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Meritocracia, desmonte de um engodo

Visto por liberais como símbolo de eficiência e justiça, conceito tem outra origem. Retratava uma elite que odeia a igualdade e, para eternizar seus privilégios, despreza outros talentos. Esta face, que homogeniza e embrutece, prevaleceu



De OUTRASPALAVRAS, 10 de Maio 2021
Por Ellen Engelstad, na Jacobin Mag | Tradução: Simone Paz


A meritocracia consiste na ideia de que os mais capazes deveriam governar — e que, portanto, os mais capazes são os que devem chegar ao topo, independentemente de sua origem social. A primeira afirmação parece razoável para muitos, a última obviamente justa. O mundo é complexo e, numa ampla gama de áreas, desde os tribunais até às cabines de avião, a habilidade parece não apenas desejável, mas necessária. E se realmente quisermos encontrar os melhores talentos, então, não deveríamos garantir que todos tivessem as mesmas oportunidades de provar o seu valor?

Numa tentativa de “dourar a pílula”, muitos liberais bem-intencionados pregam o evangelho da igualdade de oportunidades. Todas as crianças devem ter acesso a boas escolas, a um sistema de saúde e a modelos de comportamento seguros, afim de que os talentos ocultos possam ser detectados e aprimorados. Trata-se, basicamente, do famoso sonho americano de trabalhar duro para vencer na vida — embora, à medida que o trabalho manual foi sendo rebaixado, a parte do “trabalho duro” tenha sido substituído pelo foco no “talento”, seja este inato ou aprendido.

Mas, originalmente, a “meritocracia” nem pretendia ser uma coisa boa: o termo foi cunhado pelo sociólogo Michael Young para criticar governos que desistiram do objetivo de uma verdadeira igualdade social. Revisitar seu livro The Rise of the Meritocracy (“A ascensão da meritocracia”) nos ajuda a entender por que a “igualdade de oportunidades” empobrece o valor da igualdade — e por que nosso direito de termos uma existência digna não deveria depender de nossos supostos “talentos”.

Você tinha um emprego


Membro do Partido Trabalhista Britânico, Young foi co-autor de Let Us Face the Future (“Deixe-nos encarar o Futuro”), manifesto que os ajudou a vencer a histórica eleição de 1945. Embora esse governo tenha sido importante para a fundação do Estado de Bem-Estar Social da Grã-Bretanha, Young percebeu que a administração de Clement Attlee começava a se transformar: de uma ideia de dignidade de trabalho e igualdade para todos, para um conceito de “igualdade de oportunidades”. Já em 1944, o exame eleven-plus [espécie de vestibular ao ensino primário] foi introduzido para determinar que tipo de escola secundária as crianças iriam frequentar (a partir dos onze anos de idade), muitas vezes definindo seu curso de vida. Ao mesmo tempo, análises recentes da ascensão da “classe gerencial” vêm anunciando uma nova era de especialistas e de hierarquia social com base no comando da informação.

Em 1958, Young pôs-se a escrever sua resposta — uma história distópica de ficção científica, com um olhar que viria do futuro de 2033 para o seu próprio presente. O narrador, um sociólogo ficcional, traça o desenvolvimento de uma nova ordem social, a partir da década de 1870. Ele conta como a nobreza e os privilégios associados (hereditários) que ela trouxe, foram lentamente derrubados, especialmente graças aos esforços do movimento operário. Mas depois da vitória do Partido Trabalhista em meados do século XX (ou seja, na época de Young), a igualdade alcançada foi sendo revertida e substituída aos poucos por uma nova divisão de classes. Agora não eram mais as pessoas com pais ricos que terminavam automaticamente no topo, mas os inteligentes — aqueles que, com a ajuda de seu poder intelectual, mereciam governar. Mesmo assim, por volta de 2033, nosso sociólogo já poderia falar de uma onda de greves e tumultos contra esse sistema, instigada pelos chamados populistas.

