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A venda dos correios e o mega monopólio no Brasil, começando pelo fim do pequeno comércio, por Rogério Maestri

A mesma ferramenta de distribuição poderá ser utilizada para criação monopólios NOS MAIS DIVERSOS SETORES, inclusive o industrial


Por Jornal GGN O jornal de todos os Brasis, 8 de julho de 2021
Por Rogério Maestri


Agência Brasil
A venda dos correios e o mega monopólio no Brasil, começando pelo fim do pequeno comércio

Uma das principais bases do governo bolsonarista está prestes a levar uma rasteira que os reduzirão a pó todo o pequeno comércio, frente à quem comprar os correios do Brasil, será quase que o fim desse só talvez subsistindo o comércio de alimentos e isso por algum tempo.

Talvez os bolsonaristas pequenos comerciantes não se deram conta do desastre comercial que essa venda fará aos seus negócios. Não estou falando de queda de vendas, estou falando da extinção de milhões de pequenos comércios pelo país inteiro.

Quem acompanha a venda dos correios não se deu a mínima conta qual é a serventia da compra dos correios, pois a dimensão dessa venda é espetacular, pois quem comprar os correios disporá de um circuito de distribuição para TODO UM PAÍS DE 220 milhões de habitantes a CUSTO ZERO.

Explico a ênfase do parágrafo anterior, os correios são vascularizados em TODO O PAÍS e quem envia qualquer coisa a qualquer lugar do país via correio SUBSIDIARÁ entrega das mercadorias de quem ficar proprietário do correio, ou seja, se empresa que possuir o correio possuirá poderá enviar encomendas a qualquer parte do país sem precisar que os compradores paguem o carreto, pois isso será pago pelas outras empresas e particulares que enviarem pacotes ou correspondências. A venda dos correios estabelecerá um MONOPÓLIO de fato e de direito ao comércio virtual, será um dos maiores monopólios do mundo.

A mesma ferramenta de distribuição poderá ser utilizada para criação monopólios NOS MAIS DIVERSOS SETORES, inclusive o industrial, isso poderá ser feito sem muito esforço, pois com o aumento do trafego vinculado a essa imensa transportadora simplesmente levará a falência não só o pequeno comércio de bairro e das pequenas cidades como também os que consideramos gigantes dos transportes nos dias de hoje. Como o transporte dos centros de distribuição ao destino final é um custo relativamente alto para uma transportadora de cargas e esse será totalmente dominado pela mega empresa que surgirá do correio, produtos industriais de médio e pequeno porte serão transportados pelo correio subsidiando a frota de longo curso, logo as atuais transportadoras gigantes se tornarão nanicas perto de uma só empresa, levando-as falência. Como ação dos órgãos de regulação do monopólio, como o CADE, são lentos e altamente sujeitos a pressão do poder executivo, esse monopólio será ultrapassado com facilidade, e setores que nem se dão conta do risco que representa esse monopólio sofrerão em cascata a ação do mesmo.

Poderia incluir o setor financeiro, pois a porta de entrada seria o setor de seguros para o transporte de cargas, por esse caminho as seguradoras que serão aceitas para o transporte serão algumas seguradoras laranjas que através de operações “casadas” obrigarão a sua contratação.

Dominado ramo do seguro de cargas essas seguradoras poderão trabalhar no vermelho até eliminarem a concorrência. Do setor de seguros ao setor financeiro é somente mudar de porta da empresa, ou mesmo utilizar a mesma. Após a dominação do setor de seguros e financeiro em geral o próximo serão os bancos.

Não falei do setor industrial, mas por exemplo, o polo industrial de Manaus, em que o custo do frete é significativo até o sul do Brasil é uma presa muito fácil de um oligopólio do transporte e também as indústrias de componentes eletrônicos do sul do Brasil é outra presa. Poderia seguir adiante, pois grandes monopólios nunca cansam de se expandir.

Alguém pode dizer que tudo é um exagero, porém estou me baseando na experiência Norte-americana em que Rockfeller se transformou o maior magnata de toda a América simplesmente dominando o transporte de combustíveis via oleodutos. Foram anos de falências de grandes corporações até que o governo norte-americano obrigasse a quebra do monopólio, passando esse a um oligopólio. Ou seja, a experiência do passado nos ensina.

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