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Alzheimer: de que serve a detecção precoce?

Um avanço científico notável permite prever a doença vinte anos antes de ela se manifestar. Mas se não há cura, vale a pena? Do ponto de vista coletivo, talvez. E mais: por que não tem sentido falar, agora, numa “segunda onda” da covid-19.

Do OUTRA SAÚDE, 29/07/2020

por Maíra Mathias e Raquel Torres

MAIS PERTO DE SABER

Uma equipe de cientistas de vários países anunciou ontem uma boa descoberta: um exame de sangue experimental desenvolvido por eles conseguiu diagnosticar a doença de Alzheimer de forma precisa, barata e pouco invasiva. O teste foi usado em mais de 1,4 mil pessoas na Suécia, nos Estados Unidos e na Colômbia, e mediu a quantidade da proteína fosfo-tau217, cuja concentração é elevada no sangue de pessoas com a doença. Segundo os autores, foi possível prever a demência com uma precisão que variou entre 89% e 98% – mas ainda são necessários estudos com populações mais diversas e em ensaios randomizados antes que o exame possa estar disponível. Os resultados foram apresentados na Conferência Internacional da Associação de Alzheimer e publicados na revista JAMA.

Faz vários anos que pesquisadores buscam desenvolver esse tipo de teste porque, hoje, o diagnóstico é feito apenas com de testes de memória, exames cerebrais e análises do líquido espinhal depois que os sintomas já apareceram (e mesmo depois que os pacientes já morreram). A questão é que os sintomas só aparecem anos, ou décadas, depois da doença. Um exame de sangue permitiria rastrear o problema em pessoas com histórico familiar de Alzheimer desde cedo, muito antes que apareça qualquer comprometimento cognitivo.

Uma vez que não há cura, a notícia traz inevitavelmente a pergunta: se um diagnóstico precoce baseado em exame de sangue estivesse à disposição, para que serviria? No curto prazo, provavelmente haveria poucos benefícios na vida dos pacientes, como atenta o jornalista Gary Schwitzer no Health News Review. Há uma esperança de que identificar precocemente proteínas tau poderia ajudar na pesquisa de medicamentos; porém, ainda não se sabe se essas proteínas são causa ou consequência da doença.

Mas desenvolver tratamentos que possam ser usados em estágios iniciais da doença é, sem dúvidas, uma meta. E a dificuldade no diagnóstico precoce é algo que limita muito os estudos clínicos com potenciais remédios. Se um exame de sangue preciso for descoberto, mais gente vai poder se inscrever nesse tipo de ensaio, o que deve impulsionar a busca por terapias. Em outras palavras: saber que se tem a doença de Alzheimer 20 anos antes de ela se manifestar não traz necessariamente benefício individual (na verdade, conviver com a sombra de uma doença sem cura pode ser bem ruim), mas abre caminho para pesquisas futuras.

HÁ VÁRIAS DÉCADAS (E AINDA AGORA)

Parentes do SARS-CoV-2 estão circulando em morcegos-ferradura há décadas, podem ter saltado para humanos sem a necessidade de um hospedeiro intermediário (como os pangolins), e agora mesmo deve haver vários outros vírus com essa capacidade de nos infectar diretamente – e de gerar novas catástrofes. As conclusões são de pesquisadoeres europeus, chineses e norte-americanos que, analisando a história evolutiva do novo coronavírus, conseguiram descobrir a linhagem que deu origem a ele. O trabalho foi publicado na Nature Microbiology.

O estudo sugere que essa linhagem circula em morcegos há algo entre 40 e 70 anos. Pesquisas anteriores indicavam que a recombinação dos vírus encontrados em morcegos com os de pangolins poderia ter contribuído para chegar a uma estrutura capaz de invadir células humanas. Mas, segundo o novo trabalho, essa etapa pode nunca ter existido, porque a linhagem tem determinadas características genéticas que facilitam o salto para várias espécies diferentes. Os morcegos-ferradura abrigam muitos coronavírus, e provavelmente ainda há outros da mesma linhagem em circulação.

“A diversidade existente e o processo dinâmico de recombinação entre linhagens no reservatório de morcegos demonstram quão difícil será identificar vírus com potencial para causar grandes surtos humanos antes que eles surjam. Isso ressalta a necessidade de uma rede global de sistemas de vigilância de doenças humanas em tempo real, como a que identificou o cluster incomum de pneumonia em Wuhan em dezembro de 2019, com capacidade de implantar rapidamente ferramentas genômicas e estudos funcionais para identificação e caracterização de patógenos”, diz o texto.

