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Milhares de pessoas ocupam as ruas da França contra o racismo e a violência policial

Lei aprovada pela Assembleia Nacional, que proíbe a divulgação de imagens de ações policiais nas redes sociais, também motivou as manifestações


Da Forum, 29 novembro 2020
Por Marcelo Hailer 

Foto: reprodução Youtube

Milhares de pessoas foram as ruas das principais cidades da França para protestar contra o racismo, a violência policial e pela liberdade de expressão.

O estopim para que multidões ocupassem, por exemplo, os principais pontos de Paris, foi a agressão cometida por policiais contra o artista Michel Zecler.

O produtor musical Michel Zecler, que é negro, foi abordado por policiais na porta de seu estúdio e, posteriormente, espancado pelos oficiais. Testemunhas filmaram o ocorrido e as imagens se espalharam pelas redes sociais, informa a CNN Brasil.

De acordo com depoimento de Zecler, ele estava sem máscara, o que é proibido na França e, ao ver uma viatura, retornou para o seu estúdio, porém, ele afirma que os policiais o perseguiram, invadiram o seu estúdio e o espancaram.

O artista também alega que, durante a agressão policial, injúrias radicais foram proferidas pelos policiais. Os quatro agentes envolvido no caso estão detidos e a Corregedoria da Polícia de Paris está investigando o caso.

Abaixo, depoimento de Zacler ao Loopsider.


Ça s'est passé samedi à Paris. 15 minutes de coups et d'insultes racistes.

La folle scène de violences policières que nous révélons est tout simplement inouie et édifiante.

Il faut la regarder jusqu'au bout pour mesurer toute l'ampleur du problème. pic.twitter.com/vV00dOtmsg— Loopsider (@Loopsidernews) November 26, 2020

Nas redes sociais, o presidente da França, Emmauel Macron, declarou que ficou “chocado” com as imagens e que o caso é “vergonhoso para o país”.

Les images que nous avons tous vues de l’agression de Michel Zecler sont inacceptables. Elles nous font honte. La France ne doit jamais se résoudre à la violence ou la brutalité, d’où qu’elles viennent. La France ne doit jamais laisser prospérer la haine ou le racisme.— Emmanuel Macron (@EmmanuelMacron) November 27, 2020

Censura nas redes

A maior manifestação contra o racismo se deu na Praça da Bastilha, onde mais de 60 mil pessoas se reuniram. Além da questão do racismo presente na polícia francesa, os atos também repudiavam uma lei aprovada pela Assembleia Nacional que proíbe postar imagens de policiais em exercício nas redes.

Uma das frases mais entoadas em todos os atos era “se não podemos filmar, quem vai nos proteger das violências policiais”. A lei aprovada é de autoria do Ministério do Interior, que prevê multa de 45 mil euros para quem filmar policiais durante o seu exercício e postar nas redes.

Entendida como uma censura, os manifestantes exigem a revogação da lei. O presidente da França, Emmanuel Macron, declarou que vai rever o texto da lei. A imprensa local afirma que Macron mudou de ideia depois de ver as cenas de agressão contra Michel Zecler.




Tags:França
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Michel Zecler


Marcelo Hailer

Jornalista (USJ), mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e doutor em Ciências Socais (PUC-SP). Professor convidado do Cogeae/PUC e pesquisador do Núcleo Inanna de Pesquisas sobre Sexualidades, Feminismos, Gêneros e Diferenças (NIP-PUC-SP). É autor do livro “A construção da heternormatividade em personagens gays na televenovela” (Novas Edições Acadêmicas) e um dos autores de “O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente” (AnnaBlume).

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