O estilo do livro assemelha-se ao de 1984, de George Orwell. E, assim como o livro de Orwell cunhou novos termos que mais tarde seriam amplamente utilizados, como Novilíngua e Big Brother, Young introduziu o termo meritocracia, composta por mérito (do latim meritus, “merecido”) e krati (do grego kratein, “governar”). A grande diferença encontra-se na maneira como essas palavras recém-cunhadas foram usadas. Embora associar um oponente político ao mundo de 1984 seja obviamente pejorativo, os social-democratas e os políticos liberais abraçaram a “meritocracia” como se fosse uma boa ideia. Apesar de, na verdade, a leitura do livro de Young expor essa ideia sob uma luz muito mais sombria.

Na sociedade que Young retrata, todos estão sujeitos a testes de inteligência ao longo de suas vidas — então, mesmo começando tarde, você sempre terá a chance de subir na pirâmide social, desde que o teste demonstre isso. Mas não existem motivos para reclamar de seus baixos salários ou status se o teste demonstrar que você não é inteligente o suficiente — ou seja, a pessoa sempre estaria exatamente onde deve estar. Esta não era a sociedade à qual o movimento trabalhista aspirava quando lutou por uma educação melhor, ou para abolir um sistema de privilégios não merecidos. Mas suas vitórias foram cooptadas e voltadas para fins diferentes quando os chamados fabianos ganharam poder no movimento trabalhista. Efetivamente, voltando para a realidade, a Sociedade Fabiana foi fundada em 1884 como uma organização socialista que buscava não a igualdade total, mas “uma nova ordem social, construída sobre as capacidades humanas, para ser formada a partir do caos da velha sociedade sem planos.” Em outras palavras: uma meritocracia.

“As diferenças de renda tornaram-se muito maiores e, no entanto, há muito menos conflitos do que antes”, escreve nosso sociólogo fictício em 2033. A razão para isso é que, por um lado, a riqueza e os benefícios para os qualificados e talentosos parecem ser justos porque eles trabalharam por isso, não foi herdado; e, por outro lado, as novas diferenças entre ricos e pobres vêm na forma de benefícios para os ricos, e não apenas de salários mais altos. Paralelamente a isso, o parlamento eleito é enfraquecido em favor dos “técnicos”, burocratas profissionais da administração estadual. O Partido Trabalhista e os sindicatos concordam de maneira lenta, porém segura, com este compromisso.

No entanto, um pequeno grupo de pessoas ainda se apega ao princípio da igualdade, seja em termos de renda como de influência: um grupo conhecido como os “populistas”. As mulheres líderes desempenham um papel especialmente relevante na revolta: já que mesmo as inteligentes que alcançam um status elevado são, ainda, vítimas do patriarcado. Pois, nessa ordem social supostamente harmoniosa, elas continuam sob grande pressão para criar seus próprios filhos “inteligentes” e não apenas entregá-los à vida feito servos “estúpidos”. Assim, mulheres que apenas iniciam suas carreiras são convidadas a desistir de tudo pelo que trabalharam e se concentrar em seus papéis de mães. O sociólogo fictício de Young conclui que essa nova aliança entre líderes feministas inteligentes e as operárias de esquerda não vai durar — afinal de contas, elas têm interesses de classe diferentes.

Embora o autor reconheça que vive em tempos turbulentos, ele prevê que a rebelião populista em curso irá esfriar, será esquecida: a sociedade está focada demais em seus objetivos, e a classe trabalhadora carece de liderança. Ele conclui a dissertação sugerindo que sua previsão provavelmente será confirmada pelo congresso populista marcado para ser realizado em Peterloo no ano seguinte, ao qual ele pretende comparecer como espectador. Na nota de rodapé final do livro, conta aos leitores que ele estava errado. Peterloo causou tanto tumulto que o autor foi morto — e esta tese foi publicada postumamente.

