tudo, um cientista natural dedicado ao estudo dos fenômenos naturais por meio da observação e da medição. Mas sua abordagem à Natureza foi excepcional por unir indissoluvelmente o científico e o “humanístico”. No momento histórico exato em que a “ciência” se separava da filosofia e se tornava cada vez mais especializada, Humboldt articulou uma visão amplamente holística da natureza que incluía as respostas sensuais, emotivas, imaginativas e artísticas do sujeito humano em relação a ela. Em seu relato de viagens pela América do Sul, dividido em vários volumes, Humboldt exclama em uma passagem: “A natureza, em todos os lugares, fala ao homem com uma voz […] familiar à sua alma” (Humboldt, 1814-29, p.160).[xi]

O artista está particularmente sintonizado com essa correspondência, e com as belezas da Natureza, e, em outra obra importante, Views of Nature (Ansichten der Natur, 1808), Humboldt escreve sobre o pintor de cenas naturais, e que, “sob a mão dele, a imagem mágica e grandiosa da Natureza (se é que posso me arriscar a usar a expressão) revela-se […] em alguns toques simples” (Humboldt, 2014, p.168).[xii] Na verdade, como Andrea Wulf enfatiza em sua biografia, ao longo dos escritos de Humboldt encontramos, lado a lado com a observação e análise científica, expressões apaixonadas de um senso de admiração e sensibilidade em relação à “magia” do mundo natural.

Hoje Humboldt é cada vez mais reconhecido como um precursor genial da ciência ecológica em sua abordagem global e interrelacional a este mundo, visto como uma rede ampla de conexões que cobre todo o planeta, e mais especificamente em sua teorização e estudo de “zonas climáticas” e da mudança climática.[xiii] Mas igualmente importante, do nosso ponto de vista, é a sua percepção “encantada” da Natureza, acompanhada por uma crítica abrangente e penetrante à civilização da modernidade e seus efeitos deletérios. Embora admirasse os ideais políticos do começo da história dos Estados Unidos, ele foi duramente crítico, quando visitou o país, quanto aos males que ali observou: a escravidão e a expropriação das terras dos ameríndios, ambas decorrentes de imperativos comerciais (Humboldt havia estudado finanças antes de se voltar para a ciência, mas a detestava), e a mentalidade mercantil penetrante que fez daquela nação, como escreveu ele a um amigo alemão, “um vórtice cartesiano que leva embora e nivela tudo a uma monotonia maçante”.[xiv]

Além dessa ampla crítica aos males da modernidade descobertos nos Estados Unidos, Humboldt também aponta, em muitos momentos de seus escritos, para os efeitos desastrosos sobre o meio ambiente natural dessa civilização, muitas vezes motivados pela ganância. Como observou ao longo de suas viagens – na América do Sul, Europa e Rússia –, mineração, formas modernas de agricultura que incluem monoculturas e irrigação intensiva, bem como a indústria em sua fase inicial, muitas vezes levam ao desmatamento severo, ao empobrecimento da terra e à poluição.[xv] Em suas viagens, ele também observou os traços de culturas anteriores, pré-modernas, visivelmente diferentes em seu ethos e em sua relação com o meio ambiente. Seus comentários sobre essas culturas trazem um grande interesse e consideração – outro aspecto de sua sensibilidade que ele compartilha com muitos outros românticos.[xvi]

A última pessoa que mencionaremos aqui do período inicial que faz parte da raiz da revolta romântica é o poeta inglês John Clare. Em alguns aspectos, Clare parece se destacar das linhas de desenvolvimento que discutimos e ter um forte contraste com Humboldt, especificamente. Humboldt era um aristocrata rico e muito culto, enquanto Clare era um trabalhador rural autodidata. Humboldt foi um viajante do mundo; Clare passou quase toda a vida na região estritamente limitada de seu nascimento. Em vista desse relativo isolamento, não surpreende que Clare não tenha sido um dos românticos ingleses para quem Humboldt serviu de ponte para o romantismo alemão. Aparentemente, ele também não tem muito em comum com os primeiros românticos franceses, como Rousseau e Chateaubriand. Mesmo assim, Clare expressa, em seus próprios termos idiossincráticos, e de forma muito poderosa, a visão romântica influenciada pela Natureza tal como a concebemos.

