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Um terço da população carcerária mundial aguarda julgamento

Do IHU, 23 Julho 2021
Por Edelberto Behs, jornalista
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A soma dos habitantes da Bolívia, Burundi, Bélgica e Tunísia equivale à população carcerária mundial. São 11,7 milhões de pessoas. O dado estarrecedor: um em cada três prisioneiros/as está na cadeia aguardando julgamento!

A informação consta no estudo do Escritório da ONU sobre Drogas e Crimes (Unodc), divulgado em Viena na sexta-feira, 16 de julho. O número de presos/as subiu 25% de 2000 a 2019. Há prisões com superlotação, o que aumenta o risco de contaminação da covid-19.

Em maio deste ano, quase 500 mil presos, em 122 países, contraíram a covid-19. Pelo menos 4 mil presidiários/as morreram. Os centros de detenção acabaram por limitar os momentos de recreação, visitações e oportunidades de trabalho, componentes essenciais para a reabilitação, alertou o Unodc.

Enquanto a população carcerária cresceu 68% na América Latina, Austrália e Nova Zelândia nas duas últimas décadas, a América do Norte, África Subsaariana e Leste Europeu registraram uma queda de até 27%, revelou a primeira pesquisa global sobre a situação carcerária.

A maioria dos detidos são homens, representando 93% na média global. No período analisado, a prisão de mulheres cresceu em ritmo muito rápido, 33%.

Presídios brasileiros têm uma população de pouco mais de 680 mil pessoas, das quais 217,6 mil ainda aguardam julgamento, ou seja, 31,9% do total, segundo coleta do G1 no Monitor da Violência referente aos primeiros meses do ano. O Brasil tem 322 presidiários/as para cada 100 mil habitantes.

Considerando o ranking com mais de 200 países e territórios, informam Camila Rodrigues da Silva, Felipe Grandin, Gabriela Caesar e Thiago Reis, do G1, o Brasil ocupa a 103ª colocação, levando em conta também o número de presos/as sem julgamento.

Na pandemia, o número de presos/as no Brasil diminuiu. Ainda assim ele ocupa a 26ª posição no ranking mencionado. São 213 milhões de habitantes e pouco mais de 680 mil presidiários/as. De 709,2 mil presos/as em 2019, o número caiu para 682,1 mil em maio de 2021.

A contar o número absoluto de presos/as, o Brasil ocupa a terceira posição, atrás apenas da China e dos Estados Unidos. O levantamento também mostra um déficit de 241,6 mil vagas nos presídios brasileiros, que têm uma capacidade instalada para abrigar 440,5 mil presos.

O Mato Grosso do Sul é o Estado que tem a maior taxa carcerária do país, com 748 presos para cada 100 mil habitantes. Já a Bahia tem a menor taxa, com 88 presos para cada 100 mil. Da população carcerária brasileira, as mulheres representam 4,5% do total.

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