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Até crianças trabalhavam em situação degradante em fazenda no interior de Minas

Fiscalização encontrou uma família inteira em más condições de trabalho e moradia. Só o pai recebia “pequenos valores eventualmente”

Fotos SRT/MG

Pai e filho no trabalho: sem qualquer proteção, mesmo lidando com agrotóxicos


Da Redação RBA, 26 de Fevereiro 2021 


São Paulo – Uma família de sete pessoas, sendo cinco crianças, era mantida em situação degradante de moradia e trabalho no interior de Minas Gerais, segundo auditores-fiscais. Três dos menores – de 9, 10 e 13 anos – “estavam submetidos a trabalho na lavoura, na aplicação de adubos e na limpeza da propriedade, incluindo a casa principal da fazenda”.

A operação dos auditores-fiscais do Trabalho foi feita entre segunda e quarta-feira (22 a 24), na zona rural de Minas Novas, no Alto Jequitinhonha, sudeste do estado. Na fazenda, a aproximadamente 80 quilômetros da cidade, havia lavouras de café e florestas de eucalipto.

Sem pagamento

“Eles estavam na completa informalidade e apenas o trabalhador adulto recebia pequenos valores como salário eventualmente, já que o empregador também costumava reter os valores, conforme ele mesmo confessou”, informa o Sinait, o sindicato nacional dos fiscais. “As crianças e a esposa do trabalhador não recebiam qualquer valor, mesmo executando atividades na propriedade.”


De acordo com o relato da situação degradante, a alimentação da família era “deficiente”. “As refeições resumiam-se a café puro pela manhã, arroz, feijão e macarrão no almoço e jantar. Algumas vezes havia toucinho e mortadela”, afirmaram os fiscais. “A situação em que encontramos essas pessoas era precária e tocante, e deve haver mais famílias na mesma situação”, declarou o auditor-fiscal Hélio Ferreira Magalhães, da Superintendência Regional do Trabalho de Minas (SRT-MG).


Sem porta, banheiro era separado da casa por um pano

Além disso, a moradia apresentava diversos “problemas estruturais”, nas paredes, piso e telhado. “Não havia chaminé e toda a fumaça produzida no fogão de lenha, o único existente, ficava retida no interior da casa, causando problemas respiratórios nos moradores. Não havia camas suficientes para todos, que se espremiam nos poucos e pequenos leitos. Os moradores sofriam ainda com dezenas de goteiras no telhado.”

Com instalações sanitárias “em péssimas condições”, segundo a fiscalização, a família fazia suas necessidades fisiológicas no mato, inclusive as crianças. O banheiro não tinha porta, nem descarga ou fossa. “O chuveiro tinha partes expostas nas instalações elétricas, apresentando curto-circuito e risco de eletrocussão das pessoas”, relataram os auditores.
Trabalho sem proteção

Também não havia fornecimento de equipamentos de proteção individual (EPIs), “e os trabalhadores aplicavam adubo e agrotóxicos desprotegidos”. O empregador chegou a cobrar pela única bota de vinil que foi fornecida.

Os fiscais notificaram o proprietário para apresentar documentos e deram prazo para pagamento de verbas rescisórias. “O empregador tem que providenciar uma nova residência para a família, onde ela ficará até que seja concluído o procedimento.”

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