A rebelião de Clare contra a civilização do capitalismo inicial assume a forma, especificamente, de uma reação intensa e pessoal à experiência do cercamento de terras rurais que ocorreu em toda a Inglaterra no início do século XIX – o parcelamento de terras anteriormente tidas como comuns em lotes de propriedade privada com limites físicos, e a “melhoria” da propriedade rural por meio do desmatamento de extensões de terra antes comuns e da introdução de práticas agrícolas modernas. Na área ao redor da cidade natal de Clare, Helpston, em Northamptonshire, o processo ocorreu ao longo de pouco mais de uma década – 1809 a 1820 –, período que correspondeu à sua maioridade (ele tinha 16 anos em 1809). Ele vivenciou a transformação de sua região natal e do modo de vida de seus habitantes como um desastre absoluto em vários níveis, inclusive socioeconômico. Vindo de uma família pobre e sem-terra, Clare lutou para apenas sobreviver e, ironicamente, foi forçado pela necessidade a se engajar como trabalhador justo em alguns dos projetos que ele desprezava.[xvii]

Durante todo o período dos cercamentos em Helpston e ainda depois de concluídos, Clare escreveu uma série de poemas sobre o tema que foram chamados de “elegias do cercamento”.[xviii] Neles, ele evoca de modo carinhoso o ambiente natural e os modos de vida de sua área antes do cercamento, descreve os efeitos produzidos por este e expressa uma mistura de tristeza, melancolia e raiva pelo resultado. Juntos, eles expressam, de modo enfático, uma visão romântica anticapitalista que se concentra na Natureza e no lugar dos seres humanos nela.

Nesses poemas,[xix] o poeta revela uma nostalgia avassaladora pelas várzeas, pelos brejos e pântanos por onde ele perambulava quando criança. Essas terras parcialmente selvagens são caracterizadas especialmente pela liberdade que possibilitam tanto aos humanos quanto a outras coisas vivas: “A liberdade ilimitada dominava a cena errante / Sequer a cerca da propriedade por ali rastejava… Agora, essa meiga visão da minha época de garoto… toda ela perdeu a cor…” (Clare, 1990, p.169-70). As terras também são retratadas como belas, embora a dimensão estética da Natureza seja apenas uma entre várias nos poemas. De importância fundamental é o aspecto coletivo e social da comunidade humana na Natureza, e a nostalgia de Clare vai muito além das alegrias pessoais das brincadeiras de infância. Como bens comuns, a terra fornecia suporte aos pobres e sem propriedade, e também era o local de formas de comunidade pré-moderna, em particular de ciganos. Clare gostava de frequentar um acampamento cigano em um de seus lugares favoritos nas terras comuns; vários poemas mencionam o local e lamentam sua remoção pelo cercamento. De maneira mais geral, ele se sentia fortemente atraído por culturas folclóricas e colecionava música, histórias folclóricas e coisas do gênero.

Nas “elegias do cercamento”, Clare protesta veementemente contra a demolição, pelo cercamento e pela modernização, tanto de terrenos naturais selvagens quanto das culturas pré-modernas que neles encontraram um lar, e identifica com nitidez a instância por trás da mudança. No mais antigo desses poemas, “Helpston”, ele escreve: “A maldita riqueza acima das limitantes leis humanas / Continua sendo a causa de todo mau” e, mais especificamente, conecta-a tanto ao sofrimento dos trabalhadores pobres quanto aos danos à Natureza.[xx] Poemas posteriores apontam para o “interesse próprio” e a busca de “lucro” ou “ganhos” como motivos que impulsionam as mudanças prejudiciais; quem é motivado dessa maneira tem uma “mentalidade pequena” e justifica suas depredações com a estridente doutrina da liberdade econômica (contrastada pelo poeta com a verdadeira liberdade proporcionada pela Natureza).[xxi]

Ainda que a política de Clare fosse nominalmente conservadora, sua acusação poética das incursões da modernidade em uma perspectiva romântica é radical. E a força e pertinência de sua crítica foram de fato reconhecidas e honradas por críticos posteriores que compartilham uma afinidade com ele: E. P. Thompson, que escreveu um tributo no bicentenário de seu nascimento, Raymond Williams, que publicou, com sua filha, uma antologia da poesia de Clare, e mais recentemente George Monbiot, o colunista ecológico do Guardian que, em um artigo celebrando Clare, enfatiza a relevância de sua poesia de protesto para a crise ambiental atual.[xxii]

Seria legítimo chamar de “ecológicas” as abordagens românticas à Natureza cujas origens examinamos aqui e que exploraremos melhor no corpo do nosso trabalho? Talvez não no sentido científico limitado da palavra “ecologia”, conforme definido por Ernst Haeckel, seu inventor. Nem no sentido de um movimento social moderno que luta contra as consequências ambientais negativas da modernidade capitalista, embora, em alguns casos – vários deles são discutidos em nosso trabalho –, os românticos tenham se engajado com eles.

