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Ban Ki-moon, ex-secretário-geral da ONU, descreve a pandemia de “último alerta da natureza”

Do IHU, 13 Mai 2021
Por Jun Ji-Hye, publicada por Korea Times, 13-05-2021. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.


A pandemia em curso pode ser o “último alerta da natureza” que está cobrando com urgência respostas imediatas da humanidade à crise climática, afirmou Ban Ki-moon, ex-secretário-geral das Nações Unidas.

Ban, que atualmente dirige a Fundação Ban Ki-moon para um Futuro Melhor, fez a declaração durante o Fórum Coreia 2021, organizado pelo Korea Times e o jornal Hankook Ilbo.

“A pandemia de covid-19 é um fenômeno da crise climática”, afirmou na mensagem ao fórum, que ocorreu no Cultural Depot Park, em Seul. “Depois do surto do vírus, as pessoas perceberão a necessidade de fundamentalmente resolver os problemas ambientais para a sobrevivência sustentável”, continuou.

Ban mencionou seu encontro com o Papa Francisco, no Vaticano, no qual este lhe disse: “Deus sempre perdoa, e o homem algumas vezes perdoa, mas a natureza nunca perdoa”.

O também ex-ministro das Relações Exteriores da Coreia do Sul destacou a necessidade de as pessoas estarem conscientes que a destruição do ecossistema, produto da mudança climática, causa os surtos de vírus e sua disseminação.

“Se as pessoas levassem as questões climáticas mais a sério e percebessem a preciosidade da natureza mais cedo, nós talvez não estaríamos sofrendo com a pandemia de covid-19”, afirmou Ban.

Em meio a uma crescente conscientização da seriedade das questões ambientais, 195 países adotaram o Acordo de Paris na 21ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, tentando limitar o crescimento médio da temperatura da Terra até 2100 para menos de 2° C, preferencialmente 1,5° C, comparado aos níveis pré-industriais.

Ban, que liderou a adoção do tratado internacional como líder da ONU, disse que a comunidade internacional deve continuar a reunir forças para conseguir a neutralidade do carbono.

“Devemos também atentar para a tendência recente de que a mitigação, que tem como foco a redução das emissões de gases de efeito estufa, seja agora paralela à adaptação, que visa minimizar os danos causados pelas mudanças climáticas e ajudar os países vulneráveis a se adaptarem melhor às mudanças climáticas”, afirmou.

Durante o fórum, o ministro do Meio Ambiente, Han Jeoung-ae, falou sobre a meta da Coreia de alcançar a neutralidade de carbono até 2050, dizendo que o país deve alcançar isso, embora não seja fácil, considerando que a nação alcançou crescimento principalmente através do desenvolvimento de produtos químicos industriais que emitem muitos gases de efeito estufa.

“Vários especialistas estão trabalhando agora para traçar possíveis cenários para alcançar a neutralidade de carbono”, disse ela. “Assim que esses cenários forem produzidos, o governo realizará discussões aprofundadas com as partes interessadas, incluindo empresas, para fazer planos detalhados e definir nossas metas em outubro, no mínimo”.

De sua parte, o The Korea Times e o presidente do Hankook Ilbo, Seung Myung-ho, disseram em seu discurso de boas-vindas: “Todos os países, independentemente de serem desenvolvidos ou subdesenvolvidos, e todas as pessoas, independentemente de sua religião e raça, devem dar as mãos para resolver a crise climática”.

Em seu discurso de parabéns, o presidente da Assembleia Nacional, Park Byeong-seug, observou que a Coreia sediará a Cúpula P4G de Seul de 30 a 31 de maio, para sugerir novos paradigmas para o crescimento verde.

P4G significa “Partnering for Green Growth and the Global Goals 2030” (“Parceria para o Crescimento Verde e os Objetivos Globais 2030”, em tradução livre), que é uma iniciativa público-privada para enfrentar a mudança climática e outros desafios para o desenvolvimento sustentável.

“A Assembleia Nacional apoiará ativamente as políticas do governo destinadas a alcançar a neutralidade do carbono”, disse ele.

O prefeito de Seul, Oh Se-hoon, enfatizou o papel das cidades metropolitanas, como Seul, dizendo que a capital prometeu cortar as emissões de gases de efeito estufa em 40 por cento até 2030.

“Este objetivo requer a participação e cooperação das empresas e dos cidadãos, pois todos teremos de suportar muitos incômodos para o alcançar”, disse Oh.

Enquanto isso, Jeffrey D. Sachs, professor de economia de renome mundial e diretor do Centro para Desenvolvimento Sustentável da Columbia University, participou do fórum por meio de uma videochamada e destacou a importância da cooperação regional no desenvolvimento de energia renovável.

“Até que ponto a Coreia pode se beneficiar de sua conexão com os vizinhos, como China, Japão e o resto da Ásia, em uma estratégia de sistema de energia interconectado?” ele perguntou, observando que uma interconexão em grande escala continental pode fazer muito sentido quando se trata de energia renovável, porque um lugar estaria ensolarado quando o outro ventasse.

“Há melhores chances de ter energia renovável por meio disso”, disse Sachs.

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