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Possíveis futuros do mundo pós-pandemia

No seu novo livro, 'O futuro começa agora: da pandemia à utopia', Boaventura Sousa Santos propõe pensar a sociedade daqui para a frente e o que pode vir por aí


Da Redação de Carta Maior,15 de Janeiro 2021 


Após o lançamento do ensaio A cruel pedagogia do vírus, o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos traz ao leitor uma obra que propõe pensar a sociedade pós-pandemia, sua complexidade, os problemas que a antecedem e possíveis futuros. O livro estará disponível aos leitores a partir do próximo dia 19.

Como um diagnóstico crítico do presente, Boaventura aponta que as desigualdades e discriminações sociais já tão presentes nas sociedades contemporâneas, se intensificaram ainda mais em um contexto pandêmico.


Com atenção especial ao modelo econômico-social, ao papel da ciência e do Estado na proteção dos mais necessitados, o autor traz um profícuo debate para se pensar em alternativas econômicas, políticas, culturais e sociais que apontem para um novo modelo civilizatório de sociedade.

“O novo século começa agora, em 2020, com a pandemia, aconteça o que acontecer.

''No entanto, é um começo diferente dos anteriores. Se for apenas o começo de um século de pandemia intermitente, haverá nele algo de fúnebre e crepuscular, o início de um fim. Por outro lado, pode ser também o começo de uma nova época, de um novo modelo civilizacional”, reflete o autor.

Boaventura de Sousa Santos é doutor em sociologia do Direito pela Universidade Yale (1973), além de professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e Distinguished Legal Scholar da Universidade de Wisconsin-Madison. É diretor emérito do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra.

Da sua obra, a Boitempo publicou Renovar a teoria crítica e reinventar a emancipação social (2007), A difícil democracia: reinventar as esquerdas (2016), Esquerdas do mundo, uni-vos! (2019) e A cruel pedagogia do vírus (2020).

Para a degustação do leitor, um trecho do novo trabalho de Sousa Santos:

''No domínio das classificações sociais, o cânone monocultural é dicotômico. As dicotomias expressam (e ocultam) hierarquias que aparentemente não podem questionar-se por resultar de supostas 'leis da natureza'. Uma das dicotomias que separa e hierarquiza realidades de forma inelutável é a dicotomia entre humanidade e natureza. A pandemia do coronavírus abriu as veias dessa dicotomia para mostrar que a humanidade não pode ser concebida sem a natureza (não são, portanto, incomensuráveis), nem a natureza pode ser entendida como tão inferior que possamos dispor livremente dela. Começa a ser consensual que a pandemia e a recorrência de pandemias são o produto da acumulação de interferências abusivas dos seres humanas nos ritmos dos ciclos vitais da natureza. Esses ciclos englobam-nos a nós mesmos e, nessa medida, as pandemias são em parte auto-infligidas".


*Com informações da Boitempo

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