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Quem elegeu Biden?

O que teria pesado mais? A renda, o gênero, a raça, o nível educacional?




Da Carta Maior, 8 de Novembro, 2020
Por César Locatelli 


Créditos da foto: Biden em seu primeiro discurso após vitória nas eleições (Jim Bourg/Reuters)

Em que pese o momento, ainda de grande calor nas eleições norte-americanas, as primeiras análises começam a surgir na impressa corporativa e na imprensa independente norte-americanas. Os gráficos estratificados que se seguem foram divulgados por Eric London, no site World Socialist.

São estimativas baseadas em uma hipótese de comparecimento às urnas combinada com pesquisas de boca de urna. Dados bastante preliminares, imprecisos, mas que corroboram um aumento importante do voto popular em Joe Biden. As pesquisas de boca de urna foram conduzidas por Edison Research e divulgadas pela mídia norte-americana, inclusive pelo New York Times.

Votos por gênero: as mulheres fazem a balança pender para Biden, pelo voto dos homens daria empate

O gráfico abaixo compara os votos de homens, à esquerda, e mulheres, à direita, para Trump, em vermelho, e os para os candidatos democratas Hillary e Biden, em azul, nas eleições de 2016 e 2020.

Entre os homens, o número absoluto de votos para Trump cresceu em 2 milhões (de 33 para 35 milhões), enquanto os votos para Biden subiram quase 9 milhões (de 26 para 34,9 milhões), quando comparados aos votos para Hillary Clinton em 2016.

Em termos percentuais, a participação de Trump que tinha sido de 52% dos votos de homens, caiu para 49%. Os votos para os democratas, que haviam representado 41% do total em 2016, chegaram a 48% nessa eleição.



Entre as mulheres, percebemos um aumento no votos dirigidos a Trump de 5,6 milhões (de 29,7 para 35,3 milhões). Isso fez com que o percentual de votos das mulheres em Trump se elevasse de 41% para 43%. Os votos das mulheres aos democratas, por outro lado, saltaram de 39 para 46 milhões, um aumento de 7 milhões de votos. Em termos percentuais, de 54% dos votos em Hillary em 2016, 56% da mulheres escolheram Biden em 2020.

Votos por gênero e raça: homens e mulheres brancos reelegeriam Trump

O quadro abaixo, publicado no New York Times, mostra o peso dos “não brancos” na eleição. A coluna da esquerda representa o percentual de votos, na pesquisa de boca de urna, favoráveis a Trump. A coluna da direita são o percentuais de votos atribuído a Biden.

A primeira linha se refere a homens brancos. A pesquisa de boca de urna revelou que 58% do homens branco votaram em Trump e 40% em Biden. No grupo de mulheres brancas o percentual em favor de Trump foi de 55%, contra 43% para Biden. Na linhas que se seguem Biden é mais votado, na proporção de 80 % entre homens negros, 91 % entre mulheres negras, 61% entre homens latinos, 70% entre mulheres latinas e 60% entre outras raças.



O gráfico abaixo indica as diferenças nas votações de homens brancos, mulheres brancas, homens negros e mulheres negras, barras à direita. As barras em vermelho representam votos em Trump em 2016 e agora, enquanto as barras azuis representam votos em Hillary Clinton em 2016 e em Joe Biden agora em 2020.

Os votos de homens brancos em Trump permaneceram praticamente inalterados (28,8 em 2016 contra 28,7 milhões em 2020). Houve, no entanto, uma queda percentual de 62% para 58% do total dos votos dos homens brancos para Trump. Nos votos dirigidos aos candidatos democratas houve um salto de praticamente 6 milhões de votos (de 14 milhões para 19,8 milhões). Percentualmente o acréscimo foi de 9 pontos percentuais (de 31% para 40%).

Entre as mulheres brancas deu-se o oposto: os votos em Trump cresceram (de 26 para 28 milhões) e os votos nos democratas mantiveram-se praticamente estáveis (21,9 contra 21,7 milhões). O efeito percentual foi de uma manutenção em 43% dos votos das mulheres brancas nos democratas e um acréscimo de 3 pontos percentuais nos votos para Trump (52% para 55%).



Entre homens negros a divisão ficou em 80% para Biden contra 18% para Trump. Em 2016 a divisão tinha sido de 80% para Hillary e 13% para Trump. Em termo absolutos houve um aumento de 600 mil votos para os democratas (5,6 para 6,2 milhões) e um aumento igual, 600 mil votos, para Trump (800 mil para 1,4 milhão).

Quase um milhão de votos a mais que em 2016 foi a contribuição das mulheres negras ao candidato democrata (8,9 para 9,8 milhões). A votação para Trump também cresceu (300 mil para 870 mil). Esses valores absolutos correspondem a 91% dos votos das mulheres negras indo para Biden (contra 94% para Hillary em 2016) e 8% indo para Trump (contra 4% em 2016).

