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Pantanal vive nova seca, chamas já consomem o bioma e queimadas poderão superar as de 2020

Especialistas alertam que estiagem neste ano será mais intensa do que a de 2020, que já tinha sido a pior em 47 anos



Por Pedro Rafael Vilela
Do Brasil de Fato | Brasília (DF) | 18 de Julho de 2021



As queimadas neste ano já começaram, e bombeiros combatem as chamas em Mato Grosso do Sul - Corpo de Bombeiros de MS

Os incêndios já começaram este ano no Pantanal e têm potencial para causar estragos similares ou maiores aos do ano passado, quando o bioma sofreu a pior queimada em quase meio século. De acordo com a organização não governamental SOS Pantanal, o clima mais seco deste inverno, na comparação com 2020, garante as condições climáticas para o desastre ambiental. Se não houver ação humana para evitá-lo, irá acontecer.

"A expectativa para esse ano é que os incêndios sejam fortes novamente porque está mais seco que no ano passado, quando tivemos a pior seca dos ultimos 47 anos", afirma Gustavo Figueroa, biólogo da entidade. As imagens de animais carbonizados e áreas totalmente devastadas pelas chamas circularam o mundo e ajudaram a corroer ainda mais a imagem do Brasil, marcado pelo negacionismo ambiental do governo Jair Bolsonaro (sem partido).

Os impactos dos incêndios, que destruíram 26% da área do bioma, até hoje são considerados inestimáveis. Foram cerca de 4,5 milhões de hectares queimados, área que corresponde a 30 vezes o tamanho da cidade de São Paulo (SP), que mal começaram a se recuperar e já enfrentam nova seca.

Apesar do risco, Figueroa acredita que as entidades da sociedade civil e, principalmente, as autoridades governamentais têm condições de evitar a tragédia, se assim desejarem. "As instituições estão mais preparadas este ano, não apenas as organizações não governamentais, mas governos estaduais e municipais estão mais alertas", afirma. Segundo o biólogo, a SOS Pantanal está estruturando 26 brigadas comunitárias e privadas no entorno do bioma, com a doação de equipamentos e realização de treinamentos.

Em Mato Grosso do Sul, o governo estadual decretou nesta semana estado de emergência por 180 dias. O decreto facilita acesso a recursos extraordinários, inclusive da União, para o combate às queimadas.

Atualmente, os militares do Corpo de Bombeiros atuam em duas frentes no estado. No Pantanal, a Operação Hefesto reúne mais de 80 homens, incluindo suporte de aeronaves, e está combatendo queimadas em diferentes fazendas da região de Corumbá. Na região de Bonito e Jardim, na área do Parque Nacional da Serra da Bodoquena, mais de 3,7 mil hectares foram consumidos pelo fogo, que foi totalmente controlado nos últimos dias, no âmbito da Operação Panemorfi.

Queimadas pelo Brasil

O Pantanal não é o único bioma sob ameaça de incêndios neste ano. No Parque Nacional das Emas, patrimônio natural da humanidade, mais de 28 mil hectares foram atingidos pelo incêndio. Bombeiros conseguiram controlar as chamas no último dia 13. A área é predominante de Cerrado com quase 133 mil hectares, distribuídos entre os municípios de Chapadão do Céu, Mineiros e Serranópolis, no sudoeste de Goiás.

Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a partir de imagens de satélite com alta precisão, mostram que os focos de queimada neste ano estão na mesma média do ano passado. De janeiro a junho de 2021, foram registrados 22.234 focos, contra 2.631 do ano passado. Os meses de maio e junho deste ano já foram piores do que em 2020, quando houve um crescimento de 12,73% em relação ao ano anterior (2019).

Já na Amazônia, o mês de junho teve 2.308 focos de calor (fogo), segundo dados divulgados pelo Inpe. Trata-se do maior registro de queimadas para o mês desde 2007.

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