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Mesmo os gestos mais simples são terapêuticos”. O testemunho de Mariella Enoc, diretora do Hospital Pediátrico Bambino Gesù

Do IHU, 14 Junho 2021
Por Andrea Acali, publicada por Avvenire, 12-06-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.



A história de uma experiência humana e espiritual. É narrada no livro Il dono e il discernimento (O dom e o discernimento, em tradução livre) publicado pela Rizzoli, que leva a assinatura do padre jesuíta Francesco Occhetta e de Mariella Enoc, presidente do Hospital Pediátrico Bambino Gesù. A diretora do hospital conta e o jesuíta escreve: disso nasce um diálogo, como explicou o padre Occhetta durante a apresentação, moderado por monsenhor Dario Edoardo Viganò, que "não é uma biografia" mas um "colar de pérolas arrumadas uma após a outra em vários níveis: espiritual, humano, 

A própria Enoc contou como, a partir dessas conversas em sua casa piemontesa com Occhetta (ambos são de Novara), não pensou que um livro iria resultar. E antes da publicação, resistiu bastante, por seu natural caráter reservado que todos reconhecem. Em vez disso, desponta o perfil de uma mulher que a vida muitas vezes colocou na linha de frente e "em subida". “Mas eu nunca escolhi, fui conduzida por um fio vermelho e nunca disse não. A única escolha que eu gostaria de ter feito seria de ir à África para cuidar dos pobres, pobres, pobres ... Na vida recebi muitos dons do Senhor, e entre eles tive que discernir.

Mas a minha vida é normal. E como acabei no Bambin Gesù? Não sei, eu tinha que cuidar da saúde católica, depois em seis meses eu estava lá ... Um dom muito ‘em subida’, as dificuldades são muitas, mas por dentro há uma alegria que não consigo nem expressar para vocês”. Como em toda vida humana, não faltaram temas de sofrimento e dor. Occhetta fez referência ao significado que Enoc dá ao termo cuidado, com três níveis. “O primeiro é saber que até os gestos mais simples são terapêuticos.

O segundo é que o paciente é uma pessoa, antes de um caso a ser estudado. Por fim, aperfeiçoar o refinamento do diagnóstico para distinguir o que pode ser curado pela medicina e o que pode ser curado internamente”. Mas como uma administradora concilia seu papel com a fé? “Também trabalhei em estruturas muito voltadas para o lucro - responde Enoc - e sempre coloquei as minhas condições. Precisam saber qual é o limite a que o lucro pode chegar.

Portanto, em primeiro lugar, as condições éticas”. Depois, há o problema da sustentabilidade. “Um hospital - afirmou - deve ser capaz de inovar, porque senão não terá cura. Devemos ser solidários, mas mantendo as contas em ordem. É um grande esforço”. É necessário “cuidar de forma holística todo o homem, que tem uma dimensão espiritual, mesmo que não seja crente, ou de outra religião. E isso não se faz dizendo frases ‘tipo padre’”. Enoc aprendeu isso pelo Papa, durante sua visita a Palidoro. “Em três horas nunca o ouvi dizer 'coragem, vai ver ...'. Saindo de um quarto, disse a ele que os pais não queriam aceitar a doença do filho. E ele me respondeu: ‘Por que, é fácil aceita-la?’. É a forma de comunicar empatia, de estar junto com o outro. Transmitir não o nosso encorajamento, mas humanidade”.

O último olhar é sobre a saúde católica: “Sofro muito ao ver os hospitais católicos irem tão mal - disse Enoc -. São um grande dom da Igreja que estamos esquecendo, e não só na Itália”. É preciso “redescobrir o espírito do que fazemos. Os hospitais seguiram o público em fazer atividades mais lucrativas”. Em vez disso, é preciso algo mais: “Estou pensando nos pacientes psiquiátricos. Não cuidamos bem o bastante deles, paga pouco, mas a gente tem que cuidar. É lindo dizer ‘vamos manter os idosos em casa’, mas não podemos impor, senão vira ideologia. Defendo o Bambino Gesù com unhas e dentes - concluiu -, fazemos enormes esforços”.

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