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Queda na taxa de transmissão não significa controle da covid-19 no Brasil

Números de casos e óbitos ainda crescem e cenário pode ser revertido, caso medidas de contenção sejam enfraquecidas


Por Nara Lacerda
Do Brasil de Fato, 22 de Agosto de 2020 


Coronavírus avança e medidas de segurança continuam essenciais. - Claudio Schwarz/ Unsplash

Não há motivo para falar em fim da pandemia.

O Brasil encerra a semana com um alerta direcionado da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre a necessidade de que as medidas para conter o avanço do coronavírus se consolidem no país. O aviso vem alguns dias depois do anúncio de que, pela primeira vez desde abril, a taxa de transmissão do vírus em território nacional caiu e teve pontuação abaixo de um. Medido e divulgado pelo Imperial College de Londres, o dado ficou em 0,98 no último relatório. Em resumo, isso significa que cada 100 infectados têm potencial de contaminar outras 98 pessoas.

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Se por uma lado o resultado é positivo e indica que a propagação do vírus diminuiu, por outro é necessário observar que o cenário é frágil e pode ser revertido em questão de dias. Isso porque o país chega a essa realidade ainda registrando números altos de contaminados e mortos por semana. Há um mês são confirmados mais de 300 mil novos pacientes a cada sete dias. O número de óbitos é superior a 6.500 semanais desde maio. Um eventual relaxamento nos cuidados com distanciamento social, higiene e isolamento, tem potencial para reverter qualquer tendência de controle.

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Em conversa com o podcast A Covid-19 na Semana, o médico Aristóteles Cardona, da Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares afirma que não há motivo para se falar em fim da pandemia. "É uma notícia importante, porque a gente estava longe disso e quanto maior o índice, maior a propagação. Mas esses números são muito dinâmicos e respondem rapidamente à medidas que estão sendo ou não tomadas. Está longe de ser o controle da pandemia ou motivo para a gente se descuidar."

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As afirmações do médico encontram respaldo em realidades que vem sendo registradas em países onde já se pensava ter havido um controle do coronavírus. França e Reino Unido voltaram a intensificar as restrições à circulação, temendo uma segunda onda de contágio. O processo de flexibilização também está sendo revisto na Espanha, que registrou aumento significativo de contágios novamente na última semana. O Brasil tem ainda uma preocupação extra: por aqui não houve queda nos números absolutos de infectados nas últimas duas semanas.

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Além disso, o país está no continente que responde por boa parte dos registros de contaminados no mundo todo. Mais de 63% das pessoas que tiveram ou estão com covid-19 em todo o planeta vivem na América. Para piorar, quem puxa esses números para cima é o Brasil, junto com os Estados Unidos, onde as medidas de distanciamento e cuidados como uso de máscara também são fortemente criticadas por representantes do governo federal. Nesta semana, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou para apoiadores que as máscaras não têm efetividade, sem explicar a fonte da informação.

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De concreto, o Brasil tem no momento os números registrados nos últimos dias, que não indicam diminuição no avanço da covid-19. No domingo (16), havia confirmação de cerca de 107 mil óbitos. O número ultrapassou 113 mil ainda na sexta-feira (21). Em cinco dias, foram mais de cinco mil confirmações, portanto. No início da circulação do vírus no país, foram necessários dois meses para o patamar de 15 mil casos fatais. Agora, esse tempo diminuiu para cerca de duas semanas.

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"100 mil infectados ainda infectam 98 mil pessoas. Ainda é muito! Essa história de platô, de controle, só serve para quando a gente tiver poucos casos. Tomara que essa tendência se mantenha, mas ela ainda vai precisar se manter e se intensificar por muitas semanas para a gente falar as coisas estão indo bem." completa Aristóteles.

Edição: Rodrigo Durão Coelho

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