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Vale. Morte de trabalhador. Bispo denuncia: “reino de morte das multinacionais, da mineração, que só pensa no lucro e descarta a vida”

Do IHU, 21 Dezembro 2020
Por Luis Miguel Modino.



Mais uma morte numa lista que cresce continuamente, mais uma vida soterrada na mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, local onde no dia 25 de janeiro de 2019 foram soterradas 272 pessoas, um sem número de outros seres e parte do rio Paraupeba. A culpada de tudo isso tem nome, a mineradora Vale.

As palavras de Dom Vicente Ferreira, bispo auxiliar de Belo Horizonte, em nome do grupo de trabalho de ecologia integral e mineração do Regional Leste 2 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, juntamente com a região episcopal Nossa Senhora do Rosário da Arquidiocese de Belo Horizonte, cuja sede está em Brumadinho, rede Igrejas e Mineração, e outros grupos eclesiais, grupos que fazem parte desta luta, querem mostrar que “mais uma vez podemos estar diante do fato de que não foi um acidente”.

Existem provas que mostram a negligência da Vale, uma das maiores mineradoras do mundo, que tem provocado inúmeros crimes ambientais e humanos no Brasil ao longo de décadas, sempre com a conivência dos diferentes governos que continuam liberando licenças para acabar com a casa comum e a vida das pessoas. Desta vez, segundo as palavras do bispo, “em nota de fiscalização de 15 dias atrás, está registrado problemas de segurança na disposição de rejeitos na cava e a atividade estava paralisada pela Agência Nacional de Mineração”.

Num vídeo, Dom Vicente Ferreira diz que “estamos protocolando junto ao sistema de justiça, nossa indignação, nossas indagações, perguntas”. Mais uma vez o bispo mostra a necessidade de ser uma Igreja profética, que denuncia os crimes que acabam com a vida do planeta e das pessoas. Ele coloca uma série de perguntas que deveriam levar a sociedade brasileira a refletir sobre situações muito presentes no país, onde diferentes governos, ao serviço de uma economia que mata, colocam o lucro acima da vida. Nesse sentido as palavras do bispo auxiliar de Belo Horizonte são claras, denunciando: “esse reino de morte das multinacionais, da mineração, que só pensa no lucro e descarta a vida”.

Frente a isso, às portas do Natal, Dom Vicente Ferreira pede que a Luz de Cristo “possa nos iluminar, reforçar, na construção do Reino de Deus, que é de justiça e de paz”, e ao mesmo tempo, “que nós possamos, com essa Luz de Jesus, sermos ainda mais encorajados na construção de novos céus e uma nova terra”. Nas suas palavras, o bispo também manifestou “nosso carinho, solidariedade, orações pela família, esposa, desse jovem trabalhador que morreu com 34 anos, deixando uma criança de 3 meses”.
Palavras de Dom Vicente Ferreira, Bispo auxiliar de Belo Horizonte – MG

Mais uma vida soterrada na mina Córrego do Feijão, desta vez num talude da cava onde a Vale estava colocando os rejeitos do rompimento que soterrou 272 pessoas e um sem número de outros seres e parte do rio Paraupeba, no dia 25 de janeiro de 2019. Mais uma vez podemos estar diante do fato de que não foi um acidente. Afinal, em nota de fiscalização de 15 dias atrás, está registrado problemas de segurança na disposição de rejeitos na cava e a atividade estava paralisada pela Agência Nacional de Mineração.

Por isso, o grupo de trabalho de ecologia integral e mineração do Regional Leste 2 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, juntamente com a região episcopal Nossa Senhora do Rosário da Arquidiocese de Belo Horizonte, cuja sede está em Brumadinho, rede Igrejas e Mineração, e outros grupos eclesiais, grupos que fazem parte desta luta, estamos protocolando junto ao sistema de justiça, nossa indignação, nossas indagações, perguntas: estava o trabalhador Júlio Cesar, com a retroescavadeira, em área de risco? Estavam os taludes instáveis pela movimentação de caminhões? Como foi possível essa atividade de colocar releitos na cava ter uma licença ambiental simplificada se é complexa e de risco, como se verifica agora?

Manifestamos também nosso carinho, solidariedade, orações pela família, esposa, desse jovem trabalhador que morreu com 34 anos, deixando uma criança de 3 meses. E suplicamos aos céus que nesse Natal, à Luz do Cristo, possa nos iluminar, reforçar, na construção do Reino de Deus, que é de justiça e de paz, contra esse reino de morte das multinacionais, da mineração, que só pensa no lucro e descarta a vida. Que nós possamos, com essa Luz de Jesus, sermos ainda mais encorajados na construção de novos céus e uma nova terra.

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