O monstro que Young criou


Analisando-o neste ano de 2021, o livro de Young demonstra uma rara habilidade de previsão. Ele antecipou que a abolição de uma elite hereditária, baseada no poder e na riqueza hereditários, poderia facilmente levar à criação de outra elite, que se sentiria ainda mais legitimada para desfrutar de seus privilégios por tê-los merecido. Young também previu que as décadas de 1960 e 1970 assistiriam a um aumento do radicalismo, um momento histórico para o avanço da esquerda. Mas ela não venceu e a sociedade ficou ainda mais dividida depois da contrarrevolução neoliberal que corroeu o bem-estar universal e o substituiu por soluções privatizantes que aprofundaram a divisão entre as classes.

Young previu toda uma série de consequências negativas do dogma da meritocracia: a guinada à direita do movimento operário, o imparável aumento do prestígio social do conhecimento e da inteligência, a crescente desigualdade, a pressão do tempo para as mulheres que pretendessem estudar e também ter filhos e os privilégios de que a classe criativa teria, mesmo fora do trabalho assalariado. No final das contas, Young previa que a maioria das pessoas acabaria se cansando de ouvir que são burras; e considerando que estariam interessadas na igualdade, se posicionariam do lado dos populistas. Mas o que Young não previu foi o papel desempenhado por sua distopia nesse processo. De forma contrária às suas intenções, a meritocracia seria assumida tanto por políticos conservadores como por social-democratas no mundo inteiro, concebida como uma visão positiva à qual a sociedade deveria aspirar.

Tony Blair e Gordon Brown, dois fabianos famosos fora do mundo da ficção, levaram a meritocracia particularmente a sério. Para Blair, oportunidades iguais para todos — uma verdadeira meritocracia — era sua grande proposta quando foi eleito primeiro-ministro em 1997, resumida no slogan “educação, educação, educação”. Isso frustrou Young e, em um artigo de opinião de 2001, intitulado Down With Meritocracy (“Abaixo a Meritocracia”), ele expressou sua frustração com a interpretação incorreta de seu livro. Ele pediu a Blair que parasse de usar o termo: “É altamente improvável que o primeiro-ministro tenha lido o livro, mas ele se apegou ao termo sem perceber os perigos de sua proposta”. Young argumentou que não há nada de errado em permitir que pessoas de certo mérito prosperem; o problema surge quando os ditos inteligentes e qualificados formam sua própria classe alta e fecham a porta para todas as outras.

Bem como ele previu, o ensino superior tornou-se perversamente o auge do sucesso, não apenas prometendo às pessoas inteligentes uma vida boa, mas também rotulando como perdedores aqueles que não cursam uma faculdade. “[A classe trabalhadora] pode facilmente ficar desmoralizada quando se vê desprezada de forma tão dolorosa por pessoas que se saíram bem. Na verdade, em uma sociedade que elogia tanto o mérito, é muito duro que joguem na sua cara que você não tem nenhum. Nenhuma classe subalterna tinha sido moralmente despojada até este ponto”, escreve Young.

O governo dos especialistas


A maioria das pessoas de mentalidade democrática argumentará que prefere que representantes eleitos decidam sobre grande parte das questões importantes da sociedade. Ainda assim, obter conselhos de pessoas com expertise em uma determinada área, por exemplo obter ajuda de advogados para fabricar novas leis, não é uma ameaça à democracia em si. Ouvir pessoas que sabem muito sobre determinado assunto é uma decisão inteligente, mas os socialistas argumentarão que a expertise pertence a muito mais pessoas do que apenas àquelas detentoras de um diploma universitário. Existe muito conhecimento perto das máquinas da fábrica ou nos corredores dos hospitais, por exemplo. Embora seja possível concordarmos em que é necessário haver alguma divisão de trabalho no governo e na sociedade, nas últimas décadas assistimos a um fortalecimento muito mais profundo dos argumentos tecnocráticos para o “governo dos especialistas”.

