Pages

Em meio à pandemia, os Avá Guarani sofrem mais um ataque a tiros no oeste do Paraná

A crescente violência contra os Avá Guarani está relacionada a não demarcação do território tradicional do povo, aponta o Cimi Regional Sul.
Do IHU, 04/06/2020

A nota é publicada por Conselho Indigenista Missionário (CIMI) Regional Sul, 02-06-2020.
Eis a nota.

Indígenas de Guaíra e Terra Roxa pedindo a demarcação de suas terras durante manifestação em abril de 2017. (Foto: Comissão Guarani YvyRupa)

O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) Regional Sul, vem a público repudiar e exigir que os novos ataques à comunidade Yhovy, Tekoha Guasu Guavirá, do povo Avá Guarani, localizado no município de Guaíra, Paraná, sejam investigados e os responsáveis punidos.

Nos dias 28 e 31 de maio, pessoas armadas em um veículo que transitava pela Avenida Martin Luther King, que faz divisa com a aldeia, efetuaram disparos de arma de fogo na tentativa de assassinar membros da comunidade indígena.

Os Avá Guarani foram alvos dos ataques enquanto cumprem isolamento na aldeia, onde buscam se proteger e proteger toda a população contra da covid-19. Momento em que criminosos se aproveitam da vulnerabilidade para atacar os indígenas, num gesto claro de ódio racial. Segundo as lideranças que presenciaram os ataques, os tiros foram em direção aos indígenas, demonstrando claramente que desejam eliminar as pessoas.

Além dos tiros, os Avá Guarani foram vítimas de “acidentes” de trânsito, atropelamento. Segundo relatou o cacique da comunidade, pessoas da aldeia sofreram tentativas de atropelamento quando se deslocavam de bicicleta. Nas últimas duas semanas cinco pessoas foram vítimas dessa forma de agressão, sendo que duas delas foram hospitalizadas. Não se trata de acidente, mas de ações deliberadas. Esses casos levantam suspeitas sobre o atropelamento com morte de um adolescente ocorrido em 29 de fevereiro e de outras duas tentativas de atropelamento ocorridas no mês de março.

Para o Cimi Regional Sul essa crescente violência está diretamente ligada a questão fundiária. Desde que o presidente da Funai anulou os estudos de identificação e delimitação e não recorreu da decisão proferida pelo juiz no processo movido pela Prefeitura Municipal de Guaíra e Terra Roxa (nº. 5001048-25.2018.4.04.7017), contra a regularização da terra indígena Tekoha Guasu Guavirá, tonando-se assim nulos todos os estudos de identificação e delimitação, a violência vem crescendo.

A decisão ocorre justamente num momento em que o país vive em uma pandemia do novo coronavírus, em que pessoas se sentem empoderadas a ameaçar os Avá Guarani, que durante a quarentena tem procurado ficar dentro do seu tekoha, saindo somente em caso de extrema necessidade.

É necessário e urgente que as ameaças contra os Avá Guarani sejam investigadas pelas autoridades competentes e que seja garantida a proteção do povo.



Conselho Indigenista Missionário – Regional Sul


Leia mais
Avá-Guarani é assassinado no oeste do Paraná e violência cresce na região contra comunidades indígenas
Awa Guarani – Terra Roxa e Guaíra: racismo, preconceito e extermínio
A golpes de pau e pedras, jovem Guarani é assassinado no oeste do Paraná
“Vamos ter 40 dias de paz”, afirma liderança Avá-Guarani após audiência com Itaipu no STF
Itaipu tenta expulsar comunidade Avá-Guarani de Santa Helena com nova ação de despejo
TRF-4 estipula prazo para despejo de comunidade Guarani em Itaipulândia, no Oeste do PR
Em visita da CIDH no Brasil, lideranças indígena Kaiowá e Avá Guarani denunciam violação de direitos humanos
Indígena Ava-Guarani Donecildo Agueiro sofre atentado a tiros em Guaíra/PR
Ava-Guarani retomam parte de antigo Tekoha
Fazendeiros expulsam Avá Guarani de terra reivindicada como indígena no Paraná
Organizações solicitam ao STF participação em processo envolvendo despejo de aldeia Avá-Guarani
Agronegócio e políticos são ameaças aos Avá Guarani no Paraná
Por conta de três taquaras, procurador Alexandre Collares Barbosa denuncia cinco Avá-Guarani à Justiça Federal
Por demarcação, índios ocupam terras no Paraná
Líder indígena Davi Kopenawa denuncia governo Bolsonaro na ONU
“O governo Bolsonaro é o principal responsável pela insegurança dos povos indígenas”. Entrevista com o Secretário Executivo do CIMI
A vida dos povos indígenas não pode ser o preço do desenvolvimento econômico. Entrevista especial com Joenia Wapichana
O plano genocida de Bolsonaro para a destruição dos povos indígenas
Brasil acima de tudo, indígenas abaixo de todos!

Nenhum comentário:

Postar um comentário