Mas, como tentaremos ilustrar neste livro, encontra-se na corrente romântica da crítica cultural uma forma sui generis de consciência que é ecológica em seu sentido mais significativo, um sentido que teve um papel essencial no desenvolvimento histórico da ecologia e que continua sendo até hoje uma força potente no protesto e no ativismo ecológicos. Talvez possamos definir a atitude comum das pessoas discutidas neste livro como “ecocrítica romântica” – não no significado mais limitado que costuma ser atribuído ao termo “crítica”, mas de forma mais ampla como uma revolta cultural e moral radical contra os danos resultantes da interação das sociedades humanas modernas com a natureza, em nome de valores qualitativos perdidos na modernidade.


Romantismo e humanidades ambientais

Esperamos que nosso estudo da corrente ecocrítica no anticapitalismo romântico possa contribuir para a tendência em curso que tem sido amplamente rotulada de “humanidades ambientais”. A primeira característica definidora desse movimento é, naturalmente, a conexão integral entre as questões ambientais e as preocupações abordadas pelas humanidades, ou seja, questões que envolvem fenômenos culturais. Essa abordagem entende as crises ecológicas como crises de cultura. Nossa exploração da valorização romântica do mundo natural e o protesto contra os efeitos destrutivos sobre esse mundo do capitalismo industrial moderno é um exemplo importante, no contexto da civilização ocidental, da interação íntima entre meio ambiente e cultura.

Outra característica importante das humanidades ambientais em geral é sua interdisciplinaridade, com as várias subáreas da tendência aproximando diferentes disciplinas. Nosso estudo, que se insere no domínio dos estudos culturais e ambientais, reúne uma grande diversidade de fenômenos culturais como expressão do anticapitalismo romântico ecocrítico. Eles incluem literatura de viagem, pintura de paisagem, escrita utópica, filosofia social, análise de estudos literários e culturais e o ensaio sociopolítico. Ao discutir essas diversas expressões culturais, cruzamos continuamente as fronteiras disciplinares, e nosso conceito de romantismo, que tem dimensões históricas, sociológicas, econômicas e culturais, também é explicitamente interdisciplinar.

Tem sido dito que o que as humanidades ambientais fazem, em relação às humanidades tradicionais, é, entre outras coisas, efetivar uma ampliação de perspectiva.

As questões que as humanidades tradicionais frequentemente tratam dentro de limites filosóficos ou literários restritos são abertas em um quadro contextual mais amplo. É exatamente isso que nossa conceitualização do romantismo tenta fazer, uma vez que situa as expressões da cosmovisão romântica como respostas críticas aos desenvolvimentos socioeconômicos na modernidade, que incluem fundamentalmente a crescente devastação do meio ambiente.

Um tema forte que muitas vezes é articulado no trabalho feito nas humanidades ambientais é a afirmação da unidade da natureza como uma totalidade orgânica/inorgânica, que assume a forma de uma rede complexa de ligações. Essa concepção é geralmente compartilhada pelos românticos que discutimos e, de maneira mais ampla, pode-se dizer que a compreensão das humanidades ambientais sobre a unidade e a inter-relação naturais tem estreitas afinidades com as visões românticas prevalecentes da natureza.

Outra tendência marcada nas humanidades ambientais tem sido explorar e reconhecer o valor de outras concepções da natureza que não o paradigma ocidental moderno dominante. Além de explorar o pensamento oriental sobre o meio ambiente, tem havido um interesse considerável nas visões e práticas dos povos “indígenas”. Em nosso estudo, damos um lugar de destaque a essas visões, mostrando como elas se relacionam a outras compreensões ecológicas românticas e apontando para sua importância particular no contexto contemporâneo. Além dessas conexões gerais, devemos indicamos brevemente como cada uma das referências que discutimos desvela ideias e percepções relevantes para as discussões que ocorrem nas humanidades ambientais:

Capítulo um: William Bartram afirma a unidade não hierárquica das formas de vida, enfatiza a “dignidade” da natureza animal e critica fortemente a crueldade com os animais. Seus esboços botânicos ilustram a interconexão das formas orgânicas e inorgânicas retratadas.

