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Plano de reconstrução e transformação do Brasil: O mais do mesmo, por Rogério Maestri

Além do autoelogio ao PT de realizações feitas no passado, o plano não tem nada em termos de transformação do Brasil. 



Do GGN, 26 de Setembro, 2020
Por Rogério Maestri


Ao ler o artigo do governador Requião que faz uma crítica não muito clara do documento do PT que segundo o Mercadante foi produto da participação de dezenas de especialistas em diversos assuntos não entendi direito as críticas do governador. Para procurar entende-las me obriguei a ler esse prolixo documento que na primeira parte do seu título, ou seja, a reconstrução do Brasil, parece que tem algum sentido, porém em termos de transformação diria que além do autoelogio ao PT de realizações feitas no passado, o plano não tem nada em termos de transformação do Brasil.

Apesar da crítica do Requião também me parecer vazia, pois tergiversa entre ser um programa ou um plano, e não passa a crítica disso, ele não fala do principal, que o plano nos itens referentes a objetivos a médio e longo prazo, excetuando palavras mais “novas” jogadas no texto, como “fake News”, “indústria 4.0” e outras, fazem desse plano um “mais do mesmo”.

Para fazer um plano de um partido político, primeiro de tudo é necessário fazer uma análise política e econômica não só da condições nacionais, mas também das condições internacionais, pois se olharmos com cuidado o plano, veremos que ele critica o neoliberalismo e a ênfase do capitalismo financeiro atual mesmo dizer qual é a origem dessas duas características do capitalismo internacional (que na verdade se reduzem a uma só). É como o neoliberalismo tivesse caído dos céus e privilegiado o capitalismo financeiro simplesmente porque como alguns economistas mais apressados e inconsequentes acham que o instinto selvagem e produtivo dos capitalistas perdeu fôlego.

Quanto a análise política da atual conjuntura internacional, o plano é de uma tal nulidade que concentra suas críticas no governo distópico de Jair Bolsonaro, sem mesmo procurar entender onde essa aberração está incluída no cenário internacional.

Mas não ficando em generalidades, a ausência da análise política e econômica internacional e nacional, simplesmente induz os participantes da confecção do plano a uma mera carta de intenções de um futuro, como se o mundo inteiro não estivesse em processo semelhante de desindustrialização excetuando alguns países orientais.

Poderíamos dizer que o plano proposto seria ideal para um mundo lá pelo meio do século XX. Falta mais uma vez ao PT uma análise da realidade no lugar de escrever dezenas de vezes que os neoliberais são malvados e não gostam de produzir e que no meio desse cenário macabro do capitalismo atual simplesmente pela vontade superaríamos todos os países que se encontram no mesmo impasse.

Se tivesse oportunidade de falar com as pessoas que elaboraram esse plano, perguntaria aos mesmos, por que o Japão está estagnado a quase trinta anos e todas as técnicas dos economistas capitalistas falharam em colocar esse país em movimento. Também poderia questionar o motivo que a crise de 2008 levou aproximadamente sete anos para que a massa salarial dos USA recuperasse os valores de 2007 sem que os trabalhadores norte-americanos tivessem de aumentar em média a sua carga de trabalho numa razão considerável para ganhar o mesmo do passado mesmo com um ganho de produtividade que cresceu acima dos salários.

Parece que há uma espécie de uma visão mágica dos formuladores do plano, ou seja, com medidas que foram empregadas em vários países europeus e alguns orientais, como o Japão, se recuperaria a capacidade industrial do país. Com as limitações impostas pelo capital internacional através da OMC, nenhuma das soluções protecionistas empregadas durante o século passado garantiriam um processo de reindustrialização do país e crescimento sustentado dessa.

Iludem-se os desenvolvimentistas tardios que teríamos condições de vencer o atraso tecnológico do nosso país simplesmente com a vontade e sem modificações substantivas no modo de produção, o modelo proposto pelo PT esgotou-se no governo Dilma, e nada adianta propor mais do mesmo para sairmos do impasse.

Não adianta sem uma modificação política radical tentarmos trilhar pelo caminho que todos os que tentaram fracassaram, logo primeiro os autores do plano deveriam estudar o que se passa no mundo e qual as suas tendências, pois não é Trump e muito menos Bolsonaro que regem todo o impasse do capitalismo internacional.

Recuperarmos das perdas dos governos entreguistas de Temer e de Bolsonaro, com um esforço seria possível, mas vencida essa etapa cairemos na num novo período de estagnação, pois as condições internacionais assim nos conduziriam.

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