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Petista Edinho apanha de negacionistas por fechar Araraquara, mas cientistas dizem que a cidade pode ser a primeira de muitas a enfrentar calamidade em SP; entenda

Do Viomundo, 20 de Fevereiro 2021




O prefeito petista de Araraquara, Edinho Silva, está apanhando de negacionistas nas redes sociais por ter decretado um lockdown de 60 horas na cidade do interior paulista.

#Araraquara foi parar nos trending topics do twitter neste sábado.

O prefeito diz (ver acima) que tomou a decisão orientado pelas maiores autoridades que conseguiu consultar sobre o repentino aumento de casos no município.

As variantes de Manaus e do Reino Unido já foram encontradas em Araraquara.

Estudos iniciais sugerem que ambas têm maior transmissibilidade.

O Diretório Estadual do PTB entrou com ação para que a decisão do prefeito seja considerada inconstitucional.

O deputado estadual bolsonarista Douglas Garcia também foi à Justiça:

Acabo de entrar com uma ação judicial pelo PTB/SP pedindo a derrubada do lockdown em Araraquara/SP. Impedir o povo a trabalhar não é controle! O petista Edinho Silva, amante do autoritarismo, não pode impor ao povo este sofrimento! Esperamos uma resposta do TJ de SP!


O gráfico de internações em Araraquara e o do aumento do número de óbitos por covid em algumas cidades do interior paulista foram publicados por @mari_colnago no twitter. Fonte: http://spcovid.net.br



Vários cientistas têm alertado que o que está acontecendo agora em Araraquara, com 100% dos leitos de UTI ocupados, pode acontecer em várias outras cidades de São Paulo.

E que o Brasil ainda não pagou a “conta” das aglomerações do Carnaval.



Isaac Schrarstzhaupt, coordenador na Rede Análise Covid-19, avaliou a situação de Jaú, que fica a 80 km de Araraquara (ver gráfico acima).

Ele alerta que as pessoas e as autoridades podem ser facilmente enganadas pelos gráficos que mostram queda de casos e óbitos, por conta de uma análise temporal errônea.

Sugere que pode vir uma terceira onda.

Ele fez uma preciosa análise no You Tube:

A doutora Mellanie Fontes-Dutra também fez sua análise, muito didática, no twitter:

Acho muito triste que, em pleno 2021, defender medidas restritivas já é diretamente associado a ‘lockdown’. Gente, existe um espectro de medidas restritivas existentes e necessárias. A medida que a situação agrava, mais medidas vão sendo somadas.

Existe uma questão bizarra acerca do lockdown que é em decorrência de sua implementação tardia.

Quem segue o @schrarstzhaupt
sabe que existe um momento para tu implementar, no geral é um momento antes da subida acelerada dos novos casos, por exemplo.

Vi “lockdown” nos trending topics e percebi que alguns ainda dizem que afastar as pessoas umas das outras não resolve uma epidemia de vírus respiratório. Sigam o fio de 16 tweets para vermos juntos esse artigo:

Muita gente que demoniza completamente o lockdown não está ciente disso e usa exemplos de locais que implementaram muito tarde.

Se eu tenho um foco de fogo na cozinha e uso um copo d’água o mais cedo possível, eu evito que o fogo cresça e se alastre.

Agora, quando o fogo já está muito intenso e se alastrando, e eu uso esse mesmo copo d’água, ele tem um resultado diferente do primeiro caso, não é?

Por isso o monitoramento é tão relevante, é importante estarmos atentos na obtenção de dados o + fiel possível a nossa realidade.

Pois são esses dados que vão poder respaldar medidas assertivas, medidas que realmente terão um impacto na situação.

Mas sinceramente, nem era nesse assunto em específico que eu queria me ater, e sim, às medidas de enfrentamento.

Vocês já ouviram mil vezes neste perfil eu comentar sobre as variantes de atenção (VOCs) e mais outras infinitas vezes em perfis tão melhores quanto esse aqui, inclusive. São vários especialistas alertando que o cenário é diferente, e requer muito mais adesão no enfrentamento.

Hoje mesmo uma nova variante foi descoberta no Japão, que contem a mutação E484K e já tem 91 pessoas infectadas na região de Kanto (!) alertando as autoridades para uma possível maior transmissibilidade.

No Brasil, temos a P1, P2, a B.1.1.7 (UK), potencialmente outras tantas variantes aí que ainda estamos pra entender a sua prevalência, ou seja, o quão elas estão presentes na população infectada pelo SARS-CoV-2.

E no meio disso, temos as vacinas!

As vacinas salvam vidas, e irão ser nossa principal aliada para sair da pandemia. Mas temos uma limitação nesse momento de fornecimento e doses, IFAs, de ainda não termos feito a transf. de tecnologia (que está prevista) e enfim, faltam vacinas.

E nesse cenário temos o Carnaval, que uma GALERA resolveu esquecer que a pandemia existe (pena que a pandemia não esqueceu de nós também), e foi se aglomerar na praia ou no lugar que for. A situação hoje já é de extrema preocupação, e ainda NÃO É REFLEXO dos contatos do Carnaval.

UTIs aumentando sua ocupação no dobro de velocidade do que em cenários anteriores, uma aceleração que por si só já nos coloca num estado de alerta absurdo de um possível colapso que pode vir quando os casos do carnaval chegarem.



@EduardoLeite_ [governador do Rio Grande do Sul] está fazendo uma live no facebook do @governo_rs agora, demonstrando que o crescimento das ocupações na UTI estão numa velocidade MUITO mais rápida do que anteriormente (+2x superior).


O que temos então:

— subnotificação e pouca testagem;
— não sabemos a implicação das variantes no cenário;
— não sabemos o quão presentes (e quais) as variantes que estão circulando nos estados;
— muitas UTI em acelerado crescimento em ocupação;
— aglomerações;
— população com baixa adesão às medidas de enfrentamento (pessoas que não estão usando corretamente a máscara, praticando distanciamento físico, evitando aglomerações…);
— negacionismo e gestores de alguns locais que defendem ações sem respaldo ou evidência científica;
— escassez de vacinas nesse momento para agilizar o processo de vacinação;
— volta às aulas em alguns locais em meio a um descontrole da pandemia, o que pode expor prof. da educação e as próprias crianças.

Para tu que tá achando que tá tudo de boa: isso não te preocupa?

Um dos nossos instintos mais antigos é o da sobrevivência. Vivemos em sociedade e prezar pela saúde da sociedade também é instintivo em organismos que vivem em sociedade.

Ou essas pessoas não entendem que o perigo é real, ou existe algum delírio envolvido nessa percepção.

Está bem exposto, nos tuítes acima, a gravidade do perigo que estamos enfrentando. Da situação que está se estabelecendo diante de nós (e não é por falta de avisos).

Reflita consigo, com suas atitudes, ações, visões de mundo. O que você ganha fingindo que o perigo não é real?


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