Capítulo dois: de maneira apocalíptica, Thomas Cole alerta, tanto na escrita quanto na pintura, sobre os irreparáveis danos humanos e naturais que ocorrerão, a menos que o processo seja interrompido, por meio de incursões modernas em terrenos naturais e pela destruição deles, impulsionadas por um utilitarismo voltado para o lucro.

Capítulo três: William Morris critica a abordagem da civilização moderna à natureza como um conquistador que está fora dela, e não como uma parte integrante, que vive harmoniosamente dentro dela. Seu Notícias de lugar nenhum imagina uma futura “ecotopia” na qual se restaura, em um nível superior, a harmonia das sociedades anteriores, e se transcende a divisão entre o campo e a cidade.

Capítulo quatro: Walter Benjamin faz uma crítica radical à “espoliação” da Natureza na modernidade capitalista, chegando a definir sua relação com a Natureza como “criminosa”. Ele demonstra consideração para com as atitudes não destrutivas em relação à Natureza exibidas por sociedades “primitivas” e alerta para desastres ecológicos e humanos iminentes, a menos que o “freio de mão” seja puxado.

Capítulo cinco: Raymond Williams, assim como William Morris, clama pela superação da oposição entre campo e cidade, critica a ideologia da “modernização” como “progresso” contínuo e benéfico e vê a necessidade de reconceituar a noção de “produção”, ampliando-a para incluir tantos subprodutos – em especial danos ambientais –, quanto produtos. Como pensador socialista, aponta para a atitude exploradora comum em relação à Natureza mantida tanto pelas sociedades capitalistas quanto pelas chamadas comunistas e faz um apelo por um “socialismo verde” radicalmente diferente.

Capítulo seis: Naomi Klein, de modo semelhante a Williams, acha que os “déficits ecológicos” devem ser medidos junto com o crescimento econômico e se opõe fortemente à “mentalidade extrativista” que predomina no mundo contemporâneo do capitalismo globalizado. Ela vê uma conexão clara entre a crise ecológica existente e o perigo que correm os povos “alterizados” pelas elites dominantes, notadamente os habitantes indígenas das sociedades de colonos brancos. Ela se impressiona consideravelmente com a participação dos povos nativos nas lutas contemporâneas para limitar os danos ambientais e admira suas tradições cosmológicas que veem todas as criaturas vivas como “relações”, além de assumir uma postura de “manejo” em relação ao mundo natural.


Trabalhos recentes sobre romantismo e ecologia

Não somos de forma alguma os primeiros a explorar as ligações entre “romantismo” e “ecologia”. Mas, como será visto na breve pesquisa que se segue, a maioria dos estudos até agora trata quase exclusivamente do aspecto literário dessa conexão. Por esse motivo, nosso estudo – um dos primeiros a sugerir uma visão muito mais ampla da relação romântica com o discurso e a representação ecológicos – claramente se sobressai em relação a eles.

O reconhecimento e a análise contemporâneos da conexão entre os dois termos estão intimamente relacionados, e são quase idênticos, ao desenvolvimento da “ecocrítica” no sentido mais restrito ao qual aludimos. Às vezes também chamada de “ecoestudos” ou “ecoleitura”, essa abordagem crítica aos textos literários surgiu pela primeira vez na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos, embora mais recentemente tenha se espalhado para outros países. Definido em uma antologia inicial simplesmente como “o estudo da relação entre a literatura e o meio ambiente físico” (Glotfelty; Fromm, 1996, p.xviii), evoluiu e se diversificou consideravelmente desde seu início. Embora várias obras isoladas tenham aparecido na década de 1970, o verdadeiro impulso da abordagem ocorreu na década de 1990 com a publicação de uma série de monografias seminais, bem como do supracitado The Ecocriticism Reader, e com a criação da Associação para o Estudo da Literatura e o Meio Ambiente em 1993.[xxiii]

No século XXI, a análise literária ecocrítica floresceu exponencialmente, com cerca de meia dúzia de obras publicadas só no ano 2000, e dezenas de outras que apareceram desde então. Essas produções posteriores, frequentemente chamadas de “segunda onda” da ecocrítica, muitas vezes problematizaram conceitos-chave e trouxeram outras formas de discurso crítico (pós-colonial, pós-moderno, feminista etc.) para as discussões ecocríticas (Coupe, 2000).