Ah, sim: o estudo é mais um a reforçar que o novo coronavírus não foi criado propositalmente em nenhum laboratório na China. Porém, as denúncias sobre a resposta das autoridades chinesas ao surto inicial continuam, e esta semana tiveram um novo ingrediente. O professor Yuen Kwok-yung, de Hong Kong, afirma que alertou o governo em 12 de janeiro sobre a possibilidade de transmissão do vírus entre humanos, mas só uma semana depois seus avisos foram divulgados. O governo chinês, de sua parte, garante ter feito o anúncio assim que surgiram evidências robustas desse tipo de transmissão.

TRÊS DEBATES SOBRE A PANDEMIA

Para a Organização Mundial da Saúde, a pandemia tem a forma de “uma grande onda” – e não há evidências de que o novo coronavírus se comporte de forma sazonal, melhorando no verão e piorando no inverno. A declaração dada ontem pela porta-voz do organismo, Margaret Harris, está sendo considerada um ponto de inflexão no debate sobre a imprecisão de um termo que ficou muito conhecido (e nós mesmos já usamos muito por aqui): segunda onda.

Para começo de conversa, não há uma definição científica consensual sobre o termo que tem sido usado para explicar desde repiques a crises nacionais completas, nota uma reportagem do Guardian. O Centro de Medicina Baseada em Evidências da Universidade de Oxford examinou dez epidemias de doenças respiratórias que ocorreram desde 1889 e concluiu que a maior parte do pensamento sobre segunda onda surge da gripe espanhola de 1918-20. Os pesquisadores argumentam que falar em ‘ondas’ pressupõe que no intervalo entre uma e outra não haja circulação viral – “o que provavelmente é uma ilusão”, escreveram Tom Jefferson e Carl Heneghan.

“’Segunda onda’ não é um termo que usaríamos [em epidemiologia] no momento atual, pois o vírus não desapareceu, está em nossa população, se espalhou para 188 países até agora e o que vemos são picos localizados ou o retorno localizado de um grande número de casos”, explica, por sua vez, Linda Bauld, da Universidade de Edimburgo, na reportagem.

E provavelmente não estaríamos discutindo nada disso se essa devastadora emergência sanitária tivesse sido evitada. Um estudo publicado na Science alerta: prevenir o surgimento de novas doenças pela preservação do meio ambiente é até 500 mais barato do que lidar com os impactos de uma pandemia. Os pesquisadores recomendam mais investimentos no monitoramento de florestas tropicais e na fiscalização do comércio de animais silvestres. Isso custaria anualmente algo em torno de US$ 22,2 e 30,7 bilhões. Em comparação, a pandemia de covid-19 deve custar entre US$ 8,1 e US$ 15,8 trilhões.

Contudo, é discutível se o fortalecimento institucional de órgãos ambientais será o suficiente para deter o desmatamento e a exploração predatória de bens naturais. O historiador Luiz Marques, da Unicamp, reflete sobre isso em uma entrevista ao Instituto Unisinos. Ele argumenta que muito mais do que se desesperar com o vírus e com as mudanças que ele impõe, é preciso entender que ele não é causa, mas efeito de uma engrenagem mais complexa. E defende ser preciso abandonar a ideia de que o capitalismo é uma máquina que pode ser ‘educada’ para novos tempos. Mas alerta: “A sociedade pós-capitalista será também uma sociedade pós-socialista, pois, do ponto de vista ambiental, o socialismo foi tão catastrófico quanto é o capitalismo.”

E podemos não ter tanto tempo assim para fazer uma mudança que enderece o problema. A Vice resgatou um interessante (e apavorante) estudo feito pelos físicos teóricos Gerardo Aquino e Mauro Bologna, publicado na Nature em maio deste ano. Especializados em sistemas complexos, eles se debruçaram sobre os impactos do desmatamento. Antes do surgimento de civilizações humanas, as florestas ocupavam 60 milhões de quilômetros quadrados no planeta. Hoje, essa área é menor do que 40 milhões. Se nada mudar em termos de consumo de recursos naturais, a probabilidade estatística de a humanidade sobreviver sem enfrentar alguma catástrofe é “muito baixa”. O colapso da sociedade como a conhecemos é o cenário mais provável – com 90% de chances de acontecer. E isso pode começar em pouco tempo: daqui a 20 ou 40 anos.

