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Dulce Pereira: Chineses vem ao Brasil em busca de terras raras e a necroengenharia pode acelerar devastação ambiental

Do Viomundo, 04 de Maio 2021 





Dulce Maria Pereira*, professora da Universidade Federal de Ouro Preto, é uma das mais renomadas estudantes da mineração e seus impactos no Brasil.

Depois de estudar detalhadamente os métodos aplicados pela indústria em seu próprio estado — inclusive nos desastres de Mariana e Brumadinho, que devastaram os vales dos rios Doce e Paraopeba — ela agora tem se debruçado sobre a Amazônia.

Dulce acredita que chegou o momento de transformar o tema em debate nacional, uma vez que o Brasil está repetindo fora de Minas o mesmo processo de extração mineral baseado na necroengenharia, que basicamente empurra para debaixo do tapete os rejeitos, concentra a riqueza na mão de poucos e corrompe o Poder Judiciário para perpetuar práticas que desconsideram os seres humanos.

“Minas é hoje um depósito de rejeitos” — ela repete a frase de um colega de academia –, quando o mundo já dispõe de técnicas de engenharia para reduzir danos ambientais e reaproveitá-los sem causar contaminação do solo, das águas, das florestas e das pessoas.

Ela se refere à chamada Governança Ambiental, Social e Corporativa, conhecida pela sigla ESG, como uma ameaça: as regras desenvolvidas pelas próprias corporações poderiam se sobrepor à legislação nacional, enfraquecendo a proteção do território brasileiro.

Depois da pandemia de coronavírus, o PIB chinês registrou crescimento de 18,3% no primeiro trimestre de 2021 e há uma tendência internacional à valorização das commodities das quais o Brasil é produtor.

É neste embalo que o governo Bolsonaro, para se reeleger em 2022, está alterando as regras da mineração e tentando autorizá-la inclusive em territórios indígenas.

Segundo Dulce, a nova onda deve se concentrar nas chamadas “terras raras”, com forte investimento chinês, uma vez que os metais encontrados nelas são utilizados em produtos de alta tecnologia, como supercondutores e materiais essenciais, por exemplo, para a fabricação de carros elétricos.

A China dispõe dos maiores depósitos de terras raras do planeta, mas o investimento no Brasil é explicável: com o controle da maior parte das jazidas, o país poderá ditar o preço internacional.

Ouçam, acima, a entrevista completa de Dulce, para ter uma dimensão do que a necroengenharia fez em Minas Gerais e está repetindo em todo o Brasil.

*Graduada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de Brasília, tem experiência, principalmente, nos seguintes temas: Cidadania, Concertação Diplomática, Sustentabilidade, Mulher e Gênero, Ecodesenvolvimento, Diversidade e Inclusão, Sustentabilidade em Gestão e Administração. É professora do Centro de Educação Aberta e a Distância da Universidade Federal de Ouro Preto (CEAD/UFOP), onde desenvolve pesquisas em ecotecnologias e materiais para a redução do uso de recursos naturais, com ênfase em edificações, organização espacial e ensino das referidas áreas. Dedica-se à formação e capacitação em educação ambiental, inclusão e temas socioambientais. É coordenadora do Programa Agenda 21 e Núcleo de Estudos do Futuro do Departamento de Engenharia de Produção, Administração e Economia, da Escola de Minas (UFOP) e do Processo Formativo em Educação Ambiental Escolas Sustentáveis e COM-VIDA, do CEAD (UFOP).

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