Mas um denominador comum de todos os estudos ecocríticos tem sido o foco principal em autores tradicionalmente identificados como “românticos”. Na maioria dos casos, a definição de romantismo que está pelo menos implícita, quando não declarada claramente como tal, é a definição usual de um período literário e, uma vez que os ecocríticos são geralmente anglo-americanos, tem sido dada uma ênfase avassaladora aos escritores literários ingleses e norte-americanos do final do século XVIII e início do século XIX. Embora tenha havido algum debate sobre qual dos primeiros autores românticos expressa mais claramente um ponto de vista ecológico, é quase consensual que as raízes importantes da ecologia moderna se encontram na literatura do “período romântico”. Essa filiação é sugerida, por exemplo, no subtítulo de The Green Studies Reader (Coupe, 2000) – “From Romanticism to Ecocriticism” – a primeira seção que inclui trechos ou discussão de Blake, Wordsworth, Coleridge, Thoreau e John Clare.

Esse manual também inclui passagens de John Ruskin e William Morris, e, na verdade, essas e outras figuras de fins do século XIX muitas vezes fazem parte das genealogias ecocríticas que começam no período romântico. A relação precisa dos autores com o romantismo, no entanto, não costuma ser especificada. Em alguns casos, ela é remontada ao século XX, e os autores daquele século, ocasionalmente, são identificados com o romantismo.[xxiv] Na maioria dos casos, porém, o romantismo é visto mais como uma origem do que como uma presença contínua no pensamento e na representação ecológicos.

Na literatura da ecocrítica, encontramos uma discussão sólida da história da consciência, do pensamento e da representação ecológicos, e sua relação com o romantismo. Nessa discussão, surgiram alguns debates e diferenças de perspectiva. A maioria que analisa o desenvolvimento da ecologia moderna de alguma maneira distingue duas vertentes de sua história, usando vários termos para descrevê-las: de um lado, a abordagem “espiritual”, “humanística” e “subjetiva”; de outro, a “científica”, “racional” e “objetiva”. Uma maneira de interpretar a relação histórica entre as duas vertentes é encarar a segunda como tendo origem apenas na segunda metade do século XIX, especialmente no trabalho do zoólogo alemão Ernst Haeckel, que cunhou o termo em 1866.[xxv]

Dessa perspectiva, a primeira vertente precede a segunda cronologicamente, e às vezes é vista como “protoecológica” em vez de corresponder completamente aos critérios da perspectiva ecológica.[xxvi] Enquanto os ecocríticos da “primeira onda” costumavam enfatizar a distinção entre as duas vertentes do discurso ecológico e destacavam a contribuição crucial dos primeiros escritores literários/filosóficos – e românticos – em sua diferença da abordagem científica, os críticos da “segunda onda” têm questionado cada vez mais a oposição, apontando que os escritores literários do “período romântico”, em uma época anterior ao desenvolvimento de separações intelectuais e institucionais claras entre literatura, filosofia e ciência, muitas vezes conheciam os escritos de naturalistas e “filósofos naturais” contemporâneos e eram influenciados por eles. Longe de estar fora de sintonia com as investigações sobre o mundo natural, o trabalho dos autores literários românticos era frequentemente permeado por eles.[xxvii]

De modo geral, no entanto, as histórias da ecologia como definidas na literatura ecocrítica costumam concordar que suas origens encontram-se na virada do século XVIII para o século XIX, em associação com o romantismo inicial, e que depois evolui através de um série de novas fases ou pontos de inflexão: a enunciação de uma abordagem especificamente “científica” na década de 1860; os movimentos conservacionistas do final do século XIX e do início do século XX; a nova consciência das ameaças ecológicas nas décadas de 1960 e 1970 (o altamente influente Silent Spring, de Rachel Carson, que alertava para o perigo dos pesticidas, apareceu em 1962); e, finalmente, o amplo despertar para a imanência, gravidade e natureza global da crise ecológica na década de 1990 e além.