A VINGANÇA DO REAL

Vocês lembram do presidente da Bielorrússia que disse que vodca e sauna seriam suficientes para curar a covid-19? Pois bem: ele foi diagnosticado com o vírus. O anúncio foi feito por Alexander Lukashenko ontem.

Já Donald Trump, às voltas com números impressionantes – ontem os EUA bateram recorde de mortes registradas num único dia, 1,6 mil –, continua apelando para a desinformação. O presidente americano afirmou que a hidroxicloroquina só não é considerada um tratamento para covid-19 porque ‘foi ele’ quem sugeriu. Além disso, o Twitter apagou outro tuíte de Trump. Nele, o presidente divulgava um vídeo que incentivava boatos, como o não uso de máscaras de proteção individual e… hidroxicloroquina. O filho dele, Donald Trump Jr., teve sua conta suspensa pela empresa por propagar informações falsas sobre a pandemia.

Todo o barulho feito pela família e a pressão da administração sobre órgãos governamentais não tem sido suficiente para abafar a realidade. Ontem, o diretor do CDC Robert Redfield admitiu que o país foi lento demais na restrição dos voos vindos da Europa. Também lá, a maior parte das introduções do vírus veio do Velho Continente.

UM MARCO NA TRANSPARÊNCIA

A Itália se tornou o primeiro país a exigir que as empresas farmacêuticas divulguem dados secretos sobre quaisquer subsídios públicos que possam ter recebido para o desenvolvimento de medicamentos, tratamentos e vacinas. As companhias também serão obrigadas a fornecer informações sobre receitas de vendas, custos de marketing, o status das suas patentes e ainda os preços que negociam com outros países. Com isso, as autoridades poderão negociar com o setor privado em igualdade de condições. “Ter informações é vital quando você está negociando, caso contrário, você está negociando cegamente”, resumiu Li Bassi, diretor-geral da Agência Italiana de Medicamentos, para o site Health Policy Watch.

No ano passado, partiu justamente da Itália uma proposta para que a transparência no mercado de tecnologias para saúde se tornasse uma regra mundial. Nossa editora Maíra Mathias acompanhou as discussões diretamente da Assembleia Mundial da Saúde em Genebra e, na época, resumiu:

“O texto, ambicioso, queria por exemplo obrigar que as empresas abrissem todos os custos ao longo da cadeia de produção: quanto gastam com pesquisa & desenvolvimento? Com testes clínicos? Com marketing? O quanto do preço de um medicamento é, na verdade, inflado pelo desejo de maximizar lucros e não tem nada a ver com os estágios anteriores? Com isso, a resolução também queria escancarar o fato de que parte dos custos, principalmente na fase de p&d e dos testes clínicos, são bancados com dinheiro público. A indústria, obviamente, pirou com a resolução. Mas não diretamente. Sua tropa de choque foram as delegações dos países nos quais elas têm sede: Alemanha, França, Reino Unido, Suíça… A despeito da pressão da sociedade civil organizada e, em alguns casos, da mídia, esses países fizeram de tudo para enterrar a resolução que, no último momento, passou. Mas com mudanças simbólicas – como a substituição da palavra ‘tecnologias de saúde’ por ‘produtos de saúde’, sendo que estão sendo caracterizados como ‘produtos’ os genes humanos… – e sem tantas ambições. Os países devem trocar entre si os preços que pagam e as informações sobre as patentes que concedem. Mas se não trocarem, não sofrem punição.”

Na própria Itália, a aprovação das regras sofreu atraso, por conta da crise política. Mas a pandemia criou outra oportunidade para que o tema voltasse à agenda. Li Basse acredita que o decreto italiano pode inspirar outros países. Tomara.

PROPOSTA CLANDESTINA

Na contramão da transparência, a proposta da reforma do SUS continua intrigando a sociedade e até os parlamentares. Ontem, em visita à fábrica de vacinas da Fiocruz, os deputados da comissão de enfrentamento à covid-19 trocaram informações e concluíram: mesmo aqueles que têm ótima interlocução com entidades privadas de saúde não sabem de onde veio a agenda abraçada por Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Também chama atenção o método adotado pelo presidente da Câmara, de divulgar a ideia de maneira sumária pela imprensa. Até o presidente da comissão, Dr. Luizinho (PP-RJ), ficou sabendo do plano pela internet.

