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Biscoitos e bisnaguinhas contêm resíduos de ao menos nove agrotóxicos, diz Idec

Do IHU, 18 Junho 2021
Por Cida de Oliveira, publicada por Rede Brasil Atual, 16-06-2021.


Idec mostra o padrão alimentar afeta o planeta. (Foto: Reprodução)

Instituto faz testes em oito categorias de bebidas e alimentos industrializados que estão entre os mais consumidos no país.

Pesquisa do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), divulgada na semana passada, encontrou resíduos de ao menos nove agrotóxicos em bisnaguinhas e em biscoitos, de água e sal e recheados. Entre eles, glifosato e glufosinato. Bastante consumidas – por crianças e adultos –, as bisnaguinhas estão entre os itens de panificação mais vendidos no Brasil.

Das quatro marcas pesquisadas pela instituição, uma não continha resíduos de glifosato e outra não tinha glufosinato. Mas em todas foram detectadas pelo menos nove outros agrotóxicos. Entre os biscoitos recheados, nenhuma das quatro marcas analisadas apresentou resíduos de glufosinato. E apenas uma não continha também resíduos de glifosato. As demais continham resíduos de pelo menos três agrotóxicos. Já entre os de água e sal, uma não continha glifosato, mas tinha resíduos de sete outras substâncias.

Outros alimentos

O Idec também pesquisou resíduos de agrotóxicos em outros produtos ultraprocessados. O termo refere-se a formulações com ingredientes como sal, açúcar, gorduras e substâncias de uso exclusivamente industrial, como essências, corantes, acidulantes e conservantes, entre outros. Bastante consumidos no país, os ultraprocessados são ricos em açúcar, trigo, milho e soja. É o caso de refrigerantes, néctares de frutas, bebidas à base de soja, cereais matinais, salgadinhos, biscoitos e pães.

Das bebidas avaliadas, apenas em uma das de soja foram encontrados resíduos de glifosato. Entre os cereais, apenas uma das marcas continha evidências dos dois agrotóxicos, glufosato e glufosinato.

Além destes dois agentes químicos, o Idec fez análises para localizar também diquat, paraquate, Carbendazim, Carbendazim (MBC), benomil, Cialotrina, Lambda, Cipermetrina, Clorpirifós, Clorpirifós-metílico, Bifentrina, Deltametrina, Fenitrotiona, Glifosato, Glufosinato, Malationa e Pirimifós-metílico.

O Idec afirma que os dados obtidos pela pesquisa permitem afirmar que “os ultraprocessados são prejudiciais em diversos aspectos, materializando o conceito de sindemia global. Sindemia, por sua vez, caracteriza a situação em que duas ou mais doenças interagem de tal forma que causam danos maiores do que a soma simples dos danos causados por ambas as doenças.

Os dados preocupam o o professor e pesquisador da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) Marcos Pedlowski. “A partir do que vimos nesse relatório, a situação é muito ruim. Com a aprovação desenfreada de agrotóxicos, isso deverá se agravar”, disse. De acordo com o Observatório dos Agrotóxicos, atualizado por Pedlowski, o governo de Jair Bolsonaro já liberou a aplicação pela agroindústria brasileira de 1.238 agrotóxicos diferentes desde o início de seu mandato.

Clique aqui para acessar a pesquisa completa.

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