Embora seja estudada e descrita mais intensamente na esfera anglo-americana, uma vez que, como apontamos, a ecocrítica veio em grande parte da Inglaterra e dos EUA,[xxviii] as manifestações desses desenvolvimentos ocorreram também em outros países, notadamente na Europa. Em sua história recente da ecologia (Die Ära der Ökologie, 2011; tradução para o inglês: The Age of Ecology [A era da ecologia], 2014), ao discutir as origens, o estudioso alemão Joachim Radkau aponta para a contribuição do movimento alemão Sturm und Drang [Tempestade e ímpeto] (ao lado de Rousseau), bem como para uma tendência cultural significativa na Alemanha no início do século XIX, que ele chama de “romantismo da floresta”.[xxix]

Ele também alude à consciência ecológica posterior dos fundadores do marxismo (embora não tenha sido um de seus temas principais), citando o comentário de Engels em Dialética da Natureza: “Mas não nos regozijemos demasiadamente em face dessas vitórias humanas sobre a Natureza. Para cada uma dessas vitórias, a natureza se vinga de nós” (Radkau, 2014, p.24). Quanto à história francesa do pensamento e da imaginação ecológica, o amplo panorama recente de Serge Audier traça uma tradição francesa entre outras vertentes nacionais, que inclui o romancista George Sand, os pensadores utópicos Fourier e Proudhon, bem como o historiador romântico Jules Michelet (Audier, 2017). Audier e outros também apontaram várias contribuições russas significativas para o crescimento da consciência ecológica – notavelmente no trabalho do anarquista Piotr Kropotkin e no movimento back-to-the-land [volta para o campo] em torno de Liev Tolstói.

A gama de posições sociopolíticas daqueles associados à ecologia é muito ampla. Os editores da recente antologia Ecology and the Literature of the British Left reconhecem a forte marca na ecologia de posições da direita devido ao “impulso essencialmente conservador e muitas vezes pessimista por trás de muita preocupação ambiental”, bem como a tendência de grande parte do pensamento socialista adotar o princípio de crescimento ilimitado (Rignall; Klaus, 2012, p.4, 7); mas o objetivo da antologia é explorar a rica interação e interpenetração do “vermelho” e do “verde”, demonstrando por meio de várias contribuições uma linhagem que vai dos primeiros românticos britânicos, passa por Ruskin e Morris, e chega a expressões posteriores de “ecoanarquismo” e “ecossocialismo”.

Nesse aspecto, na verdade, podemos notar um paralelo claro entre o romantismo e a ecologia. Em nosso estudo do anticapitalismo romântico – Revolta e melancolia: o romantismo na contracorrente da modernidade –, argumentamos que essa cosmovisão é politicamente “hermafrodita”, cruza todas as fronteiras políticas, e que essa característica explica, em alguns casos, as mudanças radicais na orientação política sobre uma carreira particular do autor, enquanto a visão romântica fundamental permanece inalterada.[xxx] O mesmo pode ser dito, mutatis mutandis, a respeito da preocupação e do compromisso ecológicos. Desse modo, essa heterogeneidade de posturas sociopolíticas tanto no romantismo quanto na ecologia se reflete naturalmente no presente estudo dos “ecologistas” românticos, embora nele seja predominante a linha “vermelha” de orientação política.

Como tentou sugerir essa breve visão geral, a partir da década de 1990 desenvolveu-se uma literatura rica e volumosa, abordando muitos aspectos da ecologia e sua interseção com o romantismo. Nesta literatura, foram apresentados vários argumentos conflitantes. Talvez o mais fundamental envolva a definição de dois conceitos-chave na área: “natureza” e “ecologia”. Embora as discussões em torno desses termos certamente não sejam desprovidas de interesse, não escolheremos entre as opções possíveis, mas sim adotaremos uma posição que inclui todas dentro do quadro de nossa análise. Sobre a questão do que é a “natureza”, alguns propuseram distinguir “natureza” (a realidade física bruta) de “Natureza” (a construção cultural humana); outros propuseram abandonar o conceito por completo e substituí-lo pela noção de “meio ambiente”[xxxi]; outros ainda contestaram a ideia de um mundo natural não humano e redefiniram a natureza como o mundo “mais que humano”. Essas distinções e questionamentos, por mais que interessantes em outros contextos, às vezes conflitam entre si, e, de qualquer forma, não parecem diretamente relevantes para nossa exploração das expressões românticas da consciência e do protesto ecológicos. Como definido antes, portanto, adotaremos uma compreensão amplamente abrangente e comumente reconhecida da natureza e do mundo natural.