Quem revela esse bastidor é o deputado Alexandre Padilha (PT-SP). Em entrevista ao Outra Saúde, ele analisa todo o contexto em que surge a proposta de reforma do SUS. O ex-ministro da Saúde alerta que essa agenda pode enfraquecer a principal disputa do momento, pela mudança nas regras do teto de gastos públicos que acontecerá quando a proposta de orçamento do governo federal para 2021 chegar ao Congresso. Padilha acredita que a pandemia conscientizou a população brasileira sobre a importância do Sistema Único, e traz a oportunidade de melhorar seu financiamento. E reflete sobre o debate da gestão, necessário, mas geralmente nivelado por soluções simplistas. “Nós já assistimos na Câmara debates em que participaram empresários dos mais variados setores, acreditando ter a solução mágica para um sistema complexo como o SUS”, diz ele. “Se é verdade que a pandemia escancarou a carência de sistemas públicos universais no mundo e a importância não só da sua presença, mas do seu fortalecimento, é verdade também que isso está em disputa”, completa.

E o Conselho Nacional de Saúde divulgou ontem uma nota em que defende que qualquer debate sobre o SUS precisa ser feito nos espaços formais de participação da sociedade no Sistema. Hoje, são mais de cem mil conselheiros municipais, estaduais e nacionais de saúde eleitos nas conferências que aconteceram no ano passado.

A importância do direito à saúde é assunto na França e nos Estados Unidos. No país europeu, um artigo do Le Monde defende que a pandemia pode ser uma virada de mesa para que os problemas trazidos pela tendência de mercantilização sejam corrigidos. Já nos EUA, tem sido destaque o fato de milhões de pessoas pobres não serem cobertas pelo Obamacare em alguns dos estados mais afetados. Com o desemprego, outros mais estão perdendo os seguros cofinanciados pelas empresas.

TETO EM DISPUTA

Pelas contas da Comissão de Orçamento e Financiamento do Conselho Nacional de Saúde, o Ministério já perdeu R$ 22,5 bilhões de 2018 para cá por conta do teto de gastos. (A EC 95 passou a valer para a saúde naquele ano). A aprovação do orçamento de guerra, que dribla o teto, foi a responsável pelo aumento de R$ 39 bilhões no financiamento da pasta – dinheiro que alguns especialistas defendem que seja incorporado para o cálculo do mínimo constitucional a ser investido pela União na área em 2021.

Ontem, o secretário do Tesouro Bruno Funchal negou que a equipe econômica esteja disposta a flexibilizar a Emenda Constitucional 95. “O teto, esse comando, essa regra fiscal, está no coração e na cabeça do ministro [Paulo Guedes] e da equipe econômica. O ministério todo é muito convergente em relação a isso. Manter o teto é mais importante que qualquer ação que a gente venha a fazer”, disse ao Globo.

Na mesma toada está Marcos Mendes, um dos formuladores do teto. O pesquisador do Insper ganhou espaço no Estadão para divulgar um cálculo bem diferente daquele feito pelo Conselho e concluir que o gasto federal em saúde aumentou depois do teto. Seriam R$ 9,3 bilhões a mais, na comparação com o que o Ministério teria à disposição caso estivesse valendo a regra anterior.

Mas para a especialista em financiamento Grazielle David, a comparação de Mendes é equivocada. No Twitter, ela demonstra com uma tabela como o economista chegou ao número e quais são os problemas da conta. Em resumo, o erro do cálculo é não comparar o efeito da regra fiscal anterior (EC 86) com a atual (EC95). Mendes compara a EC 86 com a despesa empenhada. Além disso, ele não leva em consideração a medida liminar concedida em agosto de 2017 por Ricardo Lewandowski. O ministro do Supremo suspendeu o escalonamento previsto pela Emenda 86 no cálculo do piso mínimo da saúde.

MENOS ACELERADO

O fechamento de vagas com carteira assinada foi de aproximadamente 11 mil em junho. Muito menos do que as 350 mil e 918 mil vagas perdidas em maio e abril, respecitvamente. Para o Secretário Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, Bruno Bianco, trata-se de um sinal de que é possível a “recuperação em V”. Mas não dá para afirmar isso. Milhões de pessoas tiveram seus contratos suspensos temporariamente, e depois há um período pelo qual elas não podem ser demitidas. Dependendo do curso da pandemia no país até lá, boa parte desses empregos não deve ser mantida. No total, o número de empregos formais perdidos desde março passa de 1,5 milhão.

