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Uma saída de mercado: a nacionalização da Ford em ressarcimento dos subsídios recebidos

Se Paulo Guedes não fosse um Ministro de idéias tão minúsculas, haveria um amplo espaço para juntar a produção brasileira com os financistas. Eles trocariam esse papel predatório de operações sem risco em cima de bens públicos, e se legitimariam perante a opinião pública - além das boas possibilidades de lucro.


Do GGN, 13 de Janeiro, 2021


Nos últimos anos, a Ford recebeu R$ 15 bilhões em subsídios. Mais que isso, teve ganhos expressivos de Tesouraria. Saiu da noite para o dia deixando 5 mil famílias desamparadas, dos empregos diretos perdidos. Mais que isso, deixando na mão os fornecedores, a rede de revendas, os estados que a receberam. E isto em plena pandemia.

Se a Câmara quiser dar um passo graúdo, há um caminho rápido, permitindo a criação de uma empresa automobilística nacional.

1. Uma lei promovendo a nacionalização das fábricas, invocando medidas de emergência, em função da pandemia. Por nacionalização não se entenda a estatização, mas a transformação provisória das fábricas Ford em um ativo do país, em ressarcimento aos subsídios recebidos no período. Depois, vai se discutir em tribunais internacionais.

2. Abrir uma licitação para grupos que se interessem em assumir a empresa, dando preferência para a rede de fornecedores e de distribuidores. Está ai o grupo CAOA, há tempos tentando forçar a transferencia de tecnologia de empresas coreanas e chinesas.

3. O BNDES poderia cumprir papel essencial no desenho e financiamento da operação, analisando modelos competitivos, desenhando o escopo dos consórcios que poderiam disputar as fábricas.

O início da indústria automobilística brasileira aconteceu quando JK, no Plano de Metas, obrigou as entrantes a se associarem ao capital financeiro brasileiro, grupos Monteiro Aranha, os mineiros de Paulo de Tarso etc. Tornou-os sócios do desenvolvimento, em vez do seu histórico de predadores.

Se Paulo Guedes não fosse um Ministro de idéias tão minúsculas, haveria um amplo espaço para juntar a produção brasileira com os financistas. Eles trocariam esse papel predatório de operações sem risco em cima de bens públicos, e se legitimariam perante a opinião pública – além das boas possibilidades de lucro.

Depois dessa publicação, conversei com um antigo executivo da Ford. Segundo ele, não haveria a necessidade da nacionalização, porque a própria Ford colocou os ativos à venda, e provavelmente vai aceitar grande deságio.

Segundo ele, os incentivos se referiam ao ICMS, imposto estadual, para compensar os custos de logística, ao se instalar fora do centro produtor, São Paulo. Os subsídios visavam gerar isonomia com a produção de São Paulo. Sem ele, a Ford da Bahia teria que adquirir peças de São Paulo e, depois, vender os veículos para o mercado paulista, pagando impostos adicionais.

Pelas instalações da Ford Bahia, bastante modernas – ao contrário das instalações no ABC -, segundo ele haveria plenas condições de montar um modelo de compra liderado por grupos nacionais.

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