Da mesma forma, a literatura ecocrítica propôs um conjunto de características definidoras, algumas delas contraditórias, da perspectiva ou do “ponto de vista” ecológicos. Elas incluem: um senso de inter-relação dos fenômenos naturais, em uma “trama” ou “ecossistema”; um tratamento da natureza como “para-si” (versus para humanos), também às vezes chamado de “ecocentrismo”; uma concepção dos humanos como parte integrante da natureza, ou, ao contrário, um reconhecimento do não humano como radicalmente “outro”[xxxii]; um senso de lugar, de locais naturais particulares, ou, ao contrário, um olhar mais universal; uma apreensão secularizada e física da natureza, ou, ao contrário, sua sacralização. Poderíamos ampliar a lista, mas o que queremos argumentar é que qualquer uma ou todas essas características podem ser encontradas nas sensibilidades ecológicas românticas.

Neste livro, esperamos lançar uma nova luz sobre o assunto do romantismo e da ecologia, reformulando-o nos termos de nossa interpretação do romantismo como uma Weltanschauung anticapitalista de todo o período moderno. Ampliamos o escopo do romantismo aqui de duas maneiras principais. Primeiro, levando-o além da definição tradicional do período, identificamos e tratamos como românticas todas as figuras mencionadas, começando com William Bartram (segunda metade do século XVIII) e terminando com Naomi Klein (contemporânea, século XXI). Segundo, ilustramos a corrente da ecologia romântica com exemplos que rompem com o foco literário usual. Bartram era um naturalista e artista botânico, Thomas Cole, um pintor de paisagens, William Morris, um artesão e artista que trabalhava com várias mídias, Raymond Williams, crítico literário e cultural, Walter Benjamin, filósofo social multifacetado, Naomi Klein, ensaísta e ativista. Embora vários deles – Cole, Morris, Williams – tenham produzido algumas obras literárias, a atividade criativa não é sua atividade principal.

Talvez a inovação mais importante da nossa abordagem em relação à literatura ecocrítica seja a ligação dos românticos ecológicos que discutimos com o anticapitalismo. Ecologistas e cientistas recentemente chegaram a um consenso de que entramos em uma nova época geológica, o Antropoceno, em que a atividade humana mudou aspectos essenciais do meio ambiente, em última análise, com consequências terríveis. Muitos “ecomarxianos” – em particular, Ian Angus e John Bellamy Foster – aceitam esse conceito, mas enfatizam que a responsável por essas mudanças desastrosas é uma organização específica da atividade humana: o modo de produção capitalista moderno com seus correlatos civilizacionais.[xxxiii]

Este ponto é vigoroso e explicitamente feito por Naomi Klein, o assunto de nosso último capítulo, mas tentamos mostrar como essa consciência, de uma forma ou de outra (incluindo em períodos anteriores à palavra “capitalismo” estar em uso), é encontrada em todas as figuras românticas que exploramos. E, de maneira crucial, queremos destacar a dimensão crítica dessa consciência. Nesse sentido, então, sugerimos que o termo “ecocrítica romântica” possa ser usado apropriadamente para descrever a forma de anticapitalismo romântico que investigamos aqui.

*Robert Sayre é professor de inglês e de Literatura e Civilização na Universidade Paris-Est, Marne-la-Vallée, França.

*Michael Löwy é diretor de pesquisa em sociologia no Centre nationale de la recherche scientifique, Paris, França.

Referência

Robert Sayre & Michael Löwy. Anticapitalismo romântico e natureza. O jardim encantado. Tradução: Rogerio Bettoni. São Paulo, Unesp; 2021, 206 págs.

Notas

[i] Embora reconheçamos que seu significado tem sido muito debatido recentemente, não entraremos nessas discussões aqui e usaremos o termo “Natureza” em seu sentido amplamente aceito de universo biofísico e, em particular, das várias formas de vida em nosso planeta.

[ii] Para uma discussão sistemática e uma ilustração de como concebemos o romantismo, inspirados nos escritos de Georg Lukács, Ernst Fischer e outros, mas partindo de uma perspectiva diferente, veja nosso livro Romanism Against the Tide of Modernity (2002); veja também nosso ensaio “Romanticism and capitalism” em Michael Ferber (2005).

[iii] Exceto quando indicado, as traduções neste livro de obras escritas em línguas diferentes do inglês são dos autores.

[iv] Para uma discussão extensa sobre Marx e o romantismo, veja o capítulo 3, “Excurso: marxismo e romantismo” do nosso livro Revolta e melancolia: o romantismo na contracorrente da modernidade.