A última pesquisa sobre endividamento e inadimplência da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostra que 67,4% das famílias brasileiras se disseram endividadas em junho. É o maior patamar desde que o levantamento começou a ser feito, há dez anos. O nível de inadimplência ficou em 12%.

DUROU POUCO

Jair Bolsonaro vetou integralmente um projeto aprovado pelo Congresso para dar preferência às mães no pagamento de R$ 1,2 mil de auxílio emergencial. Homens ou mulheres com filhos podem solicitar esse valor, mas havia reclamações de que pais estava aproveitando para requerer e receber a quantia mesmo quando a crianças eram sustentadas pelas mães. Segundo a Secretaria-Geral da Presidência, o veto foi porque não havia estimativa de impacto orçamentário e financeiro. Como o valor só é pago a um dos responsáveis (é preciso cadastrar o CPF da criança no momento do pedido), não entendemos qual seria esse impacto.

REVALIDA ONLINE

A última edição do Revalida, exame necessário para que médicos formados no exterior tenham autorização para atuar no Brasil, aconteceu num longínquo 2017. Com a pandemia, o Congresso está pressionando o governo para que seja cumprida a promessa de retomar o exame este ano. Segundo o Valor, as conversas entre parlamentares e Planalto caminham para a edição de uma medida provisória para que exame seja realizado pela internet.

A essa altura, 15 mil médicos formados no exterior aguardam a prova. Por outro lado, faltam profissionais em vários locais – como dá para constatar olhando as chamadas de contratação feitas por secretariais Brasil afora. Em nota enviada ao jornal, o Ministério da Saúde afirma que contratou 6,6 mil profissionais por meio do programa Mais Médicos para atender durante a pandemia. No total, também de acordo com a pasta, 21.636 médicos foram diagnosticados com covid-19 no país.

AO VIVO

Já é grande a lista de evidências de que a covid-19 pode gerar coagulação excessiva em vários órgãos, o que ajuda a explicar problemas como derrames cerebrais e tromboses observados em pacientes. Pesquisadores da USP em Ribeirão Preto conseguiram registrar, ao vivo, a formação de coágulos em pessoas internadas com a doença. “Ainda havia uma certa dúvida se esses distúrbios de coagulação seriam uma consequência do longo período de internação em UTI ou se de fato eram causados pela resposta inflamatória induzida pelo vírus. Mas nós conseguimos observar a formação dos microtrombos já no primeiro dia de internação”, diz Carlos Henrique Miranda, professor da universidade, à Agência Fapesp. O estudo foi divulgado, ainda sem revisão de pares, na plataforma medRvix.

DO TEMPO DOS DINOSSAUROS

Micróbios foram despertadosdepois de passarem 101,5 milhões de anos inativos, sem nenhum tipo de nutriente, no fundo do mar. Eles estavam nas amostras dos sedimentos marinhos mais antigos já estudados – enterrados 75 metros abaixo do solo, e num ponto do Oceano Pacífico com mais de seis mil metros de profundidade. O processo foi relatado em artigo na Nature. Em laboratório, cientistas ‘alimentaram’ os microorganismos com carbono, nitrogênio, amônia e aminoácidos; então eles cresceram, se multiplicaram e voltaram a apresentar atividade metabólica. “No começo, eu estava cético, mas descobrimos que até 99,1% dos micróbios (…) ainda estavam vivos e prontos para comer”, diz um dos autores, Yuki Morono, geomicrobiologista da Agência Japonesa de Ciência e Tecnologia.

Muitos dos microorganismos encontrados são bactérias aeróbias, ou seja, precisam de oxigênio para viver; isso indica que é possível “prender” o oxigênio entre os sedimentos no fundo do mar. E, segundo a reportagem do site The Independent, alimenta as chances de se encontrar vida em Marte (não só fósseis, mas microorganismos adormecidos e ‘ressuscitáveis’), dada a semelhança do ambiente subterrâneo com as condições na superfície do Planeta Vermelho.

MAÍRA MATHIAS E RAQUEL TORRES
Maíra Mathias e Raquel Torres são editoras do Outra Saúde.

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