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Cientistas alertam para as consequências da superexploração da Terra. Artigo de José Eustáquio Diniz Alves

Do IHU, 19 Agosto 2021
Por José Eustáquio Diniz Alves



"Antes mesmo do último relatório do IPCC (09/08/21), milhares de cientistas repetiram apelos por ação urgente para enfrentar a emergência climática, alertando que vários pontos de inflexão agora são iminentes", escreve José Eustáquio Diniz Alves, demógrafo e pesquisador em meio ambiente, em artigo publicado por EcoDebate, 18-08-2021.

Eis o artigo.

“É triste pensar que a natureza fala e que a humanidade não a ouve”
Victor Hugo (1802-1885)


O ano de 2021 tem sido marcado por diversas tragédias climáticas, com ondas letais de calor atingindo zonas frias do Planeta, queimadas destruindo plantações e cidades, degelo dos polos e da Groenlândia e tempestades provocando grandes inundações e mortes.

Nada disto é surpreendente. Ao contrário, os cientistas têm alertado que pontos de inflexão climática são “iminentes”, pois a “superexploração da Terra” tem gerado uma degradação geral da natureza e desestabilizado o equilíbrio homeostático global.


Foto: EcoDebate

Antes mesmo do último relatório do IPCC (09/08/21), milhares de cientistas repetiram apelos por ação urgente para enfrentar a emergência climática, alertando que vários pontos de inflexão agora são iminentes.

Os pesquisadores – parte de um grupo de mais de 14.000 cientistas que assinaram uma iniciativa que declara uma emergência climática mundial – disseram em um artigo publicado na revista BioScience, no dia 28 de julho de 2021, que os governos falharam consistentemente em lidar com “a superexploração da Terra” , que eles descreveram como a causa raiz da crise.

Desde uma avaliação semelhante em 2019, eles notaram um “aumento sem precedentes” em desastres relacionados ao clima, incluindo inundações na América do Sul e sudeste da Ásia, ondas de calor e incêndios florestais recordes na Austrália e nos EUA e ciclones devastadores na África e no Sul da Ásia.

Para o estudo, os cientistas utilizaram os “sinais vitais” para medir a saúde do planeta, incluindo desmatamento, emissões de gases de efeito estufa, espessura das geleiras e extensão do gelo marinho. Dos 31 sinais, eles descobriram que 18 atingiram altas ou baixas recordes. Por exemplo, apesar de uma queda na poluição ligada à pandemia COVID-19, os níveis de CO2 e metano atmosféricos atingiram níveis históricos em 2021.

A Groenlândia e a Antártica mostraram recentemente os níveis mais baixos de massa de gelo e as geleiras estão derretendo 31% mais rápido do que há apenas 15 anos. O calor do oceano e os níveis globais do mar estabeleceram novos recordes desde 2019, e a taxa de perda anual da Amazônia brasileira atingiu o máximo em 12 anos em 2020.

Ecoando pesquisas anteriores, os pesquisadores disseram que a degradação florestal associada a incêndios, secas e extração de madeira está fazendo com que partes da Amazônia brasileira agora atuem como uma fonte de carbono, em vez de absorver o gás da atmosfera: “há evidências crescentes de que estamos nos aproximando ou já cruzamos uma série de pontos de inflexão climática”.

Desta forma, os autores repetiram apelos anteriores por mudanças transformadoras em seis áreas: eliminação de combustíveis fósseis, redução de poluentes, restauração de ecossistemas, mudança para dietas baseadas em plantas, afastamento de modelos de crescimento indefinidos e estabilização da população humana.

Vale a pena ler o artigo apresentado na referência abaixo (Ripple, 2021). Apresento também na referência abaixo (Alves, 2021) uma aula que tive a honra de administrar no curso AM088 “Antropoceno: desafios da complexidade ambiental”, da Unicamp, falando sobre a crise climática, a ultrapassagem da capacidade de carga do Planeta e o decrescimento demoeconômico. Tentei dar um panorama geral da discussão sobre população e desenvolvimento (sustentável). Espero que gostem da aula!

Referências:

Groenlândia bate recorde de degelo em 2021. Disponível aqui.

William J Ripple et. al. World Scientists’ Warning of a Climate Emergency 2021, Bioscience, 28/07/2021. Disponível aqui.

ALVES, JED. Aula 11 AM088: Decrescimento demoeconômico e capacidade de carga do Planeta, IFGW, 11/04/21. Disponível aqui.
Nota da redação EcoDebate:

Leia a síntese das principais conclusões do relatório do IPCC clicando aqui.

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