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Lula defende inocência de Assange e convoca nações democráticas a evitar extradição

Jornalista australiano é alvo de 18 acusações dos Estados Unidos e pode ser enviado ao país para ser condenado

Brasil de Fato | Brasília (DF) | 11 de Setembro de 2020 


'Assange deveria ser herói,' diz Lula - Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a inocência do jornalista australiano Julian Assange, fundador do WikiLeaks, nesta sexta-feira (11).

Lula disse que o ativista deveria ser transformado em herói mundial pelo trabalho que fez de expor crimes de guerra cometidos pelo Exército norte-americano.

“O Assange deveria ser tratado como herói por ter denunciado ao mundo as falcatruas do Departamento de Estado americano fiscalizando o mundo, fiscalizando governos. Todos os países democráticos deveriam gritar por sua liberdade”, declarou o ex-presidente.

Lula concedeu entrevista sobre o caso ao programa Going Underground, do Reino Unido, e conclamou todos que acreditam na democracia para que se unam para a libertação de Assange.

“Queria dizer que todas as pessoas que acreditam, todas as pessoas que acreditam em direitos humanos, que todas as pessoas que acreditam na justiça não podem permitir que o Assange seja extraditado”, disse o ex-chefe do governo brasileiro.

Assange passa por um julgamento no Reino Unido sobre sua extradição para os Estados Unidos. As audiências foram suspensas na quinta-feira (10), depois que o advogado do jornalista relatou estar com sintomas de covid-19.

Se extraditado, o fundador do WikiLeaks pode responder por espionagem e conspiração nos EUA. Ao todo, são 18 acusações, que podem lhe render uma pena de 175 anos.

"Risco de vida"

A ex-presidenta Dilma Rousseff (PT) também se posicionou sobre o tema ao publicar uma carta intitulada #FREEASSANGE em seu site.

Ela considerou que, se for extraditado aos Estados Unidos, Assange "estará na prática sendo colocado sob risco de vida" e tratou uma possível condenação em solo estadunidense como "um atentado à liberdade de expressão".

"Serão cúmplices desta barbárie todos os que se omitirem, em especial a imprensa", afirmou Rousseff.

"Julian Assange está sendo perseguido e esmagado por uma máquina de mentiras manipulada pelo lawfare, e está prestes a ser condenado em nome da barbárie", agregou.

Leia o posicionamento completo aqui.

Saiba mais: Lawfare latino-americana: a Operação Condor do século 21

O caso

Julian Assange tornou públicos diversos crimes de guerra cometidos pelo Exército norte-americano nas invasões ao Iraque e ao Afeganistão. Por isso, pode responder por espionagem e conspiração nos EUA. Ao todo, são 18 acusações, que podem render uma pena de 175 anos ao jornalista. Autoridades americanas teriam dado garantias verbais ao Reino Unido de que Assange não corre risco de ser condenado à pena de morte, nos EUA.

Juristas consideram remota a possibilidade de absolvição de Assange na Corte estadunidense. Por conta disso, o julgamento no Reino Unido passa a ser fundamental.

::Coluna: Qual o impacto da possível extradição de Assange para a democracia e a justiça?::

Para a defesa de Assange, liderada pelo espanhol Baltazar Garzon, o que está sendo julgado não é o exercício da espionagem, mas a liberdade de imprensa. O jornalista australiano fundou, em 2006, o WikiLeaks, site que ficou conhecido mundialmente em 2010, quando publicou uma série de provas vazadas por Chelsea Manning, analista de inteligência do Exército dos EUA. À época, o conjunto de imagens e documentos escancarou atrocidades cometidas pelos estadunidenses durante as invasões no Iraque e no Afeganistão.

Histórico

Desde 2012, Assange se abrigava, na condição de asilado político, na embaixada do Equador em Londres. Porém, em 11 de abril de 2019, o presidente equatoriano Lenín Moreno surpreendeu o mundo ao revogar o benefício e entregar o australiano às forças policiais britânicas.

Assange procurou a embaixada equatoriana após a Suécia pedir sua extradição em 2012. O jornalista era acusado de ter cometido um estupro no país nórdico. A acusação foi retirada pelo governo sueco em 2017, mas o australiano, com receio de ser enviado aos EUA, se manteve no consulado.

Edição: Rodrigo Chagas

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