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Bilionários na China (a resposta de Xi Jinping a Fidel)

Do Brasil 247, 6 de janeiro de 2021
Por Elias Jabbour


Elias Jabbour, é doutor e mestre em Geografia Humana pela FFLCH-USP. É professor dos Programas de Pós-Graduação em Relações Internacionais (PPGRI) e em Ciências Econômicas (PPGCE) da UERJ. É autor de quatro livros e dezenas de artigos acadêmicos e de opinião sobre a China e o socialismo de mercado como uma nova formação econômico-social.

"Uma classe capitalista tomou para si parte dos ativos estatais, enriqueceram absurdamente. O fosso social aumentou no país", escreve o professor Elias Jabbour. "A experiência chinesa produziu contradições à altura das vitórias produzidas por esse mesmo socialismo"


O líder comunista chinês anuncia "grande vitória" no combate à pobreza (Foto: Xinhua)

Honestamente nunca tive problemas em observar a existência de uma classe de bilionários na China. São produto de uma escolha estratégica chinesa na metade da década de 1990 de corporatizar o setor empresarial estatal. Desta escolha estratégica ousada uma série de contradições adviram. Uma classe capitalista tomou para si parte dos ativos estatais, enriqueceram absurdamente. O fosso social aumentou no país. Mas meu olhar fixo sempre foi no estratégico: grandes conglomerados empresariais estatais formaram a base econômica de poder do Partido Comunista. A experiência chinesa produziu contradições à altura das vitórias produzidas por esse mesmo socialismo. Porém, observando em dinâmica, o setor público da economia foi elevando de patamar em todos os sentidos. Cada vez mais o setor privado foi se transformando em uma forma histórica distante da que surgiu na Inglaterra pós leis dos cercamentos. O Estado tem cada vez mais controle sobre o setor privado chinês. 

Direto e indireto.

O descontentamento dos “bilionários” foi ficando cada vez maior e descarado. A linha entre a existência enquanto classe e a organização enquanto classe para si estava ficando cada vez menor. Xi Jinping, um gênio político marxista, trouxe os “bilionários” para seu campo. Inicialmente tentou acordar “regras de convivência” com eles. Porém, Jack Ma não aguentou. Pôs a cabecinha de fora: quer a abertura da conta de capitais. Desde 2015, a cada 40 dias um bilionário some na China. Muitos aparecem organizando oposição no exterior. Outros, desaparecem.

Xi Jinping responde politicamente a uma base social que ganha US$ 150 mensais. O passo seguinte à eliminação da pobreza extrema é o diminuir as imensas diferenças sociais e regionais, demonstrando em patamares superiores a superioridade do socialismo. Novos esquemas de divisão regional e social do trabalho devem ser inaugurados. Toda a capacidade desta “Nova Economia do Projetamento” deve estar à serviço da transferência de excedente acumulado do setor produtivo gerador de valor ao setor improdutivo, voltado às necessidades espirituais da população, sob forma de construção de imensos bens públicos gerador de valor de uso. Ganha corpo a transição do “Market-Based Planning” ao “Project-Based Planning”.

Mas existe uma Economia Política deste processo. Em determinados círculos políticos do eixo Pequim-Havana-Caracas é conhecida a resposta de Xi Jinping ao questionamento de Fidel sobre o futuro da China. Após um minuto calado, a resposta é objetiva: “Os bilionários são os inimigos do povo. Ou a China controla os bilionários, ou eles destróem esse país”.

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