A margem de manobra dos Estados-nação se viu reduzido por tratados internacionais, a jurisprudência tem cada vez mais espaço na política e, cada vez mais, é dito aos partidos que seus programas são impossíveis de implementar porque violam regras que estão fora do espaço da tomada de decisões democrática. Como consequência, as diferenças entre direita e esquerda diminuíram e, em muitos países, social-democratas e conservadores que antes eram inimigos, hoje formam uma coalizão.

Ao mesmo tempo, o positivismo voltou a ganhar terreno intelectualmente, transformando dilemas políticos e econômicos em problemas de resposta “certa” e calculável, em vez de questões de debate com diversas respostas, dependendo da posição política de cada um. Verificações de fatos supostamente neutras e a busca pela “verdade” assumiram parcialmente o que costumava ser o campo de debate público.

Mobilidade social


A elite profissional está solidamente ligada à meritocracia, por acreditar que esta garante a todos uma chance de chegar ao topo — e faz com que os melhores cheguem aonde pertencem. Mas eles continuam preocupados com o fato de um sistema meritocrático ser minado por velhas ressacas — e, portanto, se esforçam para melhorá-lo. Avanços como a inclusão das mulheres no mercado de trabalho e no ensino superior, bem como medidas para coibir a discriminação racial e homofóbica explícita, são, segundo o jornalista Chris Hayes, vitórias que ajudam a tornar a meritocracia mais meritocrática.

O fato de um homem negro ter se tornado presidente dos Estados Unidos (e uma mulher quase ter conquistado esse lugar também) mostra o quão longe esse desenvolvimento foi nas últimas décadas. Os liberais afirmam que isso também vai inspirar outros a fazerem o mesmo. É verdade que a eleição de Barack Obama foi uma vitória importante e simbólica. Mas o grande foco em Obama e Hillary Clinton, mais do que em mudanças estruturais para grandes grupos de comunidades negras e mulheres, também mostra a fraqueza dessa estratégia.

Como Thomas Frank escreve em seu livro Listen, Liberal (“Ouçam, Liberais”): “Hillary tende a gravitar em torno de uma versão do feminismo que é sinônimo de meritocracia, no sentido de que ela está preocupada quase exclusivamente com as lutas de mulheres altamente educadas para irem tão longe quanto seu talento permite”. Na verdade, ela estava muito menos interessada na universalização de bens e riquezas pelos quais Bernie Sanders lutava, como o aumento do salário mínimo e a licença parental remunerada. Ela afirmava que também era a favor deste último ponto, mas acrescentando: “não acho que seja possível, politicamente, conseguirmos isso agora.”

O foco não era reduzir as desigualdades, mas garantir que todos tivessem a chance de chegar ao topo. E isso também levanta outra questão: em uma meritocracia, os melhores — especialistas, profissionais — chegam longe para o benefício de todos, mas quem decide quais qualidades devem ser recompensadas em uma sociedade? E aqueles que já se beneficiam da meritocracia não serão tentados a recompensar as qualidades que possuem? Tudo indica que eles fazem exatamente isso, dado que, entre outras coisas, o poder desse grupo aumentou paralelamente ao acentuado aprofundamento da desigualdade geral.

Se a elite dominante realmente tomasse decisões neutras e apolíticas para o bem da população como um todo, então por que somente os super-ricos dos EUA têm se beneficiado com o aumento da produtividade da sociedade desde os anos 1970? Se eles se pretendem “servos do povo” que zelam pelos interesses de todos os cidadãos, como é que sua liderança levou a uma situação em que os bônus pagos em Wall Street em 2014 duplicaram a soma total dos pagamentos de toda a população trabalhadora em tempo integral que ganha um salário mínimo nos Estados Unidos? Os números não são tão contrastantes em meu país, a Noruega, nem em outros países que têm um movimento sindical forte. Mas aqui também, partidos, empresas e especialistas classificam certas políticas que favorecem a desigualdade, como cortes de impostos para os ricos e cortes nas licenças por doença, como neutras e “baseadas em critérios científicos”.

