Pages

Hamas relata 83 palestinos mortos, 17 crianças

Televisão israelense transmitiu ao vivo, no horário nobre, o linchamento de um homem considerado árabe por seus agressores, ativistas de extrema direita perto de Tel Aviv.


Da Carta Maior, 13 de Maio 2021
Por Libération e AFP



Créditos da foto: Palestinos caminham em meio a escombros perto da Torre al-Sharouk, que abrigava o escritório da estação de televisão Al-Aqsa na Faixa de Gaza controlada pelo Hamas, depois de ter sido destruída por um ataque aéreo israelense na quinta-feira. (Mohammed Abed / AFP)

O número de palestinos mortos, desde segunda-feira (10), elevou-se para 83, de acordo com um novo relatório do Hamas. O movimento islâmico palestino relatou, na quinta-feira (13), 16 novas mortes por ataques israelenses na Faixa de Gaza, elevando o número de palestinos mortos desde o início das hostilidades para 83, "entre os quais 17 crianças e 487 pessoas ficaram feridas".

Um linchamento ao vivo.

Israel ficou em choque na noite de quarta-feira após a transmissão ao vivo, no horário nobre da televisão, do linchamento de um homem considerado árabe por seus agressores, ativistas de extrema direita perto de Tel Aviv. Essas imagens dolorosas mostram um homem sendo forçado a sair de seu carro e depois severamente espancado por uma multidão de várias dezenas, até perder a consciência. O incidente, cujas imagens foram transmitidas ao vivo pela emissora estatal Kan, aconteceu no calçadão à beira-mar em Bat Yam, uma cidade ao sul da área metropolitana de Tel Aviv. A polícia e os serviços de emergência só chegaram quinze minutos depois. Durante esse tempo, a vítima permaneceu esticada, inerte, no meio da rua.

Exército israelense cancela folgas e chama reservistas

O Tsahal [Exército de Defesa de Israel] cancelou as permissões de folgas dos combatentes e chamou 7.000 reservistas. Quase metade desses reservistas são de unidades de defesa aérea, artilharia e médicas. A outra metade trabalha em postos administrativos e de inteligência, disse o porta-voz do exército israelense, Hidai Zilbermann. Tanques e veículos blindados foram posicionados ao longo da fronteira com a Faixa de Gaza. "Estamos prontos e continuamos a nos preparar para diferentes cenários", disse Jonathan Conricus, também porta-voz do Tsahal, à AFP, acrescentando que uma invasão terrestre é "um dos cenários". Na quinta-feira, Benjamin Netanyahu visitou o local de uma bateria de escudo antimísseis "Iron Dome". “Vai demorar (...) mas vamos restaurar a paz em Israel”, declarou.

“O exército continuará a atcar”, diz ministro da defesa israelense

Os líderes de ambos os lados continuaram com suas declarações belicosas. "O exército continuará a atacar para garantir uma calma completa e duradoura", disse o ministro da Defesa israelense, Benny Gantz, durante uma visita a Ashkelon, que foi atingida por uma chuva de foguetes. “Se [Israel] quer uma escalada, a resistência está pronta”, advertiu o líder do Hamas, Ismail Haniyeh. O movimento islâmico armado, que controla a Faixa de Gaza, confirmou na tarde de quarta-feira a morte de vários de seus comandantes nos ataques israelenses, incluindo um líder de seu braço armado, as brigadas Qassam.

EUA tentam se equilibrar na retórica

Diante do temor de uma nova escalada, iniciativas internacionais foram iniciadas. Os Estados Unidos anunciaram na tarde de quarta-feira o envio de um enviado ao Oriente Médio para exortar israelenses e palestinos à "desescalada". Em um ato de equilíbrio retórico, o Secretário de Estado Antony Blinken condenou "com a maior firmeza" os ataques de foguetes do Hamas e enfatizou que Israel tinha "o direito de defender seu povo", mas tinha que "fazer o máximo possível para evitar baixas civis". Pouco antes, a União Europeia, por meio de seu ministro das Relações Exteriores, Josep Borrell, havia pedido o "fim imediato" da violência em Israel e nos Territórios Palestinos para "evitar um conflito mais amplo".

Delegação de segurança egípcia

As discussões para um cessar-fogo teriam começado sob a égide do Egito, em coordenação com mediadores internacionais e árabes, incluindo Jordânia, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Estados Unidos. De acordo com a mídia do Golfo Árabe, uma delegação de segurança egípcia de alto nível deve visitar Gaza e Israel para tentar negociar com os beligerantes. Mas o processo promete ser longo e complicado devido aos espíritos exaltados no local.

*Publicado originalmente por Libération | Tradução por César Locatelli

Nenhum comentário:

Postar um comentário