Votos por renda: faixas mais baixas de renda preferem Biden

Na classificação por renda foram fixadas três faixa de renda anual: abaixo de 50 mil dólares, entre 50 e 100 mil dólares e acima de 100 mil. E novamente foram comparados os votos absolutos e em termos percentuais de Trump nas duas eleições e de Hillary em 2016 e Biden em 2020.

O nível mais baixo de renda, abaixo de 50 mil dólares anuais, consedeu a Biden cerca de 4 milhões de votos a mais do que tinha concedido a Hillary (26 para 30 milhões).Essa mesma faixa de renda ampliou o número de votos para Trump em 2 milhões (de 20 para 22 milhões). Percentualmente, Trump capturou 57% dos votos dessa faixa de renda (53% em 2016), contra 41 % de Trump, mesmo percentual de 2016.

O salto maior de eleitores na direção de Biden, cerca de 14 milhões, aconteceu na faixa intermediária de renda, entre 50 e 100 mil dólares anuais (18,8 para 32,9 milhões). Isso fez o percentual de votos dessa faixa de renda pular 10 pontos (46% para Hillary contra 56% para Biden). Trump perdeu 6 pontos percentuais (de49% para 43%), mesmo angariando 5 milhões de votos a mais do que em 2016 (de 20 para 25 milhões).



O empate de 2016 na faixa de renda acima de 100 mil dólares anuais (21,8 milhões de votos para Trump e mesma quantidade para Hillary) pendeu para o candidato republicano, agora em 2020, que subiu de 21,8 para 23 milhões de votos, ao passo que Biden teve 18,6 milhões de votos dessa classe mais rica, contra os 21,8 milhões de votos para Hillary em 2016. O salto de Trump foi de 7 pontos percentuais (de 47% para 54%) contra uma queda para Biden de 4 pontos (de 47% para 43%).

Votos por nível educacional: base de Trump é composta por brancos sem educação superior

Nesse quesito os eleitores foram divididos em quatro classes brancos com e sem nível universitário, primeiro e segundo conjuntos de barras respectivamente, e não brancos sem e com nível universitário, terceiro e quarto conjunto de barras.

Não houve mudança significativa entre os brancos com curso universitário. Os eleitores de Trump representaram 48% em 2016 e 49% em 2020 (de 24,2 para 23,5 milhões de votos). A variação do eleitores do partido Democrata variaram um pouco mais de 45% para 49% (22,8 milhões de votos em Hillary contra 23,5 milhões de votos em Biden). Interessante notar que os brancos graduados se dividiram praticamente ao meio entre os dois candidatos.

A diferença torna-se muito grande quando se avalia o grupo formado por brancos sem diploma universitário, com 64% dos votos indo para Trump (saindo de 66% em 2016) e 35% para Biden (com Hillary tendo recebido 29%). Em números absolutos, Trump saiu de 30,6 milhões de votos em 2016 para 33,7 milhões em 2020. E do lado democrata, Hillary teve 13,5 milhões de votos contra 18,5 milhões de Biden.



A votação dos não brancos sem formação universitária em Trump praticamente dobrou, de 4,4 para 8,8 milhões de votos, entre a eleição de 2016 e 2020. Isso representa uma variação de 20% para 26% desse grupo de eleitores. Biden conseguiu nesse grupo uma maioria muito expressiva de 72% dos votos (o gráfico aponta 76%, porém aparentemente 72%, números apresentado pelo New York Times está mais correto), com 24,5 milhões de votos, contra 16,6 milhões para Hillary em 2016.

O grupo formado por não brancos com grau universitário também apoiou majoritariamente Biden com 71% dos votos, percentual praticamente igual ao de Hillary em 2016 (72%). Em termos absolutos esse grupo deu 1,5 milhão de votos a mais para Biden do que para Hillary (de 12,8 para 14,3 milhões de votos). Trump também recebeu 1,5 milhão de votos a mais dos não brancos com grau universitário (de 3,9 para 5,4 milhões), o que representa um percentual de 27%, contra 22% em 2016.

A diferença de votos a favor de Trump entre os brancos sem diploma universitário em 2020, 15,2 milhões de votos, é amplamente compensada pelos não brancos sem diploma universitário, 15,7 milhões, somados aos não brancos com nível universitário, 8,9 milhões.

A opinião de Eric London

Diz ele: “o grande perigo é que, no quadro do sistema político existente, controlado por dois partidos capitalistas, não haja uma expressão genuína dos interesses sociais e econômicos da grande maioria da população, a classe trabalhadora de todas as raças e gêneros.

A tarefa dos socialistas é desenvolver dentro da classe trabalhadora uma consciência de classe genuína e construir um movimento político baseado nos interesses de classe comuns dos trabalhadores em oposição ao sistema capitalista.”

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