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Brumadinho: assessorias rebatem propaganda da Vale sobre recuperação das águas do rio

Estudo da UFRJ contratado pela Vale foi considerado irresponsável; reivindicações de atingidos tem a ver com a água


De Belo Horizonte | Brasil de Fato (MG) | 17 de Outubro de 2020 



A bacia do rio Paraopeba foi atingida pela lama do rompimento da barragem de Córrego do Feijão, da Vale, em 25 de janeiro de 2019 - Créditos da foto: Evandro Rodney/IGAM

A Bacia do Paraopeba foi atingida pela lama do rompimento da barragem de Córrego do Feijão, da Vale, em 25 de janeiro de 2019. Pouco mais de um ano depois, a mineradora faz uma divulgação ampla nas mídias de Minas Gerais, em tom noticiário, afirmando que as águas do rio Paraopeba estão recuperadas. Publicidade questionada por quem acompanha de perto a recuperação das comunidades.

A propaganda se apoia em um estudo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e chega a insinuar que as águas estão mais limpas que antes do crime. A pesquisa foi conduzido pelo Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe/UFRJ) e analisou amostras da água de abril, maio e agosto de 2019 e de março de 2020.

A conclusão é que a qualidade da água estaria melhorando. A publicação sugere que o esgoto, por exemplo, hoje é mais nocivo às águas que os efeitos do crime ambiental.

Porém, o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), assim como as Assessorias Técnicas Independentes (ATIs), mantêm a recomendação de que a água do rio Paraopeba não deve ser utilizada no trecho que abrange os municípios de Brumadinho até o limite da Usina Hidrelétrica de Retiro Baixo, em Pompéu (aproximadamente 250 km de distância do rompimento).

Contraposição

As três Assessorias Técnicas Independentes (ATIs) que atuam na região do Paraopeba – a Associação Estadual de Defesa Ambiental e Social (Aedas), o Instituto Guaicuy e o Núcleo de Assessoria às Comunidades Atingidas por Barragens (Nacab) denunciam o que chamam de “irresponsabilidade” da Vale na divulgação do estudo. As assessorias técnicas são grupos de profissionais contratados para fornecer informações independentes às pessoas atingidas.

O principal questionamento é quanto à data escolhida para a divulgação ampla deste estudo: um dia antes de uma audiência realizada na terça-feira (6), que discutiu auxílio provisório emergencial e diversas demandas justamente sobre a água: nova captação de água do rio Paraopeba, pedidos de abastecimento de água pela Vale S.A, acesso aos dados das pessoas atingidas e a falta d’água dos atingidos.

A audiência

Dentre as pautas mais importantes da audiência está a continuidade do auxílio provisório emergencial, marcado para findar em outubro. Porém, data questionada pelos beneficiários. Conforme a assessoria da Aedas, a audiência não rendeu, por enquanto, nenhuma decisão judicial. Mais duas audiências acontecem nos dias 22 e 23 de outubro.

O Brasil de Fato MG pediu respostas à Vale, mas a mineradora não respondeu.

Fonte: BdF Minas Gerais

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