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Recusa da vacina da Pfizer foi crime de Bolsonaro contra humanidade, diz cientista político

Em 2020, farmacêutica prometeu devolver dinheiro caso não honrasse com entrega de imunizantes



Por Redação RBA, 14 de Junho 2021 

 
Bolsonaro preferiu se omitir: cientista político Cláudio Couto diz que empresa tornou o risco quase inexistente para o país

São Paulo – Documentos mostram que a Pfizer prometeu ao governo Bolsonaro que reembolsaria o país se não cumprisse o fornecimentos das doses da vacina contra covid-19. Diante da omissão do governo, o cientista político Cláudio Couto afirma que apesar da falta de riscos para o Brasil, Bolsonaro recusou os imunizantes, o que configura claro crime contra humanidade.

A informação foi entregue à CPI da Covid, publicada pela TV Globo na noite do último domingo (13). Em correspondência enviada à Embaixada do Brasil nos Estados Unidos, a farmacêutica “se comprometeria a devolver ao governo brasileiro todo e qualquer pagamento antecipado, na hipótese em que a empresa não consiga honrar a obrigação de entregar a quantidade acordada da vacina”.

Couto, coordenador do Mestrado Profissional em Gestão e Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), diz que a Pfizer tornou o risco quase inexistente para o país, mas Bolsonaro preferiu a omissão. “Não havia motivos para o Brasil não adquirir vacinas e poderia ter antecipado a atividade econômica. A quebradeira de empresas e a perda de empregos poderia ter sido menor. Porém, o governo, hoje, ainda coloca em dúvida as vacinas, então, há todas as evidências que houve o cometimento de um crime contra humanidade. O Bolsonaro deve ser levado aos tribunais internacionais”, afirmou à jornalista Marilu Cabañas, da Rádio Brasil Atual.

Cláudio Couto também comentou a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), deferida no último sábado (12), que manteve as quebras dos sigilos aprovadas pela CPI da Covid dos ex-ministros Eduardo Pazuello e Ernesto Araújo e de Mayra Pinheiro, secretária do Ministério da Saúde.

“É preciso saber o que essas pessoas fizeram, qual foi a rede de contato. Existe o gabinete paralelo que assessorou o presidente, então será que houve contato das pessoas do governo com os médicos negacionistas? O ministro da Saúde teve contato direto com a Capitã Cloroquina (Mayra Pinheiro)? Se houve, será a prova de que existiu uma política pública pelo bando de malucos”, disse.

Moticiata de Bolsonaro

Ainda no sábado, o presidente Jair Bolsonaro passeou de moto com milhares de apoiadores em São Paulo. A motociata foi cheia de ilegalidades, na avaliação do cientista político. Foram gastos mais de R$ 1,2 milhão com o reforço no policiamento, de acordo com a Secretaria de Segurança Pública.

Além disso, Cláudio Couto diz que o evento foi para autopromoção do presidente, em período fora de campanha eleitoral, o que também é crime. “O Bolsonaro está sendo ele mesmo, se comportando do mesmo jeito como deputado. O problema é que as consequências são maiores, agora como presidente. Ele está fazendo campanha antecipada, o que é ilegal, e promovendo eventos de autopromoção com dinheiro público, o que é mais ilegal ainda. Isso precisa ser tratado com mais seriedade pelos órgãos de controle, porque é um absurdo”, criticou.



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