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China confronta EUA e pede suspensão imediata do bloqueio econômico contra Cuba

Comunicado de Pequim lembrou que o país norte-americano viola 29 resoluções aprovadas pela Assembleia Geral da ONU e que essa postura de hostilidade contra o país caribenho é uma contradição com o discurso de contribuir com a manutenção da paz e da estabilidade no mundo


Da Carta Maior, 25 de Junho 2021
Por Victor Farinelli


Créditos da foto: (Alexandre Meneghini/Reuters)

Em um comunicado publicado nesta quinta-feira (24/6), o Ministério de Relações Exteriores da China resolver confrontar o governo dos Estados Unidos e solicitar a suspenção imediata de todas as restrições econômicas e financeiras impostas por este governo a Cuba.

Segundo Zhao Lijian, porta-voz oficial da chancelaria chinesa, a posição expressada pelo seu país se baseia na recente resolução da Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre este tema, a qual por sua vez, replica outras 29 resoluções aprovadas todos os anos, todas elas condenando a imposição do bloqueio econômico a Cuba por parte do governo dos Estados Unidos.

A última dessas 29 resoluções foi publicada nesta quarta-feira (23/6) e contou com o apoio de 184 países membros da ONU. Apenas dois países (Israel e os Estados Unidos) votaram contra e houve três abstenções (Colômbia, Ucrânia e Emirados Árabes).

“A Assembleia Geral aprovou 29 vezes resoluções consecutivas que requerem o levantamento do bloqueio econômico e financeiro a Cuba. No entanto, é uma pena que essas decisões não tenham sido colocadas em prática por muitos anos”, lamentou Zhao, em uma entrevista coletiva que ofereceu a meios chineses e estrangeiros logo após a divulgação do comunicado.

Em seguida, o porta-voz enviou um recado mais direto a Washington: “pedimos aos Estados Unidos que levantem todas as restrições econômicas e financeiras contra Cuba. Este não é um pedido da China, e sim um apelo comum de toda a comunidade internacional”.

Antes de encerrar a entrevista, Zhao Lijian disse que a China mantém a esperança de que os Estados Unidos mudarão suas políticas com relação a Cuba, e voltará a ter relações com a ilha socialista mais de acordo com o estabelecido na Carta da ONU, “para evitar cair em uma contradição com seu discurso de contribuir com a manutenção da paz e da estabilidade na América Latina e no mundo”.

O embargo econômico dos Estados Unidos a Cuba está próximo de completar 60 anos: a medida foi lançada em 7 de fevereiro de 1962 pelo então presidente John Kennedy e foi sendo aprimorada através dos tempos.

No entanto, o repúdio internacional ao embargo também alcançará um aniversário redondo no próximo ano: a primeira resolução da Assembleia Geral da ONU contra essa política aconteceu em maio de 1992, e desde então tem sido renovada todos os anos, cada vez com maior adesão.

Diante desse cenário, o governo de Joe Biden declarou, em janeiro de 2021, que pretende rever as políticas dos Estados Unidos com relação a Cuba. Porém, não está claro se essa declaração se refere apenas às medidas tomadas pelo seu antecessor, Donald Trump, que endureceu o bloqueio sobre a ilha, ou se irá rever os abusos cometidos por Washington contra o país socialista nos últimos 60 anos.

Também vale destacar que, nos últimos anos, os Estados Unidos vêm reforçando sua política de bloqueios e sanções contra países que considera adversários geopolíticos. Na lista de países afetados por essa doutrina não consta somente Cuba, mas também: Rússia, China, Irã, Venezuela, Síria, Coreia do Norte, Iêmen, Líbano, Bielorrússia, Sérvia, Zimbábue, Burundi, Sudão, Líbia, Congo, Somália e República Centro-Africana.

*Com informações de Xinhua

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