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Alarme da OMS: “Talvez novas e mais perigosas variantes do Coronavírus estejam chegando”

Do IHU, 16 Julho 2021
Por La Repubblica, 15-07-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.




A Organização Mundial da Saúde (OMS) avisa e alerta que a pandemia Covid-19 não ficou para trás: há de fato o risco que novas variantes ainda mais perigosas possam surgir. Um alerta que aumenta as preocupações, enquanto os casos aumentam em toda a Europa e na Itália, a Fundação Gimbe destaca que mais de 2 milhões de pessoas com mais de 60 anos ainda não foram vacinadas e, portanto, estão em risco. Ao mesmo tempo, a Agência Europeia de Medicamentos (Ema) confirma a eficácia das vacinas também disponíveis contra variantes e em breve um segundo imunizante poderá estar disponível para jovens com mais de 12 anos.

O novo alarme foi divulgado pelo tradicional briefing de Genebra sobre a situação da pandemia: o comitê de emergência da OMS alertou que novas variantes do vírus SarsCoV2 poderiam se espalhar pelo mundo, tornando ainda mais difícil conter a epidemia. "Não acabou de forma alguma", afirmaram os especialistas, ressaltando "a grande probabilidade de surgirem variantes novas e talvez mais perigosas que poderiam ser ainda mais difíceis de controlar". Atualmente, porém, a EMA assegura, um ciclo completo das quatro vacinas anti-Covid disponíveis ainda oferece alta proteção contra todas as variantes em circulação, incluindo a Delta, especialmente contra a doença grave e a hospitalização.

Outra confirmação também vem da publicação a revista New England Journal of Medicine dos dados que confirmam a eficácia da vacina de dose única J&J contra a Delta e a duração da resposta imune por pelo menos 8 meses. Diante de vacinas eficazes, é extremamente importante imunizar o maior número possível de pessoas na Europa. A Agência da UE também está avaliando o pedido de estender o uso da vacina Spikevax da Moderna a jovens entre 12 e 17 anos - atualmente vacináveis apenas com o imunizante da Pfizer - e uma decisão é esperada no final da próxima semana.

Quanto a uma eventual terceira dose, "agora é muito cedo para confirmar se e quando será necessária uma dose de reforço, porque ainda não há dados suficientes das campanhas de vacinação e estudos em andamento para saber quanto tempo a proteção da vacina vai durar", esclareceu o responsável de estratégia de vacinas da Ema, Marco Cavaleri.

Enquanto isso, a campanha de vacinação prossegue na Itália. Mas com um 'calcanhar de Aquiles' que é representado, destaca a Fundação Gimbe em seu monitoramento semanal, pelos mais de 4,7 milhões de pessoas com mais de 60 anos em risco de doença grave não cobertos pela dose dupla da vacina. Destes, 2,2 milhões (12,4%) ainda não receberam nem mesmo uma dose da vacina com diferenças regionais significativas (de 21,8% na Sicília a 7,2% na Apúlia), enquanto 2,55 milhões (14,2%) devem completar o ciclo após a primeira dose. Mas "para determinar o controle da epidemia devemos provavelmente ultrapassar 80% da cobertura vacinal", lembrou Gianni Rezza, diretor de Prevenção do Ministério da Saúde.

Já no início de julho, a OMS havia começado a alertar a população e o mundo científico ao observar a crescente disseminação da variante Delta.

“O mundo vive um ‘período muito perigoso’ da pandemia Covid-19, com a variante Delta já identificada em quase 100 países”. Assim declarava a OMS, sempre através do diretor Tedros Adhanom Ghebreyesus, apenas algumas semanas atrás. Havia a confirmação de que a variante identificada pela primeira vez na Índia continuava a evoluir e sofrer mutações, tornando-se a cepa predominante em muitos países.

“Pedi aos líderes em todo o mundo que garantam que, até esta altura do ano 2022, 70% de todas as pessoas em todos os países sejam vacinadas”, havia afirmado Ghebreyesus - porque isso efetivamente encerraria a fase aguda da pandemia”.

Das doses administradas globalmente, menos de 2% foram nos países mais pobres. A Delta lidera os casos na África, que dobram a cada três semanas, declarou a OMS. A África do Sul tem os dados mais preocupantes, com mais de 20 mil novos casos em 24 horas, elevando o total para 1,9 milhões de infecções e 66.323 mortes. De acordo com os Centros Africanos de Controle de Doenças, trata-se de mais de 30% dos 5,5 milhões de casos relatados pelos 54 países africanos. A OMS explicou que a Delta foi detectada em 97% das amostras sequenciadas em Uganda e 79% no Congo.

Menos de 2% dos 1,3 bilhão de africanos receberam uma dose da vacina. A Johnson & Johnson, entretanto, anunciou que seu soro em dose única "gera forte e persistente atividade contra a Delta" e outras variantes, e que "os dados mostraram que a duração da resposta imune é de pelo menos oito meses".

A Unicef anunciou um acordo com a Janssen para o fornecimento de vacinas por conta da Covax, para um máximo de 200 milhões de doses em 2021 para 92 países, após acordos semelhantes com o Serum Institute of India, Pfizer, AstraZeneca, Human Vaccine and Modern. Os dados são preocupantes em todo o mundo. No Reino Unido, os casos relacionados com a Delta aumentaram 46% em uma semana (dados do Public Health England), enquanto a cepa representa 95% dos casos confirmados. E a Índia ultrapassou a marca de 400 mil mortes, número considerado subestimado devido à falta de testes e dados oficiais. É o terceiro país do mundo a fazê-lo, depois dos EUA e do Brasil.

Um novo recorde de morte foi registrado na Rússia. O Kremlin, no entanto, descarta o lockdown. "Ninguém o quer", disse o porta-voz Dmitry Peskov, admitindo que a situação sanitária é "pesada" em várias regiões. Portanto, "todos nós precisamos ser vacinados o mais rápido possível", acrescentou. Apenas 15% da população russa recebeu pelo menos uma dose da vacina, enquanto pelo menos 20 regiões, incluindo Moscou e São Petersburgo, tornaram a vacinação obrigatória para funcionários de determinados setores. As autoridades registraram mais de 5,5 milhões de casos confirmados, 136.565 mortos

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