Não queremos uma meritocracia real


O sonho de uma elite seleta e altamente educada para governar a sociedade é muito mais antigo do que o livro de Young. Por exemplo, Platão acreditava que a democracia levaria idiotas ao poder e, em vez disso, propôs uma espécie de ditadura dos filósofos. Hoje, os eleitores de muitos países começaram a optar pelos chamados populistas, como Donald Trump, Rodrigo Duterte, Marine Le Pen e Jair Bolsonaro. Isso tem levantado questões crescentes sobre se a democracia ainda é a melhor forma de governo ou se chegou a hora de adotarmos uma meritocracia real.

Isso não significaria apenas dar mais poder aos burocratas e advogados, mas também, e em particular, restringir a democracia. É o que propõe o livro Contra a Democracia, publicado em 2016 e escrito pelo influente filósofo neoliberal Jason Brennan. Nele, afirma que o eleitorado nas sociedades democráticas desconhece completamente as questões políticas e muitas vezes é incapaz de responsabilizar os políticos. Portanto, as eleições livres constituem um ataque moral à população, cujo destino deveria ser confiado a uma epistocracia dos melhores e mais brilhantes. As mesmas ideias são levantadas em livros como Democracy for Realists (“Democracia para Realistas”) de 2016, e The Myth of the Rational Voter (“O Mito do Eleitor Racional”) de 2007.

À medida que o conhecimento assume um status cada vez mais alto e o retorno do positivismo apresenta a política cada vez mais como uma ciência de respostas certas e erradas, a questão dos meritocratas é: será que a maioria das pessoas tem conhecimento suficiente para tomar decisões sobre nossas sociedades complexas? Eles leram os programas eleitorais de cada partido? E, se não, por que permitimos que decidam o nosso destino? O filósofo norueguês Morten Langfeldt Dahlback diz que a meritocracia não tem porquê “prejudicar o bem-estar dos menos informados” porque “a maioria dos eleitores [vota] com base no que eles acham que vai favorecer o bem comum, e as pessoas com um alto nível educacional costumam ter uma preocupação maior com a justiça social do que as outras”.

Esta é uma perspectiva extremamente perigosa, que carece de base na experiência histórica. Pelo contrário, sempre que uma pequena elite assume o controle sem prestar contas à maioria, as desigualdades aumentam dramaticamente. É por este motivo que na Inglaterra, em 1819, as pessoas se reuniram em St. Peter’s Field, Manchester, para exigir o sufrágio universal, no que entrou para a história como o Massacre de Peterloo. Daí vieram a Revolução Francesa e a Revolução Russa e todas as outras batalhas travadas pelas massas contra as elites dominantes. Não há dúvida de que essas elites eram mais iluminadas culturalmente do que a maioria dos rebeldes, mas de forma alguma isso levou a uma maior justiça social.

Quando hoje em dia as pessoas se reúnem em torno do que é descrito com desprezo como populismo, é porque elas parecem levar essa justiça social a sério, pelo menos falam da desigualdade que sofrem, ao invés de descartar a ação como impossível. Se a resposta a esse movimento for nos privar do direito de voto por não sermos “bem informados”, o resultado certamente será dramático, mas não trará maior igualdade como resultado.


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Em um artigo de 1872, o anarquista russo Mikhail Bakunin já alertava contra a obsessão por uma meritocracia real, um “reinado de inteligência científica, o mais aristocrático, despótico, arrogante e elitista de todos os regimes”. Se aqueles com um alto nível de educação tivessem as rédea solta para governar em virtude de suas qualidades superiores, de acordo com Bakunin, eles criariam “uma nova classe, uma nova hierarquia de cientistas e acadêmicos reais e falsos, e o mundo seria dividido entre uma minoria que governa em nome do saber e uma imensa maioria ignorante”. E então, ele acrescentou: “Ai da multidão ignorante!”. Essa será nossa sina, se aceitarmos a afirmação dos poderosos de que eles estão ali porque são os que sabem fazer as coisas de um jeito melhor.


ELLEN ENGELSTAD
É formada em literatura pela Universidade de Oslo e editora da revista Manifest Tidsskrift.

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