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Medicamento essencial para transplantes de medula óssea pode faltar a partir de junho

Produto à base de Bussulfano deixará de ser fabricado pelo laboratório Pierre Fabre; sociedade civil busca alternativas



Por Daniel Giovanaz
Do Brasil de Fato | Florianópolis (SC) | 05 de Janeiro de 2021 

Cerca de 60% dos transplantes podem ser inviabilizados pela suspensão da fabricação do medicamento - Agência Brasil

O laboratório Pierre Fabre, único que produz no Brasil um medicamento à base de Bussulfano, imprescindível em cerca de 60% dos transplantes de medula óssea realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), anunciou que deixará de fabricar o produto em junho de 2021. A informação, divulgada em dezembro, ligou sinal de alerta para pacientes e profissionais de saúde.

O transplante de medula óssea é indicado para pacientes de leucemia e outras doenças relacionadas ao sangue.

Presidente da Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea (SBTMO), Nelson Hamerschlak estima que cerca de 2,5 mil procedimentos ao ano seriam impossibilitados pela falta do medicamento, que tem o nome comercial Busilvex.

A SBTMO recebeu, na última segunda-feira (4), uma sinalização positiva do Ministério da Saúde para uma interlocução sobre alternativas para evitar o desabastecimento.

“O que nós estamos pedindo é que, pelo menos até que outra empresa se interesse em registrar um produto à base de Bussulfano no Brasil, seja liberada a exportação para as entidades hospitalares”, explica Hamerschlak.

“A gente acha que essa é a solução mais prática, mas é óbvio que se o Ministério da Saúde ou a Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária] tiverem outras soluções, elas vão ser bem aceitas.”

O laboratório não especificou os motivos da suspensão e explicou por meio de nota que também está trabalhando junto à Anvisa “para garantir que o Busilvex continue disponível para os pacientes brasileiros e comunidade médica após junho de 2021.”

Hamerschlak afirma que outros laboratórios que atuam no país vêm suspendendo a produção de certos medicamentos que não são considerados lucrativos pela indústria farmacêutica. A SBTMO espera que a solução encontrada no “caso Bussulfano” seja estendida aos demais medicamentos para evitar a descontinuidade de tratamentos para outras doenças.

A articulação encabeçada pela SBTMO tem apoio do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass). Em paralelo a essa interlocução, pacientes, familiares e profissionais de saúde lançaram, em 2 de janeiro, uma petição contra o desabastecimento, que já reuniu mais de 200 mil assinaturas.

O Brasil de Fato entrou em contato com a Anvisa para entender quais medidas estão sendo planejadas para garantir que pacientes tenham acesso ao medicamento a partir de junho, mas não houve retorno.

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