[v] Baschet baseia-se no conceito de “regimes de historicidade” conforme notavelmente elaborado por François Hertog.

[vi] Ed. bras.: Karl Marx e Friedrich Engels, Manifesto do Partido Comunista. Trad. Álvaro Pina. São Paulo, Boitempo, 2005 (1848), p.42. (N. T.)

[vii] Ed. bras.: Max Weber, “A ciência como vocação”. In: Ciência e política: duas vocações. Trad. Leonidas Hegenberg e Octany Silveira da Mota. 14.ed. São Paulo : Cultrix, 2013, p.51. (N. T.)

[viii] Ed. Bras.: Charles Dickens, Tempos difíceis. Trad. José Baltazar Pereira Junior. São Paulo: Boitempo, 2015. (N. T.)

[ix] Ed. Bras.: Jean-Jacques Rousseau, Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens(1755). São Paulo: Martins Fontes, 2008, p.141, 213. (N. T.)

[x] Sobre a relação de Humboldt com o círculo de Jena, de um lado, e com escritores anglo-norte-americanos, de outro, ver a notável biografia intelectual de Andrea Wulf, The Invention of Nature: The Adventures of Alexander von Humboldt, the Lost Hero of Science (2015, p.5, p.25-33, p.36, p.72, p.128-29, p.167-71, p.250, p.256-57).

[xi] Citado em Wulf (2015, p.54)

[xii] Citado na Introdução (Humboldt, 2014, p.8-9).

[xiii] Ver a introdução de Alexander von Humboldt e Aimé Bonpland (2009, p.2-5).

[xiv] Citado em Wulf (2015, p.3;.ver também p.19-20, p.106, p.108, p.181, p.276).

[xv] Ver Wulf (2015, p.56, p.58, p.103-05, p.213, p.288).

[xvi] Embora os comentários de Humboldt sobre as culturas indígenas ocorram em muitos de seus escritos, podemos encontrar uma série de observações, ao lado de representações pictóricas, em Vues des Cordillères et monumens des peuples indigènes de l’Amérique (Vistas das Cordilheiras e Monumentos dos Indígenas Povos das Américas; 1810).

[xvii] Sobre a relação e a resposta de Clare aos cercamentos em Helpston, ver o quinto capítulo “Enclosure and the poetry of protest” de John Goodridge (2013).

[xviii] Ver Goodridge (2013, p.105).

[xix] Alguns dos melhores exemplos são “The Fallen Elm”, “Remembrances”, “The Lament of Swordy Well” e “The Mores”.

[xx] Citado em Goodridge (2013, p.106).

[xxi] Ver Clare (1990, p.168, 170, 172, 197).

[xxii] A breve celebração de Clare por parte de E. P. Thompson apareceu em um número especial do bicentenário do The John Clare Society Journal (n.12, julho de 1993, p.31); a antologia editada por Merryn e Raymond Williams é John Clare: Selected Poetry and Prose (1986); o artigo de Monbiot sobre Clare é “John Clare, the poet of the environmental crisis – 200 years ago”, The Guardian (9/7/2012).

[xxiii] Sobre esse período inicial da tendência, ver Tony Pinkney (1998, p.411-12).

[xxiv] Ver, por exemplo, Paige Tovey (2013).

[xxv] Pensa-se que a primeira ocorrência da palavra em inglês foi em 1873. O americano George Perkins Marsh, no entanto, já sistematizou alguns dos fundamentos do entendimento “científico” da ecologia em Man and Nature (1864): ver James C. McKusick (2000, p.29, 31).

[xxvi] Ver McKusick (2000, p.19).

[xxvii]Ver Bryan Moore ( 2008, p.89); Rigby (2016, p.4).

[xxviii] Sobre os desenvolvimentos alemães e franceses na ecocrítica, ver, respectivamente, Axel Goodbody (2014, v.36).

[xxix] Ver Joachim Radkau (2014, p.12-20).

[xxx] Para uma discussão da diversidade política do romantismo, com um esboço tipológico, ver o capítulo 2 de Löwy e Sayre (2015).

[xxxi] Ver especialmente o influente trabalho de Timothy Morton (2007).

[xxxii] Ver Louise Economides (2016, introdução).

[xxxiii] Um ecomarxista, no entanto, deu um passo além e sugeriu que o termo “Antropoceno” deve ser substituído por “Capitaloceno” (ver Jason Moore, 2015).

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