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Privatizações e a (não) gestão da energia no Brasil. Um debate sobre a transição da matriz energética

Do IHU, 22 Setembro 2021
Por Roberto Pereira D'Araújo



Na próxima quinta-feira, dia 23 de setembro, às 17h30min, o IHU Ideias recebe Roberto Pereira D'Araújo, engenheiro e diretor do ILUMINA, Instituto de Desenvolvimento Estratégico do Setor Energético, que falará sobre “A (não) gestão da energia no Brasil. Privatização, crise e revisão da matriz energética”.

Com líderes e populações tomando cada vez mais consciência do novo regime climático, a transição da matriz energética se tornou central nos debates político-econômicos, haja vista sua capacidade de suscitar o planejamento com vistas às novas demandas socioambientais, intentando maior sustentabilidade, supressão de atividades econômicas extrativas e poluentes e, automaticamente, a procura por novos recursos naturais menos danosos aos ecossistemas.

Entretanto, o assunto é levantado sob diferentes pontos de vista pelos governantes dos países do norte e sul global, delineando pautas mais progressistas, mas também conservadoras. Em uma entrevista de Antônio Martins, republicada pelo IHU em julho deste ano, Roberto aponta, ao analisar o Brasil, que sofremos “há três décadas tarifaços e apagões desnecessários. Uma revolução tecnológica, em curso, permitiria produzir energia farta, limpa, barata e gerada em parte localmente. Em vez disso, optamos por saída preguiçosa e convencional”.

“Nossa matriz energética é cada vez mais suja”, relata Roberto, “as fontes fósseis, cujo uso era residual até 1998, já respondem por mais de 26% da energia gerada e sua participação não para de crescer. Em 21 de junho, o Congresso aprovou proposta do governo Bolsonaro para que esta marcha rumo ao fundo do poço escorregue mais um degrau. Se não houver resistência, a Eletrobras, último marco de uma rede geradora invejada em todo o mundo há poucas décadas, será vendida até fevereiro”.

O sistema de energia do Brasil precisa enfrentar, hoje, essencialmente dois obstáculos: a privatização e os ajustes fiscais, afirma Roberto. “A primeira entregou um setor altamente estratégico a corporações e fundos financeiros interessados essencialmente em retirar o máximo de receita dos consumidores. Os segundos achataram, mesmo durante os governos de esquerda, o investimento público. [...] Desde o pós-Constituição de 1988, o Brasil viveu o estrangulamento do gasto público, provocado pela crise financeira da dívida externa e pela virada política para o neoliberalismo”.

Roberto Pereira D’Araújo é engenheiro e diretor do ILUMINA, Instituto de Desenvolvimento Estratégico do Setor Energético, pós-graduado em Power Systems Operation & Planning pela Waterloo University, no Canadá, foi chefe de departamento de Estudos Energéticos e de Mercado na Furnas Centrais Elétricas, professor do curso de pós-graduação executiva em Petróleo e Gás do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (COPPE) e professor da Escola de Políticas Públicas e Governo da Universidade Cândido Mendes.


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Acompanhe a palestra de Roberto Pereira D'Araújo sobre o panorama tecnológico e político do sistema de gestão de energia no nosso país, sua possível transição matricial, seu futuro e seus contrapontos.



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