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Doutor Ubiratan: Covid já foi uma tragédia no Brasil este ano, com 212 mil mortes evitáveis; se vier terceira onda, 2021 será ainda pior

Do Viomundo, 24 de Agosto 2021 




O pneumologista Ubiratan de Paula Santos, do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, afirma que as autoridades brasileiras continuam fazendo quase tudo errado no enfrentamento à pandemia da Covid.

Em primeiro lugar, está a falta de coordenação entre o governo federal, os estados e os municípios para levar adiante o Programa Nacional de Imunização, que é responsabilidade do Ministério da Saúde.

Não é fácil promover uma campanha com o governo federal trabalhando contra, diz o médico, mas também há uma falta de coordenação entre o discurso político do governador João Doria e a realidade nas unidades básicas de saúde em São Paulo.

Isso acaba criando atritos entre profissionais de saúde e pessoas que não encontram doses.

O Brasil não está testando e fazendo o rastreamento dos contaminados da maneira como deveria fazê-lo — foi assim que a China conseguiu reduzir casos e mortes.

“Aqui a submissão ao interesse do mercado leva governantes a tomarem decisões que não são as melhores para a saúde pública”, diz o médico, o que causa incerteza e o chamado efeito sanfona — abre e fecha, fecha e abre.

Finalmente, ele estranha que não exista uma campanha massiva nas emissoras de rádio e TV pelo uso da máscara ou dando outras orientações gerais aos brasileiros.

“Toda a tecnologia dos últimos 50 anos, pela maneira que estamos organizando o mundo ocidental, não adiantou, se a gente submete o cuidado da natureza e das pessoas aos interesses do mercado”, afirma.

“É o salve-se quem puder” diz, sobre o espírito do tempo.

Para o doutor Ubiratan, 99% de seus colegas votaram em Jair Bolsonaro, mas agora ele não ouve mais falar sobre o kit covid, talvez por conta de ações judiciais.

Recentemente, a agência dos Estados Unidos que fiscaliza a Saúde disse que a ivermectina, uma das drogas mais recomendadas pelos bolsonaristas, é para “cavalos e vacas”.

O dr. Ubiratan enfatiza o massacre a que estão submetidos os médicos intensivistas e as enfermeiras e técnicas de enfermagem, que assistem 6 de cada dez pacientes intubados saindo mortos das UTIs.

O médico diz que a tragédia de 2021 já aconteceu: o Brasil teve 212 mil mortes evitáveis por demora na compra de doses de vacinas.

Ele lembra que de primeiro de janeiro a 31 de julho o aumento no número de mortes foi de 76% no Reino Unido, 77% na Itália, 74% nos Estados Unidos e 185% no Brasil.

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Isso, por causa da diferença no ritmo de vacinação, que hoje atingiu cerca de 25% dos brasileiros com duas doses, enquanto nos outros países mencionados está entre 50% e 65%.

“Não uso de máscaras, abertura de atividades desnecessárias, falta de rastreamento” devem nos levar a uma nova onda, prevê.

O Brasil já teve 574.848 óbitos por covid.

Entre as semanas epidemiológicas 32 e 33, houve um leve aumento no número de casos registrados — são cerca de 200 mil por semana.

Já as mortes cairam de 6.036 para 5.421.

Dados do Imperial College mostram domínio crescente da variante Delta no Brasil.

Na Flórida, com 52% das pessoas vacinadas com duas doses, a variante já matou mais agora do que nas duas ondas anteriores.

Os Estados Unidos chegaram à média de 150 mil casos no dia 23 de agosto, por conta da variante, mesmo com 52% da população de todas as idades vacinada.

A resposta de empresas e do governo em relação aos negacionistas é tornar a vacinação obrigatória. As Forças Armadas dos Estados Unidos vão exigir isso de todos os seus integrantes, por exemplo.

No Brasil, não parece existir grande rejeição às vacinas, o problema continua sendo o atraso na compra de doses suficientes para enfrentar a pandemia.

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