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Por que Nobel da Paz deve ir para os Médicos Cubanos

Enquanto o vírus aflige o mundo, Cuba exporta solidariedade: enviou profissionais a diversos países, pautados por valores humanitários. Um exemplo poderoso de cooperação entre os povos e desmercantilização da Saúde.

Do OUTRAS PALAVRAS, 24/07/2020
por José Álvaro de Lima Cardoso

A pandemia evidenciou para um número maior de pessoas, aquilo que já sabíamos há algum tempo: o impressionante e peculiar senso de solidariedade dos médicos cubanos. A devoção com que socorrem os pacientes onde se faça necessário, honrando ao extremo os princípios da medicina, sem esperar nada em troca, a não ser a gratidão e o carinho dos pacientes, é uma marca inconfundível dos médicos cubanos.

Os profissionais da Brigada Médica Cubana, com sua estatura, promovem o ser humano a um outro patamar civilizatório. A postura dos seus médicos é uma expressão dos princípios do próprio povo cubano. Somente uma sociedade guiada pela solidariedade e o amor ao próximo, poderia forjar profissionais da medicina baseados nestes mesmos valores.

Há um princípio popular de Cuba que, ajuda a entender a postura dos seus médicos, que diz: “em Cuba não damos o que está sobrando, mas dividimos o que temos”. Enquanto os Estados Unidos compram antecipadamente todas as vacinas possíveis, contra a covid-19, sem qualquer solidariedade humana com outros povos, Cuba divide seus profissionais de medicina com todos as nações do mundo.

O Comitê da Academia Sueca tem a chance histórica, e ao mesmo tempo a honraria, de conceder o Nobel da Paz a estes autênticos heróis do nosso tempo.


JOSÉ ÁLVARO DE LIMA CARDOSO
Economista, doutor em Ciências Humanas pela Universidade Federal de Santa Catarina, supervisor técnico do escritório regional do DIEESE em Santa Catarina

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