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Sociedade civil lança manifesto por ação de governadores contra pandemia. Assista

Carta contra a insensatez do governo Bolsonaro na pandemia será entregue ao governador do Piauí, Wellington Dias, coordenador do Fórum Nacional de Governadores


Da Rede Brasil Atual, 15 de Março 2021

Marcello Casal Jr. / ABr

Hospitais estão à beira do colapso, diante da falta de coordenação e ação do Governo Bolsonaro para o combate à pandemia

São Paulo – A carta O povo não pode pagar com a própria vida!, assinada por entidades da sociedade civil que defendem os direitos humanos e protocolos científicos, será entregue nesta segunda-feira (15) ao Fórum Nacional de Governadores, liderado pelo governador do Piauí, Wellington Dias em favor de ações de combate à pandemia. O ato será realizado às 11h30 e terá transmissão pela TVT.

Sob a rubrica de Dom Walmor Oliveira de Azevedo, presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB); Felipe Santa Cruz, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB); José Carlos Dias, presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos Dom Paulo Evaristo Arns, da Comissão Arns; Luiz Davidovich, presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC); Paulo Jeronimo de Sousa, presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI); e Ildeu de Castro Moreira, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), a carta é endereçada à governadores, prefeitos, Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal (STF), numa tentativa de desentorpecer esses poderes e instituições diante da falta de coordenação e ação do Governo Bolsonaro para o combate à pandemia.

“É mais do que um documento político. É um documento humanitário, que apela para a sensatez, lucidez em contraposição à insensatez que estamos presenciando”, explica Davidovich.

A ação junto aos governadores chega no momento mais dramático vivido pelo país, desde o início da pandemia, decretada em 11 de março de 2020, um ano atrás. Um dia depois, 12 de março de 2020, foi oficializada a primeira morte pela covid-19 no país, que já contava com cerca de 300 casos da doença. Era de uma mulher de 57 anos, internada num hospital da zona leste paulistana.

Desde então o país atravessou sua mais grave crise sanitária do século. Já são 11,5 milhões de infectados e 278 mil mortes. O professor Luiz Davidovich explica que se trata de um movimento “de baixo pra cima” e que propõe o enfrentamento da crise de saúde, que fez com que novas cepas da doença, com características mais agressivas e de maior contágio se propagassem pelo país. “Esses novos vírus nascem onde há descontrole. Onde há falta de cuidados com a população e ameaçam não só a sociedade brasileira, como o mundo inteiro”.

Experiência com o H1N1

O médico sanitarista e pesquisador da Fiocruz José Gomes Temporão, que foi ministro da Saúde entre 2007 e 2010, lembra que desde o ano passado os pesquisadores e cientistas sanitários têm alertado ao Governo Federal sobre a necessidade de ações mais assertivas contra a disseminação do coronavírus. “Falo da experiência de quem viveu, como ministro, a pandemia do H1N1. O governo e vários órgãos, ministérios e instituições, compõem um comitê permanente, presidido pelo Ministério da Saúde, que vai a partir dali estabelecer todos os processos e estratégias de enfrentamento. É algo complexo. O governo começou fazendo isso, através do ministro (Luiz Henrique) Mandetta e do ministro (Nelson) Teich. Mas, rapidamente, o olhar do presidente da república e de quem o assessorava à época contaminou todo o processo”.

Temporão relembra que o resultado foi o desmonte e ruptura do ministério e a nomeação do general Pazuello, uma pessoa desqualificada ao cargo e que compôs uma equipe também desqualificada. “Perdeu-se a integridade do órgão público federal, responsável por liderar esse esforço. É ele (Ministério da Saúde) que mobiliza a sociedade e monta um plano de comunicação com transparência. Quem discute com estados e municípios. Quem convoca as forças vivas do país pra somar esforços”, enumera, defendendo ações intersetoriais que unam políticas de emprego, econômica, alimentar, saúde e educação.

“Fizeram exatamente o contrário. Apostaram que o vírus iria sumir, que viriam medicamentos que, tomados precocemente, poderiam impactar na precaução da doença”, lamenta, concluindo. “Em vez de sentar com o Butantã e o Bio-Manguinhos, e chamar os cientistas. De conversar com o PNI (Plano Nacional de Imunização), que é o melhor programa de vacinação do mundo, lá em maio e prospectar as vacinas candidatas e fazer pré-contratos”.

O ex-ministro acredita que a eventual substituição do ministro Eduardo Pazuello, que ganhou força no domingo (14), não resolveria a falta de rumos. “Teria que mudar tudo. Fazer uma autocrítica, dizendo que ivermectina e hidroxicloroquina não funcionam. Que o que funciona é isolamento e buscar mais vacinas. O que tem acontecido é o esforço de governadores e prefeitos, que busca fazer frente diante da ausência da autoridade sanitária nacional, que é o Ministério da Saúde”.

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